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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001718
Banca
FCC
Órgão
AL-RR
Ano
2026
Cargo
Analista Legislativo - Analista de Segurança da Informação
    As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIХ.

   No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos. É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar.

   As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um. As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas tambéma ordem politica. As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática, consolidadaa partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia serconsiderado "livre e igual"foram pouco a pouco expandidas. Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluldos em suas reivindicações por incorporação.


(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34; Edusp, 2011, pp 302 a 305) 
No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessivel a todos.
Uma nova redação para a frase acima, em que se mantêm a correção e, em linhas gerais, o sentido original, encontra-se em:
  1. AResidia na essência da Paris moderna, a crença de que qualquer um pode aspirar o uso das áreas comuns e de que asociedade de mercado ali estabelecida, visa incluir toda a população sem distinções.
  2. BExistia no âmago do projeto de urbanidade parisiense, as visões de livre fruição das ruas por qualquer indivíduo, garantindoque o acesso aos bens de consumo assistissem por todos de forma igualitária.
  3. CNo centro da concepção de vida pública urbana presente na Paris moderna, estavam as ideias de que o espaço urbanodeveria ser franqueado ao uso e usufruto de qualquer pessoa e de que a sociedade de consumo ali existente poderia setornar acessível a todos.
  4. DA ideia de esfera pública na Paris da modernidade fundamentava na premissa de que o território urbano é de livre acesso,e que a dinâmica do consumo presente nele deve estar ao encalço de todos cidadãos.
  5. EO conceito de vida coletiva nas cidades, que a Paris moderna personificou, traziam o princípio de que o espaço públicopertence ao povo; além disso a acessibilidade à essa cultura de consumo seria um direito universal.
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GabaritoC — No centro da concepção de vida pública urbana presente na Paris moderna, estavam as ideias de que o espaço urbano deveria ser franqueado ao uso e usufruto de qualquer pessoa e de que a sociedade de consumo ali existente poderia se tornar acessível a todos.

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Reescrita de frase – Manutenção de sentido e correção

Gabarito: letra C. A alternativa C preserva, em linhas gerais, o sentido original e está gramaticalmente correta. O texto original afirma: “No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos.” A opção C substitui “no cerne” por “no centro”, “noções” por “ideias”, e ajusta “é aberto” para “deveria ser franqueado” – mudança aceitável dentro da ideia de concepção (noção ideal), mantendo o paralelismo e o sentido geral. As demais alternativas apresentam erros gramaticais ou desvios de significado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A frase “Residia na essência da Paris moderna, a crença de que qualquer um pode aspirar o uso” apresenta problema de regência: “aspirar” no sentido de almejar exige a preposição “a” (aspirar a algo). Além disso, “visa incluir” altera a modalidade original (potencial → intenção). ❌ Erro: troca_termo (regência) e alteração de sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Existia … as visões” – erro de concordância verbal (singular/plural). “garantindo que o acesso … assistissem” – também erro de concordância (acesso singular). O verbo “assistir” com sentido de “ser acessível” não é adequado; o original fala em “tornar-se acessível”. ❌ Erro: contradiz texto (concordância) e alteração de sentido.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Reescreve a frase com sinônimos e estrutura equivalente: “No centro … estavam as ideias … o espaço urbano deveria ser franqueado ao uso e usufruto … a sociedade de consumo … poderia se tornar acessível a todos.” A troca de “é aberto” por “deveria ser franqueado” insere leve tom de obrigação, mas enquadra-se na noção de ideal urbano, mantendo o sentido geral. Gramaticalmente correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“fundamentava na premissa” – uso inadequado do verbo (falta o pronome “se”). A expressão “ao encalço de” significa “no encalço” (perseguindo), não “acessível” – altera radicalmente o sentido. ❌ Erro: troca_termo (significado de “ao encalço”).

Alternativa E — ❌ Incorreta

“O conceito … traziam” – erro de concordância (sujeito singular, verbo plural). “à essa” – crase indevida (diante de pronome demonstrativo “essa”, não se usa crase). “seria um direito universal” – impõe juízo de direito, ausente no original (apenas possibilidade). ❌ Erro: generalizacao_indevida (concordância, crase, acréscimo de sentido).

Gabarito: letra C.

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