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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001719
Banca
FCC
Órgão
AL-RR
Ano
2026
Cargo
Analista Legislativo - Analista de Segurança da Informação
    As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIХ.

   No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos. É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar.

   As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um. As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas tambéma ordem politica. As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática, consolidadaa partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia serconsiderado "livre e igual"foram pouco a pouco expandidas. Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluldos em suas reivindicações por incorporação.


(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34; Edusp, 2011, pp 302 a 305) 
Considere as frases a seguir:
É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. (2º parágrafo)
Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. (3º parágrafo)
Os termos sublinhados referem-se, respectivamente, a
  1. Acidades modernas- grupos -ordem social
  2. Bdesigualdades -sociais segregação -ficção
  3. Ccidades modernas -grupos -ficção
  4. Ddesigualdades sociais- grupos -ficção
  5. Ecidades modernas -segregação- ordem social
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GabaritoC — cidades modernas -grupos - ficção

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Referência de pronomes e demonstrativos – Coesão referencial

Gabarito: letra C. O termo "esse" (2º parágrafo) retoma a noção de cidade aberta e acessível, característica das cidades modernas; "diversos grupos" (2º parágrafo) refere-se explicitamente aos grupos sociais que se apropriam da cidade; "Essa ficção" (3º parágrafo) retoma a ficção do contrato social. A alternativa correta é C, que associa corretamente os três referentes.

"É claro que esse nunca foi exatamente o caso..." → O "esse" remete à ideia anterior: a concepção de vida pública urbana na Paris moderna, ou seja, a cidade moderna aberta e acessível. Portanto, "cidades modernas" é o referente adequado. "...apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos..." → O termo está explícito. "Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta..." → Refere-se à "ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais", mencionada logo antes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O terceiro termo sublinhado é "Essa ficção", não "ordem social". O texto afirma que a ficção ajudou a destruir a ordem social estamental, mas não se refere a ela.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O primeiro termo "esse" não se refere a "desigualdades sociais", mas sim à ideia de abertura da cidade. O segundo termo sublinhado é "diversos grupos", e não "sociais segregação".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Todos os referentes estão corretos: "esse" → cidades modernas; "diversos grupos" → grupos; "Essa ficção" → ficção. A alternativa é a única que não comete erro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O primeiro termo sublinhado é "esse", que não se refere a "desigualdades sociais", mas à cidade aberta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O segundo termo sublinhado é "diversos grupos", não "segregação". O terceiro termo é "ficção", não "ordem social".

Gabarito: letra C.

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