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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001806
Banca
FCC
Órgão
AL-RR
Ano
2026
Cargo
Analista Legislativo - Enfermeiro
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.


   As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIX.

   No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos. É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder. No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um.

  As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas também a ordem politica. As imagens da cidade moderna são análogas àquelas da ordem liberal-democrática, consolidada a partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado "livre e igual" foram pouco a pouco expandidas. Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluídos em suas reivindicações por incorporação.


(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34: Edusp, 2011, pp 302 a 305) 
Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado "livre e igual" foram pouco a pouco expandidas. (3º parágrafo)

O termo sublinhado no trecho acima indica a
  1. Aadição de dois pontos de vista sobre um mesmo objeto.
  2. Brelativização de uma afirmativa anterior.
  3. Coposição entre duas premissas.
  4. Dconclusão de um determinado processo.
  5. Enegação absoluta de um argumento anterior.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — relativização de uma afirmativa anterior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivo "No entanto" — Relativização de uma afirmativa anterior

Gabarito: letra B. O termo "No entanto", no trecho do 3º parágrafo, introduz uma relativização da afirmativa anterior. A primeira oração diz que a ficção "ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu". Em seguida, "No entanto" aponta que a expansão das definições de "livre e igual" só ocorreu "depois de muitas lutas" e "pouco a pouco", ou seja, a afirmação inicial é qualificada – não houve uma substituição imediata, mas um processo gradual e conflituoso. Isso atenua o alcance do que foi dito antes, caracterizando relativização.

"Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu. No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado 'livre e igual' foram pouco a pouco expandidas."

Por que as outras alternativas estão incorretas:

Alternativa A — ❌ Incorreta

Adição de dois pontos de vista. "No entanto" não é um conectivo aditivo (como "e", "além disso"). Ele estabelece contraste, não adição.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Relativização de uma afirmativa anterior. Conforme explicado, o conectivo introduz uma restrição que impede que a afirmação anterior seja tomada de forma absoluta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Oposição entre duas premissas. Embora "No entanto" seja tipicamente adversativo, a relação aqui é mais sutil: não há oposição direta entre as ideias, mas sim uma atenuação. O texto não nega a destruição da ordem estamental; apenas mostra que o processo de inclusão foi gradual. Portanto, a ideia de "oposição" é inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Conclusão de um determinado processo. "No entanto" não é conclusivo (como "portanto", "assim"). Ele não encerra um raciocínio, mas introduz um contraponto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Negação absoluta de um argumento anterior. Não há negação: a afirmativa anterior não é negada, apenas limitada. "Negação absoluta" implicaria que a ficção não ajudou a destruir a ordem estamental, o que não é o caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre "oposição" e "relativização". Embora o conectivo seja adversativo, o contexto pede uma análise mais fina: ele suaviza a afirmação anterior, não a contradiz diretamente.

Gabarito: letra B

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