Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto a seguir.
As ruas abertas à livre circulação de pessoas e veículos representam uma das imagens mais vivas da cidade moderna. Apesar
de as cidades ocidentais incorporarem várias e até contraditórias versões da modernidade, há um grande consenso a respeito de quais
são os elementos básicos da experiência moderna de vida pública urbana: a primazia e a abertura de ruas; a circulação livre; os
encontros impessoais e anônimos de pedestres; o uso público e espontâneo das ruas e praças; e a presença de pessoas de diferentes
grupos sociais passeando e observando os outros que passam, olhando vitrines, fazendo compras, sentando nos cafés, participando
de manifestações políticas, apropriando as ruas para seus festivais e comemorações, ou usando os espaços especialmente designados
para o lazer das massas. Esses elementos são associados à vida moderna em cidades capitalistas pelo menos desde a reforma de
Paris promovida pelo barão de Haussmann na segunda metade do século XIX.
No cerne da concepção de vida pública urbana incorporada na Paris moderna estavam as noções de que o espaço da cidade é
aberto para ser usado e usufruído por qualquer um e de que a sociedade de consumo que ele abriga poderia tornar-se acessível a todos.
É claro que esse nunca foi exatamente o caso, em Paris ou em qualquer outro lugar. As cidades modernas foram sempre marcadas por
desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos,
dependendo de sua posição social e de seu poder. No entanto, a despeito das persistentes desigualdades e injustiças sociais, as cidades
ocidentais modernas sempre mantiveram vários sinais de abertura, sobretudo no que diz respeito à circulação e ao consumo. Esses sinais
contribuíram para manter o valor positivo associado à ideia de um espaço público aberto, acessível a todos e a qualquer um.
As cidades modernas têm servido de cenário para todo tipo de manifestação política. Na verdade, a promessa de incorporação à
sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas também a ordem politica. As imagens da cidade moderna são análogas
àquelas da ordem liberal-democrática, consolidada a partir da ficção do contrato social entre pessoas livres e iguais e que moldou a esfera
política moderna. Essa ficção, tão radical quanto aquela da cidade aberta, ajudou a destruir a ordem social estamental que a precedeu.
No entanto, foi só depois de muitas lutas que as definições de quem poderia ser considerado "livre e igual" foram pouco a pouco expandidas.
Tanto a cidade aberta e sem exclusões quanto a ordem política incorporando todos os cidadãos como iguais nunca existiram, mas seus
ideais fundadores e suas promessas de incorporação mantiveram seu poder por pelo menos dois séculos, dando forma a experiências de
cidadania e de vida urbana e legitimando as ações de vários grupos excluídos em suas reivindicações por incorporação.
(Adaptado de: CALDEIRA, Teresa Pires do Rio. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34:
Edusp, 2011, pp 302 a 305)
A correção gramatical e a regência são plenamente contempladas no seguinte período:
AMuitos estudiosos defendem que há consenso com a importância desses espaços para a vida urbana, embora nem semprese reconheça sua relação sob a experiência cotidiana dos cidadãos.
BA noção de cidade aberta foi incorporada em discursos políticos desde o século XIX. Ela está frequentemente ligada paracom projetos de modernização urbanos que valorizam a circulação e o consumo.
CAs cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de serapropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder.
DHá consenso diante a quais são os elementos básicos da vida pública urbana. As ruas abertas e a livre circulação de pessoassão fundamentais para uma concepção democrática de cidade moderna.
EAs cidades foram marcadas em desigualdades sociais profundas. Apesar disso, o discurso de abertura política, típico dasdemocracias burguesas, foram hegemônicos no ocidente, ao menos até as primeiras décadas do século XXI.
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GabaritoC — As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser
apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder.
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Correção gramatical e regência
Gabarito: letra C. A única alternativa que respeita plenamente as regras de regência nominal/verbal e a concordância, sem desvios da norma-padrão, é a C — ela reproduz fielmente um trecho do texto-base (2º parágrafo), com todas as preposições e formas verbais corretas.
Regência nominal/verbal: Consenso (Sobre / a respeito de, Com); Relação (Com / entre, Sob); Ligado (A, Para com); Marcado (Por, Em); Diante (De, A); Dependente (De)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Muitos estudiosos defendem que há consenso com a importância desses espaços […] sua relação sob a experiência cotidiana"
A regência falha em dois pontos: (1) consenso exige a preposição sobre ou a respeito de, nunca com; (2) relação rege com ou entre, e sob (posição inferior) não se aplica. A banca troca as preposições, gerando erro de regência nominal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Ela está frequentemente ligada para com projetos de modernização"
A locução ligada a é a correta. A forma "ligada para com" não existe na norma culta — o uso de para com é restrito a sentimentos (amor, ódio). Há, portanto, erro de regência verbal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"As cidades modernas foram sempre marcadas por desigualdades sociais e segregação espacial e nunca deixaram de ser apropriadas de formas bastante diferentes por diversos grupos, dependendo de sua posição social e de seu poder."
Transcrição literal do 2º parágrafo do texto — TODAS as regências estão perfeitas: marcadas por, apropriadas de, dependente de. Não há desvios de concordância ou colocação. A frase é gramatical e normativamente exemplar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Há consenso diante a quais são os elementos básicos"
A expressão diante a é um erro clássico — o correto é diante de (preposição de obrigatória). Além disso, consenso pede sobre; a banca junta duas preposições inadequadas. Erro de regência nominal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"As cidades foram marcadas em desigualdades sociais profundas. […] foram hegemônicos no ocidente"
Dois desvios: (1) marcadas rege por (agente), e não em — o texto original usa marcadas por; (2) o sujeito o discurso (singular) exige verbo foi hegemônico, e não foram hegemônicos (concordância verbal). Ainda há o erro de grafia de ocidente (minúscula, mas isso é secundário).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora erros comuns de regência nominal (consenso, relação, diante) e verbal (ligada, marcada) que fogem ao padrão culto. A alternativa correta é a única que copia fielmente o texto — estratégia: desconfie sempre de alterações nas preposições originais.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.