Questão de Português — Pontuação — Quadrix 2026
- Código
- gp001990
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CREFONO 2 - SP
- Ano
- 2026
- Cargo
- Analista de Fiscalização
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (Certo). O item está correto: isolar com vírgulas o trecho “que ignorarem a importância da governança, da transparência e da ética” mantém a correção gramatical, mas altera o sentido — a oração deixaria de ser restritiva (restringe o conjunto de empresas) e passaria a ser explicativa (generaliza, referindo-se a todas as empresas). A prova está na própria estrutura do período: sem vírgulas, o texto diz que apenas as empresas que ignorarem a governança estarão sujeitas a riscos; com vírgulas, diria que todas as empresas, que por acaso ignoram, estarão sujeitas.
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre dois efeitos simultâneos de uma mudança de pontuação: (1) a correção gramatical seria mantida? (2) o sentido seria alterado? São duas perguntas independentes — e a resposta é sim para ambas. O foco não é decorar regra, mas perceber como a vírgula muda a função sintática e o valor semântico da oração adjetiva.
O fragmento final do texto afirma:
“Assim, empresas que ignorarem a importância da governança, da transparência e da ética estarão sujeitas a riscos jurídicos significativos, incluindo a responsabilidade penal de executivos e perdas irreparáveis em reputação.”
A oração “que ignorarem a importância da governança, da transparência e da ética” é uma oração adjetiva introduzida pelo pronome relativo “que”. Sem vírgulas, ela é restritiva: delimita quais empresas estão sujeitas a riscos — somente aquelas que ignorarem a governança. Essa leitura é coerente com a tese do texto, que distingue empresas preparadas (que integram ESG) das que ignoram a governança (sujeitas a riscos).
A regra é clássica:
Oração adjetiva restritiva (sem vírgula): restringe, limita o sentido do antecedente. Ex.: “Os alunos que estudam passam.” → só os que estudam passam.
Oração adjetiva explicativa (com vírgula): acrescenta uma informação sobre todo o antecedente, sem restringir. Ex.: “Os alunos, que estudam, passam.” → todos os alunos estudam e passam.
No fragmento, sem vírgula, “empresas que ignorarem…” = apenas as que ignorarem. Com vírgula, “empresas, que ignorarem…” = todas as empresas (e todas ignoram). A mudança é exatamente essa: de restrição para generalização. A correção gramatical se mantém porque a oração continua adjetiva — apenas muda sua classificação e seu efeito de sentido.
O item está certo. A vírgula é facultativa do ponto de vista gramatical (não quebra a estrutura), mas obrigatória para distinguir os dois tipos de oração adjetiva. Ao isolarmos o trecho com vírgulas, transformamos a oração restritiva em explicativa, alterando o sentido: de “apenas as empresas que ignorarem” para “todas as empresas, que ignoram”. O texto original, sem vírgulas, restringe; com vírgulas, generaliza. Portanto, a afirmação do item é verdadeira.
O item não está errado. Quem marca “Errado” cai na armadilha de achar que a vírgula é meramente estilística e não muda o sentido. Mas a vírgula é um marcador semântico: separar a oração adjetiva por vírgulas a torna explicativa, e isso altera o alcance do sujeito “empresas”. A banca explora exatamente essa confusão entre “correção gramatical” (que se mantém) e “sentido” (que muda).
A banca quer que você confunda “correto gramaticalmente” com “mesmo sentido”. A vírgula é facultativa na forma, mas não no sentido: restritiva × explicativa é uma oposição de sentido, não de gramática.
Ao ver “que” após um substantivo, pergunte: a oração restringe ou explica? Sem vírgula = restringe (só alguns); com vírgula = explica (todos). Teste trocando por “os quais” e veja se o sentido muda.
Conclusão: a questão ensina que a vírgula não é enfeite — ela decide se a oração adjetiva é restritiva ou explicativa. Como a mudança de pontuação altera o sentido, o item está Certo.
Gabarito: letra C
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