Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — Quadrix 2026
Português›Funções morfossintáticas da palavra SE
Código
gp001994
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO 2 - SP
Ano
2026
Cargo
Analista de Fiscalização
Conselhos de fiscalização profissional e
proteção da sociedade
As profissões são necessárias ao desenvolvimento
de uma sociedade, razão pela qual a Constituição Federal
aponta o valor social do trabalho e da livre iniciativa como
um dos fundamentos da República. Elas têm repercussão
social, por isso é necessário proteger a coletividade. É nesse
contexto em que os conselhos de fiscalização profissional se
destacam como entidades que regulamentam, normatizam
e fiscalizam o exercício da profissão em prol da sociedade.
Embora a Constituição Federal tenha outorgado
à União a competência para legislar e fiscalizar o
exercício profissional, em determinadas profissões essa
função foi delegada aos denominados conselhos de
fiscalização profissional. Como entidades não integrantes
da administração pública, os conselhos de fiscalização
profissional têm autonomia financeira e administrativa, não
recebem subvenções ou repasses financeiros da União e
tampouco estão submetidos à supervisão ministerial.
Dada a sua natureza autárquica, os conselhos têm
personalidade jurídica de direito público e se submetem
aos ditames constitucionais. Os conselhos de fiscalização
profissional, portanto, estão submetidos ao sistema de
concurso público, são obrigados à realização de processo
licitatório e seus atos são controlados e fiscalizados pelo
TCU.
Os conselhos de fiscalização profissional têm papel
fundamental na proteção à saúde, à vida, ao bem‑estar, à
segurança e à liberdade da população e só podem cumprir
essas funções a partir de seu reconhecimento como pessoas
jurídicas de direito público. Para o pleno exercício de suas
funções, os atos emanados dos conselhos de fiscalização
profissional devem ter discricionariedade, coercibilidade e
autoexecutoriedade a fim de que se imponham restrições
aos direitos individuais dos profissionais em favor dos
interesses maiores da coletividade. Portanto, cabe à
população e aos profissionais entender e defender o papel
fundamental dos conselhos de fiscalização profissional na
defesa dos interesses coletivos.
Internet: <cremers.org.br> (com adaptações).
Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
No segmento “Para o pleno exercício de suas
funções, os atos emanados dos conselhos de
fiscalização profissional devem ter discricionariedade,
coercibilidade e autoexecutoriedade a fim de que
se imponham restrições aos direitos individuais dos
profissionais em favor dos interesses maiores da
coletividade.”, a forma “se imponham” poderia ser
substituída por imponham‑se, sem prejuízo para a
correção gramatical e o sentido do período.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
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Colocação pronominal: próclise obrigatória após conjunção subordinativa
Gabarito: E (Errado). A substituição de “se imponham” por “imponham-se” não é possível sem prejuízo à correção gramatical, pois a próclise é obrigatória quando há palavra atrativa antes do verbo — no caso, a locução conjuntiva “a fim de que”. Como se lê no trecho: “a fim de que se imponham restrições aos direitos individuais”, o pronome deve permanecer antes do verbo.
O comando da questão
O item pede um julgamento sobre a reescritura de um trecho: trocar a posição do pronome “se” (de próclise para ênclise) mantendo correção e sentido. Isso exige conhecer as regras de colocação pronominal e identificar o fator que atrai o pronome para antes do verbo. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de gramática aplicada ao texto.
O texto e o trecho analisado
O texto trata do papel dos conselhos de fiscalização profissional. No trecho destacado, o autor afirma que os atos desses conselhos devem ter certos atributos “a fim de que se imponham restrições aos direitos individuais”. A oração introduzida por “a fim de que” é uma subordinada adverbial final, e a conjunção composta funciona como palavra atrativa que obriga a próclise.
A regra que decide a questão
Em português, o pronome oblíquo átono deve vir antes do verbo (próclise) quando há certas palavras que o atraem, entre elas as conjunções subordinativas (como “que”, “se”, “quando”, “embora”, “a fim de que”). Veja:
Próclise obrigatória: “a fim de que se imponham restrições” — a locução conjuntiva atrai o “se”.
Ênclise (posposição): “imponham-se” — só seria aceitável se não houvesse palavra atrativa, o que não ocorre aqui.
Portanto, a troca proposta viola a regra de colocação pronominal, tornando o período gramaticalmente incorreto. O sentido, em tese, seria mantido, mas a correção gramatical é prejudicada — e o item exige que ambos sejam preservados.
Análise da alternativa
Colocação pronominal
1Próclise (antes do verbo)
Palavra atrativa
Conjunção subordinativa
"a fim de que"
"que", "quando", "embora"
Advérbio
Pronome relativo
2Ênclise (depois do verbo)
Sem palavra atrativa
"imponham-se" no trecho
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Alternativa E — ❌ Errada ⟵ GABARITO
A afirmação do item é falsa. No trecho, “se imponham” está em próclise obrigatória porque a locução conjuntiva “a fim de que” atrai o pronome. Substituir por “imponham-se” (ênclise) quebraria a regra, gerando incorreção gramatical. O gabarito é a letra E.
PEGA ESSA DICA!
Ao julgar reescrituras com pronome átono, pergunte: há palavra atrativa antes do verbo? Se sim (conjunção subordinativa, advérbio, pronome relativo, etc.), a próclise é obrigatória — a ênclise estará errada.