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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001995
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO 2 - SP
Ano
2026
Cargo
Analista de Fiscalização
Conselhos de fiscalização profissional e proteção da sociedade

        As profissões são necessárias ao desenvolvimento de uma sociedade, razão pela qual a Constituição Federal aponta o valor social do trabalho e da livre iniciativa como um dos fundamentos da República. Elas têm repercussão social, por isso é necessário proteger a coletividade. É nesse contexto em que os conselhos de fiscalização profissional se destacam como entidades que regulamentam, normatizam e fiscalizam o exercício da profissão em prol da sociedade.

        Embora a Constituição Federal tenha outorgado à União a competência para legislar e fiscalizar o exercício profissional, em determinadas profissões essa função foi delegada aos denominados conselhos de fiscalização profissional. Como entidades não integrantes da administração pública, os conselhos de fiscalização profissional têm autonomia financeira e administrativa, não recebem subvenções ou repasses financeiros da União e tampouco estão submetidos à supervisão ministerial.

        Dada a sua natureza autárquica, os conselhos têm personalidade jurídica de direito público e se submetem aos ditames constitucionais. Os conselhos de fiscalização profissional, portanto, estão submetidos ao sistema de concurso público, são obrigados à realização de processo licitatório e seus atos são controlados e fiscalizados pelo TCU.

        Os conselhos de fiscalização profissional têm papel fundamental na proteção à saúde, à vida, ao bem‑estar, à segurança e à liberdade da população e só podem cumprir essas funções a partir de seu reconhecimento como pessoas jurídicas de direito público. Para o pleno exercício de suas funções, os atos emanados dos conselhos de fiscalização profissional devem ter discricionariedade, coercibilidade e autoexecutoriedade a fim de que se imponham restrições aos direitos individuais dos profissionais em favor dos interesses maiores da coletividade. Portanto, cabe à população e aos profissionais entender e defender o papel fundamental dos conselhos de fiscalização profissional na defesa dos interesses coletivos.


Internet: <cremers.org.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


A construção “É nesse contexto em que os conselhos de fiscalização profissional se destacam como entidades que regulamentam, normatizam e fiscalizam o exercício da profissão em prol da sociedade.” poderia ser reescrita, mantendo‑se a correção gramatical e o sentido original do período, da seguinte forma: Nesse contexto, destacam‑se os conselhos de fiscalização profissional, a cujas entidades competem regulamentar, normatizar e fiscalizar o exercício da profissão em favor da sociedade.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com pronome relativo: correção gramatical e sentido

Gabarito: E (Errado). A reescrita proposta não mantém a correção gramatical, pois o pronome relativo "cujas" exige que o termo que o segue seja um substantivo (possuidor), e não um verbo no infinitivo ("competem"). A construção "a cujas entidades competem regulamentar" é agramatical — o correto seria "às entidades das quais compete" ou "a entidades que têm a competência de". Além disso, a reescrita altera sutilmente o sentido, transformando uma caracterização ("entidades que regulamentam") em uma atribuição de competência ("entidades às quais compete").

O comando

A questão pede que se julgue se a reescrita apresentada mantém a correção gramatical e o sentido original do período. Isso exige dois testes simultâneos: (1) a nova redação deve estar de acordo com a norma culta — especialmente no que toca à regência do pronome relativo — e (2) deve preservar o conteúdo semântico do trecho original, sem acrescentar, suprimir ou inverter ideias.

O texto e o trecho original

No texto-base, o período original é:

"É nesse contexto em que os conselhos de fiscalização profissional se destacam como entidades que regulamentam, normatizam e fiscalizam o exercício da profissão em prol da sociedade."

Aqui, o pronome relativo "que" retoma "entidades" e exerce a função de sujeito da oração adjetiva: as entidades são as que regulamentam, normatizam e fiscalizam. O sentido é de caracterização — diz-se o que essas entidades fazem.

A técnica que decide: regência do pronome "cujo"

O pronome relativo "cujo" (e suas flexões "cuja", "cujos", "cujas") estabelece uma relação de posse entre o termo antecedente e o termo que o segue. A estrutura correta é:

"cujo" + substantivo (possuidor) + verbo

Exemplo: "A entidade cuja função é fiscalizar" — aqui, "função" é o substantivo possuído pela entidade.

Na reescrita proposta, temos "a cujas entidades competem regulamentar". O pronome "cujas" está seguido de "entidades" (substantivo), mas a construção "a cujas entidades" indica que "entidades" é o objeto indireto do verbo "competir" (quem compete, compete a alguém). O problema é que "competir" não pede um objeto indireto com posse — ele pede um sujeito (o que compete) e um complemento (a quem compete). A forma correta seria:

  • "entidades às quais compete regulamentar" (regência de "competir": compete a alguém fazer algo);

  • ou "entidades cuja competência é regulamentar" (posse: a competência das entidades).

A construção "a cujas entidades competem" é, portanto, agramatical: mistura a regência de "competir" (que pede "a") com a posse de "cujo" (que pede substantivo), gerando um cruzamento inválido.

Análise da reescrita

❌ ERRADO. A reescrita "Nesse contexto, destacam-se os conselhos de fiscalização profissional, a cujas entidades competem regulamentar, normatizar e fiscalizar o exercício da profissão em favor da sociedade" não mantém a correção gramatical.

Erro 1 — Regência do pronome relativo: "a cujas entidades competem" é uma construção agramatical. O pronome "cujo" exige que o termo seguinte seja um substantivo que funcione como possuidor do antecedente, e o verbo "competir" exige a preposição "a" + sujeito. A forma correta seria "entidades às quais compete" (regência de "competir") ou "entidades cuja competência é" (posse). A mistura das duas estruturas invalida a frase.

Erro 2 — Alteração de sentido: o original diz que os conselhos são entidades que regulamentam, normatizam e fiscalizam (caracterização direta). A reescrita diz que compete a essas entidades regulamentar, normatizar e fiscalizar (atribuição de competência). Embora semanticamente próximas, há uma nuance: a primeira afirma o que as entidades fazem; a segunda afirma o que lhes é atribuído. Essa mudança, ainda que sutil, não preserva integralmente o sentido original.

1Regra do pronome
Exige substantivo após si
Relação de posse
2Erro na reescrita
"a cujas entidades competem"
Cruzamento inválido de regências
3Formas corretas
"entidades às quais compete"
"entidades cuja competência é"
Reescrita com "cujo"
LEVELsoulevel.com.br
Reescrita com "cujo": Regra do pronome (Exige substantivo após si, Relação de posse); Erro na reescrita ("a cujas entidades competem", Cruzamento inválido de regências); Formas corretas ("entidades às quais compete", "entidades cuja competência é")
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a regência do pronome relativo "cujo", um dos pontos mais traiçoeiros da norma culta. O candidato, ao ver "a cujas entidades", pode achar que está correto por associar "competir" (que pede "a") com a posse de "cujo". Mas a regra é rígida: "cujo" sempre exige substantivo após si, e o verbo "competir" não aceita objeto indireto com posse.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever com pronome relativo, teste a regência do verbo da oração adjetiva. Pergunte: "quem compete, compete a quê?" — a resposta exige "a" + sujeito, não "cujo". Se o pronome "cujo" aparecer, o termo seguinte tem de ser substantivo.

Conclusão: a reescrita falha por dois motivos: (1) a construção "a cujas entidades competem" é agramatical (viola a regência de "cujo" e de "competir"); (2) há uma alteração sutil de sentido (de caracterização para atribuição de competência). Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: E (Errado).

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