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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsSintaxe
Código
gp002009
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEBRAE-NACIONAL
Ano
2026
Cargo
Analista Técnico I - Projetos

    Texto CG1A1


    Onde não houver alimento, não haverá paz. Essa afirmação, simples e poderosa, carrega uma sabedoria ancestral: a agricultura sustenta vidas, estrutura territórios, garante estabilidade política, social e econômica e molda o destino das nações. Quando a produção agrícola prospera, comunidades florescem, mercados se fortalecem e sociedades avançam. Quando falha, a fome se instala, conflitos emergem e as estruturas sociais se fragilizam.



    Em um mundo marcado por transformações aceleradas — crises climáticas, pressões energéticas e desigualdades persistentes —, a agricultura permanece no centro do debate global não apenas por alimentar bilhões de pessoas, mas por conectar, de forma indissociável, o que produzimos e consumimos, a energia que utilizamos e as condições climáticas que moldam nosso cotidiano.



    Garantir segurança alimentar para uma população que ultrapassará 9,7 bilhões de pessoas até 2050 exige produzir mais e melhor, de forma sustentável, resiliente e inclusiva. Acelerar a transição energética tornou-se imperativo diante da necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar emissões. Enfrentar as mudanças climáticas requer ações integradas de adaptação e mitigação, capazes de proteger sistemas produtivos e ecossistemas naturais. Reduzir desigualdades sociais implica democratizar o acesso a oportunidades, tecnologias e mercados — sobretudo no meio rural, onde milhões de agricultores familiares e comunidades tradicionais ainda enfrentam vulnerabilidades estruturais.



    Esses desafios não podem ser tratados isoladamente. Segurança alimentar, transição energética, ação climática e justiça social são agendas interdependentes: nenhuma avança sem as demais. Sistemas alimentares resilientes são essenciais para mitigar emissões; energia limpa é indispensável para sustentar a produção agrícola; inclusão social é condição para o progresso das pessoas e ampliação da adoção de tecnologias e práticas sustentáveis. Quando articuladas, essas agendas convertem avanços setoriais em ganhos sistêmicos e fortalecem a resiliência global.



    Nesse contexto de interdependências, os trópicos ocupam posição estratégica. O cinturão tropical, que abrange as Américas, a África e a Ásia, concentra cerca de 40% das terras aráveis e 52% da água doce do planeta, distribuídas em regiões de cerrados, savanas e florestas tropicais, uma heterogeneidade que reflete a variedade de condições ecológicas e desafios produtivos dessa faixa do planeta.



    A riqueza natural confere aos países tropicais um potencial produtivo extraordinário, capaz de alimentar populações locais e contribuir decisivamente para a segurança alimentar global. Ao mesmo tempo, essas mesmas regiões enfrentam elevada vulnerabilidade climática. Secas prolongadas, chuvas irregulares, ondas de calor, enchentes e a intensificação de pragas e doenças ameaçam safras, reduzem produtividade e ampliam a insegurança alimentar em escala regional. Transformar essa combinação de riqueza e vulnerabilidade em prosperidade duradoura exige ciência aplicada, cooperação internacional e políticas públicas consistentes. Exige, sobretudo, reconhecer que a agricultura tropical não é parte do problema, mas parte essencial da solução. Práticas como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a recuperação de pastagens degradadas, o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, o uso de bioinsumos, a produção de bioenergia e o reaproveitamento de coprodutos e resíduos em processos de circularidade comprovam que é possível conciliar produtividade, conservação ambiental e mitigação de emissões. 



Internet: (com adaptações). 

No final do terceiro parágrafo do texto CG1A1, o segmento“onde milhões de agricultores familiares e comunidadestradicionais ainda enfrentam vulnerabilidades estruturais”funciona sintaticamente como
  1. Acomplemento nominal.
  2. Boração adjetiva explicativa.
  3. Cadjunto adverbial.
  4. Doração coordenada explicativa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — oração adjetiva explicativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática do segmento “onde milhões de agricultores familiares…”

Gabarito: letra B. O segmento “onde milhões de agricultores familiares e comunidades tradicionais ainda enfrentam vulnerabilidades estruturais” é uma oração adjetiva explicativa, pois é introduzido pelo pronome relativo “onde” e vem entre vírgulas, acrescentando uma informação acessória sobre “meio rural”, sem restringi-lo. Como se lê no terceiro parágrafo: “Reduzir desigualdades sociais implica democratizar o acesso a oportunidades, tecnologias e mercados — sobretudo no meio rural, onde milhões de agricultores familiares e comunidades tradicionais ainda enfrentam vulnerabilidades estruturais.”

A chave da questão é reconhecer que o “onde” retoma “meio rural” e introduz uma oração que caracteriza esse nome, funcionando como um adjetivo. A presença das vírgulas é o sinal clássico de que se trata de uma explicativa (e não restritiva). Vamos analisar cada alternativa.

O que é uma oração adjetiva?

Oração adjetiva é aquela que exerce a função de adjunto adnominal de um termo da oração principal, ou seja, caracteriza um substantivo (ou pronome) como faria um adjetivo. Ela é introduzida por um pronome relativo (que, o qual, cujo, onde, quem, quanto). No trecho, o pronome relativo é “onde”, que retoma “meio rural” e equivale a “no qual”.

As orações adjetivas dividem-se em:

  • Restritivas: restringem o sentido do antecedente, individualizando-o. Não são separadas por vírgulas. Ex.: “O aluno que estuda passa.” (só o aluno que estuda).

  • Explicativas: acrescentam uma informação acessória, sem restringir. São separadas por vírgulas. Ex.: “O aluno, que estuda, passa.” (todos os alunos, e acrescenta-se que estudam).

No texto, o segmento está entre vírgulas e traz uma informação adicional sobre o “meio rural”, sem delimitá-lo — logo, é explicativa.

1Introduzida por pronome relativo
que, o qual, cujo, onde
2Função: caracteriza substantivo
3Restritiva
Sem vírgulas
Restringe o sentido
4Explicativa
Com vírgulas
Informação acessória
Oração adjetiva
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Oração adjetiva: Introduzida por pronome relativo (que, o qual, cujo, onde); Função: caracteriza substantivo; Restritiva (Sem vírgulas, Restringe o sentido); Explicativa (Com vírgulas, Informação acessória)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Complemento nominal é um termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) por meio de preposição, com valor passivo ou de alvo. Ex.: “A certeza de que vou passar me alivia.” No segmento, não há um nome que exija complemento; o “onde” é pronome relativo, não preposição. A oração não completa um nome, mas caracteriza “meio rural”. Portanto, não é complemento nominal.

Alternativa B — ✅ Correta

Como visto, o segmento é uma oração adjetiva explicativa: introduzida pelo pronome relativo “onde”, retoma “meio rural” e está entre vírgulas, acrescentando uma informação acessória. A função é de adjunto adnominal oracional, ou seja, caracteriza o nome. A presença das vírgulas é o que a torna explicativa e não restritiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Adjunto adverbial é um termo que indica circunstância (tempo, lugar, modo, causa etc.) e modifica o verbo, o adjetivo ou o advérbio. No segmento, a oração não expressa circunstância; ela caracteriza um substantivo (“meio rural”). O “onde” não é advérbio interrogativo, mas pronome relativo. Portanto, não é adjunto adverbial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Oração coordenada explicativa é aquela ligada por conjunção explicativa (pois, porque, que) e expressa uma justificativa. No segmento, não há conjunção explicativa; o “onde” é pronome relativo, e a oração é subordinada (depende da principal). Além disso, a vírgula não indica coordenação, mas a marca da adjetiva explicativa. Portanto, não é coordenada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre oração adjetiva (introduzida por pronome relativo) e oração coordenada explicativa (introduzida por conjunção). A vírgula pode enganar, mas o conectivo é o que decide: “onde” é relativo, não conjunção.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar oração adjetiva, troque o “onde” por “no qual” e veja se a oração caracteriza um nome. Se estiver entre vírgulas, é explicativa; sem vírgulas, restritiva.

Gabarito: letra B.

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