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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp002211
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Área: Psicologia
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


    O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

    Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

    Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

    Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

    Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

    Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

    Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

    Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

    Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.
Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém

A frase acima conservará seu sentido e sua correção caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por
  1. AMesmo que me perguntem - conquanto pouco lhes dirá
  2. BAinda que perguntem - a fim de não lhes dar satisfação
  3. CCaso me perguntem - porquanto a ninguém diz respeito
  4. DUma vez ao perguntarem - desde que a ninguém lhe compete
  5. EDado que me perguntem - em vista de não o interessar
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Caso me perguntem - porquanto a ninguém diz respeito

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de conectivos mantendo sentido

Gabarito: letra C. A opção C preserva tanto o sentido condicional de "Se" com "Caso" quanto o sentido causal de "porque" com "porquanto", mantendo a correção gramatical e o significado original: "Se me perguntam, não respondo, porque não é da conta de ninguém".

A frase original estabelece uma condição ("se me perguntam") e uma causa ("porque não é da conta de ninguém"). A substituição deve manter essas relações lógicas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Mesmo que" expressa concessão ("mesmo que perguntem"), não condição. "Conquanto" também é concessivo, e não causal. Altera o sentido: em vez de condição + causa, passa a ser concessão + concessão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Ainda que" também é concessivo. "A fim de" expressa finalidade, não causa. Portanto, troca a relação de causa por finalidade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Caso" é conjunção condicional, equivalente a "se". "Porquanto" é conjunção causal, equivalente a "porque". A expressão "a ninguém diz respeito" é paráfrase de "não é da conta de ninguém". Mantém sentido e correção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Uma vez ao perguntarem" tem valor temporal, não condicional. "Desde que" pode ser condicional, mas o trecho "a ninguém lhe compete" apresenta erro de regência (o verbo competir, no sentido de "ser da conta de", rege preposição "a" e exige sujeito, não objeto indireto). Além disso, quebra a relação causa-efeito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Dado que" é causal, não condicional (inverte a relação: a causa vira condição?). A segunda parte "em vista de não o interessar" muda o sentido: o original diz que não é da conta de ninguém; aqui diz que não interessa a ele (terceira pessoa), o que não corresponde ao texto.

PEGA ESSA DICA!

Para substituições, identifique a relação lógica do conectivo original (condição, causa, concessão, etc.) e veja se o novo conectivo mantém exatamente essa relação.

Gabarito: letra C.

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