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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2026

PortuguêsSintaxe
Código
gp002218
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Área: Psicologia
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm. 

    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões. 


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura.

Sem prejuízo para o sentido do período acima, a oração sublinhada pode ser substituída por esta:
  1. Aidealizando-se pelo confronto literário.
  2. Bgraças à idealização de sua literatura.
  3. Csendo forçoso que venha a idealizar a literatura.
  4. Dpor força da literatura por ele idealizado.
  5. Epela determinação da literatura que o idealiza.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — pela determinação da literatura que o idealiza.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de oração sem alteração de sentido

Gabarito: letra E. A única alternativa que preserva o sentido original é a E, pois mantém a literatura como agente que idealiza o amor, e a causa expressa por “à força de” é parafraseada por “pela determinação de”. A passagem original do texto confirma: “o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura”.

“o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura.”

A oração sublinhada indica que a idealização feita pela literatura é a causa da relevância do amor. A alternativa E reescreve essa causa como “pela determinação da literatura que o idealiza”, em que “determinação” equivale a “força” (no sentido de “ação determinante”) e “que o idealiza” mantém a literatura como sujeito da ação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“idealizando-se pelo confronto literário” – introduz o termo “confronto” (inexistente no original) e inverte a voz verbal: em vez de o amor ser idealizado (passiva), a expressão “idealizando-se” indica ação reflexiva (o amor idealiza a si mesmo). Erro: troca de agente/paciente e acréscimo de informação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“graças à idealização de sua literatura” – o possessivo “sua” sugere que a literatura pertence ao amor, o que não está no texto. Além disso, “de sua literatura” indica que o amor idealiza a literatura (ou que a literatura é idealizada por algo), invertendo a relação. Erro: inversão de sentido e ambiguidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“sendo forçoso que venha a idealizar a literatura” – aqui o amor passa a ser sujeito que idealiza a literatura, e a expressão “forçoso” (obrigatório) não equivale a “à força de” (causa repetida). Erro: troca de agente e alteração do valor causal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“por força da literatura por ele idealizado” – “por ele” refere-se ao amor (ou a um termo anterior), indicando que o amor idealiza a literatura, o que contradiz o texto. Ainda, “idealizado” concorda com “literatura” (feminino), mas o particípio está no masculino? Na verdade, “idealizado” no masculino singular não concorda com “literatura” (falsa concordância). Erro: inversão de sentido e problema de concordância.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“pela determinação da literatura que o idealiza” – reproduz fielmente a relação: a literatura (sujeito de “idealiza”) idealiza o amor (“o”) e essa ação é a causa (“pela determinação”). “Determinação” pode ser lida como “força determinante”, mantendo o matiz causal. Nenhuma informação é acrescentada ou suprimida; a paráfrase é equivalente.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra E

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