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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2026

PortuguêsSintaxe
Código
gp002221
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Área: Psicologia
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Palavras de amor


    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.

    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiam, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autoinduzidas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos que, se não procuram sarna para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adoram coçar as sarnas que têm. 

    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que eu goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa amada e com as declarações hiperbólicas do meu sentimento.

    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto dos meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.

    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo "Declaro a guerra": essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões. 


(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)
A forma verbal no plural é rigorosamente justificável em:
  1. ACostumam derivar das declarações de amor exagerados o efeito colateral da intensificação real de uma paixão.
  2. BAtribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes de uma declaração de amor românticа.
  3. CA progressão das coceiras em picadas de mosquitos devem-se à nosso própria insistência em coçar.
  4. DNão nos cabem tratar nossos sentimentos como picadas de mosquitos que tanto estimamos coçarem.
  5. ENão satisfazem as condições básicas de um amor verdadeiro o talento natural de declará-lo com bom estilo.
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GabaritoB — Atribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes de uma declaração de amor românticа.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: plural justificado

Gabarito: letra B. A única alternativa em que a forma verbal no plural é rigorosamente justificável por concordar corretamente com o sujeito (os hábitos persistentes) é a B. Nas demais, o verbo está no plural, mas o sujeito é singular, configurando erro de concordância.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Costumam derivar das declarações de amor exagerados o efeito colateral da intensificação real de uma paixão."

O sujeito é o efeito colateral (singular). O verbo deveria estar no singular ("costuma"). O plural é injustificado — erro de concordância (troca_conceito).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Atribuem-se à idealização da literatura os hábitos persistentes de uma declaração de amor romântica."

O sujeito é os hábitos persistentes (plural). O verbo "atribuem-se" (plural) concorda perfeitamente. Mesmo com a partícula "se" (passiva sintética), a concordância se dá com o paciente, que é plural. Plural justificado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A progressão das coceiras em picadas de mosquitos devem-se à nossa própria insistência em coçar."

O sujeito é a progressão (singular). O verbo deveria ser "deve-se". O plural "devem-se" é erro de concordância (troca_conceito).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Não nos cabem tratar nossos sentimentos como picadas de mosquitos que tanto estimamos coçarem."

O sujeito da oração é a oração infinitiva "tratar nossos sentimentos...", que tem valor singular. O verbo correto seria "cabe" (singular). "Cabem" é plural injustificado (troca_conceito).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não satisfazem as condições básicas de um amor verdadeiro o talento natural de declará-lo com bom estilo."

O sujeito é o talento natural (singular). O verbo deveria ser "satisfaz". O plural "satisfazem" é erro de concordância (troca_conceito).

Conclusão: Apenas a alternativa B apresenta plural correto e justificado pela gramática. As demais têm verbo plural com sujeito singular.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, identifique primeiro o núcleo do sujeito, desprezando os adjuntos preposicionados. Depois, verifique se o verbo está flexionado de acordo.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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