Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
gp002643
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO - 9ª Região
Ano
2026
Cargo
Fonoaudiólogo(a)/Fiscal
Texto para os itens de 9 a 16.
A formação do fonoaudiólogo frente às novas
tecnologias: desafios e oportunidades
A transformação digital tem redefinido práticas,
processos e paradigmas em diversas especialidades,
criando um novo cenário de possibilidades e desafios para
profissionais e instituições de ensino. Na fonoaudiologia,
a tecnologia também tem avançado, oferecendo novas
ferramentas e possibilidades de intervenção.
As inovações tecnológicas têm o potencial
de ampliar significativamente o acesso ao cuidado
fonoaudiológico. A teleaudiologia, por exemplo, representa
uma mudança paradigmática ao possibilitar o atendimento
a pacientes em regiões remotas ou com dificuldades de
deslocamento. Essa modalidade de atendimento não
apenas amplia o alcance do serviço, mas também promove
maior equidade no acesso à saúde.
Por outro lado, essa rápida evolução tecnológica
também traz desafios significativos para a formação
profissional. A formação do fonoaudiólogo precisa
acompanhar esse ritmo acelerado de mudanças, garantindo
que os estudantes desenvolvam não apenas competências
tecnológicas, mas também as habilidades éticas e humanas
necessárias para atuar com segurança e efetividade nesse
novo cenário digital.
O uso de tecnologias na saúde exige uma
reflexão ética aprofundada. Os futuros fonoaudiólogos
devem compreender questões complexas relacionadas
à privacidade, à confidencialidade, ao consentimento
informado e ao uso responsável de dados. É fundamental
que os profissionais compreendam as implicações legais e
éticas do uso dessas tecnologias, garantindo que a inovação
não comprometa a segurança e privacidade dos pacientes.
Apesar do avanço tecnológico impressionante, é
crucial reconhecer que habilidades humanas continuam
essenciais e insubstituíveis na prática fonoaudiológica.
A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta que
potencializa e complementa essas habilidades, e nunca
como um substituto para o cuidado humano.
A formação do fonoaudiólogo, diante das novas
tecnologias, representa tanto um desafio quanto uma
oportunidade extraordinária. O caminho à frente exige
adaptação contínua, investimento em recursos e uma
visão clara de que a tecnologia deve servir ao propósito
maior da fonoaudiologia: melhorar a qualidade de vida
das pessoas por meio do cuidado especializado com a
comunicação humana.
Internet: (com adaptações)
No que diz respeito ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item seguinte.A partir do fragmento “A tecnologia deve servista como uma ferramenta que potencializa ecomplementa essas habilidades, e nunca como umsubstituto para o cuidado humano”, depreende‑seque, no atual cenário, as “habilidades humanas”mencionadas dependem da tecnologia para existiremna prática fonoaudiológica.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Errado
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Inferência e extrapolação: a tecnologia não cria as habilidades humanas
Gabarito: ERRADO. A assertiva extrapola o texto ao afirmar que as habilidades humanas "dependem da tecnologia para existirem". O texto diz exatamente o contrário: a tecnologia potencializa e complementa essas habilidades, e nunca as substitui — logo, elas existem independentemente dela. A passagem que decide é:
"A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta que potencializa e complementa essas habilidades, e nunca como um substituto para o cuidado humano."
O verbo "potencializar" pressupõe que a habilidade já existe e é ampliada; "complementar" pressupõe que ela é acrescida de algo, não criada. Se a tecnologia fosse condição de existência, o texto diria "cria" ou "possibilita", e não "potencializa e complementa".
O comando: "depreende-se" pede inferência com pista
O verbo "depreende-se" indica que a banca quer uma inferência — uma conclusão que o texto obriga a tirar, não uma suposição livre. A inferência legítima se ancora em pressupostos deixados pelo próprio texto. Aqui, a pista é o par "potencializa e complementa": ambos os verbos pressupõem que as habilidades humanas já existem e são anteriores à tecnologia. A assertiva, ao dizer que elas "dependem da tecnologia para existirem", inverte essa relação de dependência — é uma extrapolação, pois acrescenta uma ideia que o texto não autoriza.
A técnica: teste a relação de dependência
Pergunte: o texto diz que a tecnologia é condição necessária para as habilidades humanas? Não. Ele diz que a tecnologia é uma ferramenta que as potencializa (aumenta o alcance) e as complementa (adiciona algo). Uma ferramenta pressupõe algo que ela opera — se não houvesse habilidade prévia, não haveria o que potencializar. Além disso, o parágrafo anterior reforça:
"Apesar do avanço tecnológico impressionante, é crucial reconhecer que habilidades humanas continuam essenciais e insubstituíveis na prática fonoaudiológica."
"Continuam essenciais" significa que elas permanecem — existiam antes e continuam existindo. Se dependessem da tecnologia, não seriam "insubstituíveis"; seriam substituíveis por ela. A assertiva contradiz frontalmente essa passagem.
A armadilha da banca
A banca inverte a relação de complementaridade: o texto diz que a tecnologia complementa as habilidades humanas; a assertiva diz que as habilidades dependem da tecnologia. É uma troca de vocábulo que muda o sentido: "complementar" (adicionar a algo que já existe) virou "depender para existir" (condição de existência).
Relação tecnologia × habilidades humanas: Texto afirma (Tecnologia potencializa, Tecnologia complementa, Habilidades são insubstituíveis); Assertiva afirma (Habilidades dependem da tecnologia); Conclusão (Assertiva extrapola o texto, Inverte a relação de complementaridade)
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a relação de complementaridade por uma de dependência. O texto diz que a tecnologia potencializa e complementa as habilidades; a assertiva diz que elas dependem da tecnologia para existir. Desconfie de verbos que invertem a direção da relação.
Conclusão
A assertiva está ERRADA porque extrapola o texto: atribui às habilidades humanas uma dependência da tecnologia que o texto nega explicitamente. A regra de ouro: inferência legítima se ancora em pista do texto; extrapolação acrescenta ideia de fora. Aqui, a pista ("potencializa e complementa") aponta para a independência das habilidades, não para a dependência.