A formação do fonoaudiólogo frente às novas
tecnologias: desafios e oportunidades
A transformação digital tem redefinido práticas,
processos e paradigmas em diversas especialidades,
criando um novo cenário de possibilidades e desafios para
profissionais e instituições de ensino. Na fonoaudiologia,
a tecnologia também tem avançado, oferecendo novas
ferramentas e possibilidades de intervenção.
As inovações tecnológicas têm o potencial
de ampliar significativamente o acesso ao cuidado
fonoaudiológico. A teleaudiologia, por exemplo, representa
uma mudança paradigmática ao possibilitar o atendimento
a pacientes em regiões remotas ou com dificuldades de
deslocamento. Essa modalidade de atendimento não
apenas amplia o alcance do serviço, mas também promove
maior equidade no acesso à saúde.
Por outro lado, essa rápida evolução tecnológica
também traz desafios significativos para a formação
profissional. A formação do fonoaudiólogo precisa
acompanhar esse ritmo acelerado de mudanças, garantindo
que os estudantes desenvolvam não apenas competências
tecnológicas, mas também as habilidades éticas e humanas
necessárias para atuar com segurança e efetividade nesse
novo cenário digital.
O uso de tecnologias na saúde exige uma
reflexão ética aprofundada. Os futuros fonoaudiólogos
devem compreender questões complexas relacionadas
à privacidade, à confidencialidade, ao consentimento
informado e ao uso responsável de dados. É fundamental
que os profissionais compreendam as implicações legais e
éticas do uso dessas tecnologias, garantindo que a inovação
não comprometa a segurança e privacidade dos pacientes.
Apesar do avanço tecnológico impressionante, é
crucial reconhecer que habilidades humanas continuam
essenciais e insubstituíveis na prática fonoaudiológica.
A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta que
potencializa e complementa essas habilidades, e nunca
como um substituto para o cuidado humano.
A formação do fonoaudiólogo, diante das novas
tecnologias, representa tanto um desafio quanto uma
oportunidade extraordinária. O caminho à frente exige
adaptação contínua, investimento em recursos e uma
visão clara de que a tecnologia deve servir ao propósito
maior da fonoaudiologia: melhorar a qualidade de vida
das pessoas por meio do cuidado especializado com a
comunicação humana.
Internet: (com adaptações)
No que diz respeito ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item seguinte.Em “garantindo que os estudantes desenvolvam nãoapenas competências tecnológicas, mas tambémas habilidades éticas e humanas necessárias paraatuar com segurança e efetividade nesse novocenário digital”, os conectivos “não apenas” e “mastambém” estabelecem relação de alternância entre oselementos por eles coordenados.
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GabaritoE — Errado
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Conectivos “não apenas” e “mas também”: adição, não alternância
Gabarito: ERRADO (E). Os conectivos “não apenas” e “mas também” estabelecem relação de adição (soma de ideias), e não de alternância (escolha entre opções). A banca trocou o valor semântico do par correlativo, que é clássico das conjunções aditivas.
O comando
A questão pede que você julgue a afirmação sobre o valor semântico dos conectivos no trecho. Isso é uma tarefa de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer a relação de sentido que a conjunção estabelece entre os elementos coordenados. O verbo “estabelecem” indica que você deve identificar a função sintático-semântica do conectivo.
O texto e o trecho
No trecho citado, o autor defende que a formação do fonoaudiólogo deve desenvolver dois tipos de competência: as tecnológicas e as ético-humanas. Veja o trecho:
“garantindo que os estudantes desenvolvam não apenas competências tecnológicas, mas também as habilidades éticas e humanas necessárias para atuar com segurança e efetividade nesse novo cenário digital”
A estrutura “não apenas X, mas também Y” é uma conjunção correlativa aditiva: ela soma X e Y, indicando que ambos são necessários. Não há ideia de alternância (ou X ou Y), pois o texto não apresenta escolha entre as competências — pelo contrário, exige as duas.
A técnica que decide
As conjunções coordenativas dividem-se em cinco valores: aditivas (soma), adversativas (oposição), alternativas (escolha), conclusivas (conclusão) e explicativas (explicação). O par “não apenas... mas também” é sempre aditivo, assim como “não só... como também”, “tanto... quanto”, “nem... nem”. Já as alternativas são “ou... ou”, “ora... ora”, “quer... quer”, “seja... seja” — que expressam exclusão ou alternância.
A pegadinha da banca está em trocar o valor semântico: ela chama de “alternância” o que é adição. Para não cair, memorize os pares correlativos e seu valor:
Conectivo
Valor
Exemplo
não apenas... mas também
aditivo
Estudo não apenas português, mas também matemática.
ou... ou
alternativo
Ou estudo, ou trabalho.
ora... ora
alternativo
Ora chora, ora ri.
Análise do item
O item afirma que os conectivos estabelecem relação de alternância. Isso é falso: a relação é de adição. O trecho “não apenas competências tecnológicas, mas também as habilidades éticas e humanas” soma as duas competências, não as coloca em escolha. Portanto, o item está errado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o valor semântico do conectivo. “Não apenas... mas também” é aditivo, não alternativo. Fique atento aos pares correlativos.
PEGA ESSA DICA!
Decore os pares: aditivos (não só... mas também, tanto... quanto), alternativos (ou... ou, ora... ora). Se houver ideia de soma, é adição; se houver escolha, é alternância.