ESG na saúde: o imperativo da
governança e sustentabilidade
A interseção entre preservação ambiental,
bem‑estar coletivo e diretrizes corporativas rigorosas
representa uma fronteira vital para a medicina
contemporânea. Historicamente, as instituições de cuidado
focavam exclusivamente na resolução de patologias
imediatas. Atualmente, o ecossistema médico compreende
que a pegada de carbono e a gestão de resíduos de
grandes centros de saúde atuam diretamente sobre os
determinantes que afetam a saúde populacional. Trata‑se
de uma mudança estrutural profunda, em que o cuidado
transcende os limites físicos do leito hospitalar para
abraçar a responsabilidade sobre o ambiente onde os
pacientes habitam.
Nesse cenário de transformação, a adoção de
critérios de sustentabilidade e responsabilidade corporativa
deixa de ser uma mera formalidade administrativa para
se tornar um pilar da qualidade assistencial. Portanto,
alinhar as práticas clínicas aos parâmetros globais
de desenvolvimento tornou‑se um imperativo ético
e operacional.
No âmbito das relações interpessoais e
comunitárias, o componente social exige que as instituições
de saúde promovam um ambiente de cuidado equitativo e
inclusivo. O olhar social também se volta rigorosamente ao
corpo clínico e assistencial.
A governança, dentro das estruturas de saúde,
funciona como o sistema nervoso central que coordena a
ética, a conformidade legal e a transparência institucional.
A proteção rigorosa dos dados sensíveis dos pacientes,
em consonância com as legislações de privacidade
contemporâneas, também repousa sobre diretrizes de
governança cibernética sólidas.
O progresso das iniciativas de responsabilidade
sistêmica só pode ser validado por meio de métricas
precisas e transparentes que correlacionem ações de
gestão com desfechos em saúde. O conceito de saúde
baseada em valor dialoga com esses preceitos, pois ambos
buscam maximizar o benefício ao paciente.
Integrar painéis de monitoramento de
sustentabilidade aos relatórios diários de performance
clínica permite que a instituição reaja rapidamente a
desvios de padrão. Portanto, a qualidade da assistência é
indissociável da forma responsável e transparente com a
qual a organização conduz seus processos operacionais.
Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.
No fragmento “a qualidade da assistência é
indissociável da forma responsável e transparente
com a qual a organização conduz seus processos
operacionais”, seria correto substituir “com a qual”
por à qual, mantendo a regência e o sentido original
do período.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Regência e pronome relativo: por que “com a qual” não vira “à qual”
Gabarito: E (Errado). A substituição de “com a qual” por “à qual” não preserva a regência nem o sentido do período, porque o verbo “conduz” rege a preposição com — quem conduz, conduz com algo — e não a preposição a. A passagem que ancora a análise é a do último parágrafo: “a qualidade da assistência é indissociável da forma responsável e transparente com a qual a organização conduz seus processos operacionais”. Trocar por “à qual” quebraria a regência e tornaria a frase agramatical.
O comando é de reescritura sem alteração de sentido: o candidato deve verificar se a troca de um pronome relativo (com a qual → à qual) mantém a correção gramatical e o significado original. Esse tipo de questão exige domínio de regência nominal e verbal, além da identificação do referente do pronome relativo. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise sintático-semântica de um fragmento específico.
No trecho, o pronome relativo “a qual” retoma o substantivo “forma” (forma responsável e transparente). A preposição que o antecede é exigida pela regência do verbo “conduz”: quem conduz, conduz com algo (conduz com responsabilidade, com transparência). Portanto, a forma correta é “com a qual”. Se trocássemos por “à qual”, estaríamos usando a preposição “a”, que não é exigida por “conduz” — a frase ficaria agramatical: “a forma à qual a organização conduz” não faz sentido, pois não se conduz “a” algo, mas “com” algo.
A regência é a relação de dependência entre um termo (verbo ou nome) e seu complemento. No caso, o verbo “conduzir” é transitivo indireto quando significa “guiar, dirigir”, exigindo a preposição “com” para indicar o meio ou a maneira: “conduzir com cuidado”, “conduzir com transparência”. A preposição “a” seria exigida por verbos como “assistir” (no sentido de caber), “obedecer”, “responder”, entre outros. Como o verbo do trecho é “conduz”, a preposição correta é “com”.
A pegadinha da banca está em oferecer uma troca que parece plausível — “à qual” é uma forma comum de pronome relativo — mas que não respeita a regência do verbo. O candidato que não identifica o verbo “conduz” e sua regência acaba aceitando a troca. A dica é: sempre identifique o verbo da oração adjetiva e verifique qual preposição ele exige antes de aceitar qualquer substituição do pronome relativo.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever frases com pronomes relativos, pergunte: “qual é o verbo da oração adjetiva e qual preposição ele rege?”. Se o verbo pede “com”, use “com o qual/a qual”; se pede “a”, use “ao qual/à qual”.
Regência do verbo conduzir
1Quem conduz, conduz COM algo
"com a qual" (correto)
"à qual" (agramatical)
2Preposição "a" é de outros verbos
Assistir (caber)
Obedecer
Responder
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Alternativa E — ❌ Errada ⟵ GABARITO
A assertiva afirma que seria correto substituir “com a qual” por “à qual”, mantendo a regência e o sentido. Isso é falso. O verbo “conduz” exige a preposição “com”, como se vê no trecho: “a organização conduz seus processos operacionais com a forma responsável e transparente”. A forma “à qual” introduziria a preposição “a”, que não é regida por “conduz”. Portanto, a substituição alteraria a regência e tornaria o período incorreto. O item está errado.
Conclusão: A questão testa a habilidade de reconhecer a regência verbal antes de aceitar uma reescrita. A resposta correta é E (Errado), pois a troca de “com a qual” por “à qual” não preserva a regência do verbo “conduzir”.