V - - Médico - Área de Atuação: Medicina do Trabalho
Descobri a América Latina em Paris, nos anos sessenta. Até então, eu era um jovem peruano que, além de ler os
escritores do meu próprio país, lia quase exclusivamente
escritores norte-americanos e europeus. Com exceção de
algumas celebridades, como Pablo Neruda, não conhecia
nenhum outro escritor hispano-americano e jamais pensava
na América Latina, naquela época, como uma comunidade
cultural, e sim como um arquipélago de países muito pouco
relacionados entre si.
Que ela era algo muito diferente disso, aprendi em Paris,
cidade que, nos anos sessenta, transformou-se na capital da
literatura latino-americana. Com efeito, a maioria dos escritores mais importantes dessa região do mundo tinha vivido em
Paris, ou passado por essa cidade, e os que não o faziam, de
todo modo acabavam sendo descobertos, traduzidos e divulgados na França, graças ao que a América Latina reconhecia
e começava a ler os seus próprios escritores.
Os anos sessenta foram exultantes. A América Latina
passou a estar no centro da atualidade graças à Revolução
Cubana, às guerrilhas e aos mitos e ficções que estas puseram em circulação. Ao mesmo tempo, descobriu-se a existência da literatura latino-americana ‒ uma literatura nova,
rica, pujante e inventiva, que experimentava novas maneiras
de contar histórias e almejava libertar a linguagem narrativa
tradicional.
O meu descobrimento da América Latina, naqueles anos,
levou-me a ler seus poetas, historiadores e romancistas, a
me interessar pelo seu passado e seu presente, a viajar por
todos os seus países e a viver os seus problemas e suas
lutas políticas como se fossem meus. Desde então, comecei
a me sentir, acima de tudo, um latino-americano. Continuei a
sê-lo no decurso de todos esses anos e assim será nos anos
que ainda me restam.
(Mario Vargas Llosa. Saberes e utopias, 2009. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a expressão destacadapode ser substituída pela palavra apresentada, sem prejuízo à norma-padrão de concordância verbal.
A“... a maioria dos escritores mais importantes dessa
região do mundo tinha vivido em Paris...” (2º parágrafo) ‒ tinham
B“... uma literatura nova, rica, pujante e inventiva, que
experimentava novas maneiras de contar histórias...” (3º parágrafo) ‒ experimentavam
C“O meu descobrimento da América Latina, naqueles
anos, levou-me a ler seus poetas, historiadores...”
(4º parágrafo) ‒ levaram-me
D“... viajar por todos os seus países e a viver os seus
problemas e suas lutas políticas como se fossem
meus.” (4º parágrafo) ‒ fosse
E“Continuei a sê-lo no decurso de todos esses anos
e assim será nos anos que ainda me restam.”
(4º parágrafo) ‒ resta
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — “... a maioria dos escritores mais importantes dessa
região do mundo tinha vivido em Paris...” (2º parágrafo) ‒ tinham
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Concordância verbal: a correta é a letra A
Gabarito: letra A. A substituição de "tinha" por "tinham" é válida porque, com expressões partitivas como "a maioria de", o verbo pode concordar com o núcleo ("maioria") ou com o termo que o segue ("escritores"). A norma-padrão aceita ambas as formas, como se lê no 2º parágrafo: "a maioria dos escritores mais importantes dessa região do mundo tinha vivido em Paris". As demais alternativas violam a concordância obrigatória com o núcleo do sujeito.
A questão pede que você identifique em qual trecho a troca do verbo não prejudica a norma-padrão de concordância verbal. Isso significa que a forma original e a forma proposta devem ser ambas aceitas pela gramática normativa — não basta que a troca "soe bem". Vamos analisar cada caso com a regra que decide.
Concordância verbal
1Partitiva (maioria de, parte de)
Singular (núcleo: "maioria")
Plural (especificador: "escritores")
2Pronome relativo "que"
Verbo concorda com o antecedente
3Sujeito composto
Verbo no plural
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No trecho "a maioria dos escritores mais importantes dessa região do mundo tinha vivido em Paris", o sujeito é uma expressão partitiva ("a maioria de"). A regra: com partitivas (maioria, parte, metade, grande número), o verbo pode concordar com o núcleo ("maioria" → singular) ou com o termo que o segue ("escritores" → plural). Portanto, "tinham vivido" é igualmente correto. A banca explora exatamente essa dupla possibilidade.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver "a maioria de", "parte de", "metade de", lembre: o verbo pode ficar no singular (concordando com o núcleo) ou no plural (concordando com o especificador). As duas formas são aceitas pela norma culta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
No trecho "uma literatura nova, rica, pujante e inventiva, que experimentava novas maneiras de contar histórias", o pronome relativo que retoma "literatura" (singular). O verbo deve concordar com o antecedente do pronome: "a literatura... que experimentava". Trocar para "experimentavam" quebraria a concordância, pois o sujeito é singular. Erro: contradiz a regra de concordância com o pronome relativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
No trecho "O meu descobrimento da América Latina, naqueles anos, levou-me a ler seus poetas...", o sujeito é "O meu descobrimento" (singular). O verbo "levou" concorda com esse núcleo. Trocar para "levaram-me" inventaria um sujeito plural que não existe. Erro: extrapolação — cria um sujeito inexistente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No trecho "viajar por todos os seus países e a viver os seus problemas e suas lutas políticas como se fossem meus", o sujeito de "fossem" é composto: "os seus problemas e suas lutas políticas" (plural). A forma "fosse" (singular) violaria a concordância com sujeito composto. Erro: contradiz a regra de sujeito composto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
No trecho "anos que ainda me restam", o pronome relativo que retoma "anos" (plural). O verbo "restam" concorda com o antecedente plural. Trocar para "resta" quebraria a concordância. Erro: contradiz a regra de concordância com o pronome relativo.
Conclusão: apenas a letra A apresenta uma troca que a norma-padrão autoriza, pois a expressão partitiva admite dupla concordância. As demais alternativas impõem uma forma única e obrigatória.