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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp003146
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-RN
Ano
2026
Cargo
Médico
Texto CG6A1

        A consolidação de um Estado comprometido com a boa governança, a eficiência e a integridade exige o reconhecimento de que a incorporação de tecnologias digitais avançadas, entre elas, a inteligência artificial (IA), deixou de representar mera inovação administrativa para se firmar como exigência estrutural da administração pública contemporânea.

       Assim como os direitos fundamentais sociais dependem de políticas públicas adequadamente formuladas, os instrumentos de fiscalização demandam novas capacidades analíticas capazes de lidar com a complexidade crescente da gestão estatal. A IA, nesse sentido, emerge como ferramenta auxiliar indispensável para ampliar a capacidade do Estado de identificar riscos, interpretar dados massivos e orientar decisões estratégicas.

        No âmbito do controle externo, os tribunais de contas assumem protagonismo natural nesse processo de transformação. O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN), guardião da legalidade e da racionalidade das políticas públicas, encontra-se diante do desafio de produzir uma atuação que seja, simultaneamente, tecnicamente sofisticada e constitucionalmente orientada. Isso implica compreender que a adoção de IA não se limita à implementação de ferramentas, mas exige a formação de servidores capazes de interagir criticamente com esses sistemas, avaliando seus limites, seus vieses e seus impactos. Trata-se, em última análise, de reconhecer que o exercício contemporâneo da fiscalização depende de agentes públicos dotados de letramento digital específico, condição indispensável para assegurar uma atuação estatal responsável e alinhada aos valores constitucionais.

Leonardo Medeiros Junior. O TCE do futuro: IA que ajuda, humanos que decidem.
In: Revista do TCE, Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte,
v. 27, n.º 1, dez./2025, p. 26 (com adaptações). 

Acerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto CG6A1, julgue o item que se segue.


A correção gramatical e os sentidos originais do texto seriam preservados se o trecho "a formação de servidores capazes de interagir criticamente com esses sistemas, avaliando seus limites, seus vieses e seus impactos" (terceiro parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: a formação de servidores aptos a saberem lidar com esses sistemas, considerando seus limites, inclinações e impactos.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Reescrita de trecho – correção gramatical e preservação de sentido

GABARITO: ERRADO (E). A reescrita proposta altera a correção gramatical e compromete o sentido original. A passagem "aptos a saberem lidar" contém vício de regência (o correto é "aptos a saber" ou "aptos a lidar") e redundância semântica; além disso, "inclinações" não equivale a "vieses", que carrega carga de distorção/parcialidade.

Análise da reescrita

O trecho original do texto é:

"a formação de servidores capazes de interagir criticamente com esses sistemas, avaliando seus limites, seus vieses e seus impactos"

A banca propôs a seguinte reescrita:

"a formação de servidores aptos a saberem lidar com esses sistemas, considerando seus limites, inclinações e impactos"

Vamos verificar item a item.

1. Correção gramatical

  • "aptos a saberem lidar" – A expressão "aptos a" exige um verbo no infinitivo impessoal (sem flexão de número-pessoa). O correto seria "aptos a saber lidar" ou "aptos a lidar". A forma "saberem" (infinitivo pessoal flexionado) é inadequada após a preposição "a" regida por "aptos", pois cria uma locução verbal irregular. Portanto, há erro gramatical.

  • Além disso, "saberem lidar" é redundante: quem é "apto a lidar" já possui a habilidade; dizer "aptos a saberem lidar" é pleonasmo vicioso. O original é mais conciso e preciso com "capazes de interagir criticamente".

2. Preservação dos sentidos originais

  • "avaliando seus limites, seus vieses e seus impactos" vs. "considerando seus limites, inclinações e impactos"

    • "avaliando" implica exame crítico, julgamento. "considerando" é mais genérico (pode ser apenas levar em conta). Perde-se a nuance de análise aprofundada.

    • "vieses" (do inglês bias) designa desvios sistemáticos, preconceitos, distorções. "inclinações" remete a tendências ou preferências, sem a conotação de erro/parcialidade. O texto original fala em "avaliar seus vieses" – ou seja, identificar possíveis distorções dos sistemas de IA. "Inclinações" não capta esse sentido crítico, alterando o significado.

Portanto, a reescrita não preserva o sentido original.

Conclusão

A reescrita apresenta incorreção gramatical (flexão indevida do infinitivo) e desvio de sentido (troca de termos com cargas semânticas distintas). Logo, o item está ERRADO.

PEGA ESSA DICA!

Em reescritas, atente à regência nominal: adjetivos como "apto", "capaz", "propenso" exigem complemento com preposição e verbo no infinitivo impessoal. Desconfie de palavras que parecem sinônimas, mas têm matizes diferentes (ex.: "vieses" ≠ "inclinações").

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