Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
gp003192
Banca
VUNESP
Órgão
PM-SP
Ano
2026
Cargo
2º Tenente Médico PM Estagiário (Especialidade: Medicina de Emergência)
Leia o texto para responder à questão:
A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma
Desde muito, os livros vêm sendo responsáveis por grandes transformações em direções e com efeitos muito variáveis. Vivenciada como uma operação essencialmente solitária e subjetiva, a leitura de obras literárias foi sempre considerada uma experiência tão poderosa quanto perigosa. E, se nem sempre se tenha explicitado a necessidade da supervisão, a importância, pelo menos, da interlocução é algo que aparece como elemento fundamental no contexto da experiência da leitura. Assim, fica evidente que não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la.
Ainda que essencialmente solitária, a leitura pode ser algo excessivamente pesado e difícil para se enfrentar sozinho. Por outro lado, se vencidas as dificuldades iniciais de falta de hábito e compreensão, o grande poder mobilizador da leitura praticamente exige uma dinâmica de expressão e compartilhamento, concretizada numa situação de interlocução, para que esse processo ocorra de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização.
Um dos exemplos mais interessantes nesse sentido talvez seja a biblioterapia, que propõe a leitura de obras literárias como recurso psicoterapêutico. Abordagem fundamentada na teoria de catarse de Aristóteles e na psicanálise freudiana, a biblioterapia surgiu como proposta ainda na década de 1940, porém só mais recentemente, no contexto da busca de abordagens alternativas para os efeitos patológicos causados pelo acirramento da dinâmica desumanizadora da vida moderna, que ela passou a ser mais difundida e utilizada em diversos contextos e modalidades.
Concomitantemente, porém com um grau de difusão significativamente maior, cabe assinalar o aparecimento dos grupos de leitura ou clubes do livro, onde leitores se reúnem para compartilhar sensações, impressões e opiniões suscitadas pela leitura de determinada obra. Tais dinâmicas, ainda pouco estudadas, porém em franco processo de expansão, parecem operar como elemento incentivador da prática da leitura, ao mesmo tempo em que possibilitam o desdobramento do processo reflexivo, formativo e humanizador que a experiência literária propicia.
(Dante Gallian. São Paulo: Martin Claret, 2019; ePUB. Adaptado)
De acordo com as informações do texto, a leitura deobras literárias recomendada como terapia
Atem sido responsável por grandes transformaçõesvivenciadas por pessoas que se consideram solitárias e introvertidas.
Bprecisa ser, em alguma medida, acompanhada,pois o compartilhamento é fundamental para opapel humanizador da experiência de leitura.
Cé uma abordagem psicoterapêutica proposta porFreud, baseada na teoria aristotélica que combate adinâmica desumanizadora da modernidade.
Dperdeu espaço para grupos de leitura e clubes dolivro, nos quais as pessoas se sentem mais confortáveis para compartilhar suas sensações e opiniões.
Eé uma abordagem contraditória, pois, mesmo compráticas solitárias e introspectivas, tem alcançadoefeitos positivos do ponto de vista da humanização.
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GabaritoB — precisa ser, em alguma medida, acompanhada,
pois o compartilhamento é fundamental para o
papel humanizador da experiência de leitura.
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A leitura como terapia e a necessidade de acompanhamento
Gabarito: letra B. A leitura de obras literárias recomendada como terapia precisa ser, em alguma medida, acompanhada, pois o compartilhamento é fundamental para o papel humanizador da experiência de leitura. Essa é a tese central do texto, explicitada no primeiro parágrafo: "fica evidente que não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la". A alternativa B é uma paráfrase fiel dessa passagem, unindo-a à ideia de que o compartilhamento (interlocução) é essencial para a humanização, como se lê no segundo parágrafo.
A questão é de compreensão (o comando pede "de acordo com as informações do texto"), ou seja, a resposta deve estar explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. A banca testa se você consegue localizar a informação e reconhecer a paráfrase correta, evitando as armadilhas de extrapolação e troca de termos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a leitura "tem sido responsável por grandes transformações vivenciadas por pessoas que se consideram solitárias e introvertidas". O texto diz que "os livros vêm sendo responsáveis por grandes transformações", mas não diz que isso se restringe a "pessoas solitárias e introvertidas". O texto menciona que a leitura é "essencialmente solitária e subjetiva", mas isso é uma característica da atividade, não um perfil de leitores. A alternativa extrapola ao acrescentar um detalhe (o perfil dos leitores) que não está no texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B é a única inteiramente sustentada pelo texto. O primeiro parágrafo afirma: "fica evidente que não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la". E o segundo parágrafo explica que o compartilhamento é necessário para que o processo ocorra "de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização". A alternativa parafraseia essas duas ideias: a leitura precisa ser acompanhada ("em alguma medida") e o compartilhamento é fundamental para o papel humanizador. Não há acréscimo nem restrição indevida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a biblioterapia é "uma abordagem psicoterapêutica proposta por Freud, baseada na teoria aristotélica". O texto diz que a biblioterapia é "abordagem fundamentada na teoria de catarse de Aristóteles e na psicanálise freudiana", mas não diz que foi "proposta por Freud". A alternativa troca o termo: o texto atribui a fundamentação a Aristóteles e à psicanálise freudiana, não a autoria a Freud. Além disso, o texto não diz que a biblioterapia "combate a dinâmica desumanizadora da modernidade" — diz que ela "passou a ser mais difundida" no contexto dessa dinâmica, o que é diferente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a leitura terapêutica "perdeu espaço para grupos de leitura e clubes do livro". O texto não diz isso. Ele afirma que os grupos de leitura têm "um grau de difusão significativamente maior" e que estão "em franco processo de expansão", mas não diz que a biblioterapia perdeu espaço para eles. A alternativa extrapola ao criar uma relação de substituição que não está no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a leitura terapêutica é "uma abordagem contraditória, pois, mesmo com práticas solitárias e introspectivas, tem alcançado efeitos positivos". O texto não diz que há contradição. Ele afirma que a leitura é "essencialmente solitária", mas que, se vencidas as dificuldades iniciais, o poder mobilizador "exige uma dinâmica de expressão e compartilhamento" para que o processo ocorra "de forma saudável e produtiva". Não há contradição; há uma complementaridade entre a solidão da leitura e a necessidade de interlocução. A alternativa acrescenta uma opinião (a de que seria contraditório) que o autor não externou.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — alternativas que acrescentam detalhes não presentes no texto (perfil de leitores, autoria de Freud, perda de espaço) ou que contradizem a tese central (a suposta contradição). A correta é a única que parafraseia o texto sem acrescentar nada.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas ("sempre", "nunca", "apenas") ou que introduzem informações novas (nomes, causas, consequências) que não estão no texto. A resposta correta é sempre uma reescritura fiel do que está escrito.