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Questão de Português — Morfologia - Verbos — FCC 2026

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
gp003443
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Área de Engenharia Civil

Atenção: Para responder à questão abaixo, baseie-se no texto abaixo.


Um inseto sentimental

    A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...


    No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e zune com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nascera.


    Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e três palmos ele se equilibra no ar, helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.


    Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois aninhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de uma crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, é pegar a caneta e escrever a primeira frase, quase sempre a mais difícil.


(Adaptado de HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 11-12)

É plenamente adequada a correlação entre os tempos e modos verbais na frase
  1. ANão fosse o inseto sentimental, o cronista teria podido escrever uma bela crônica, mas não esta a que desse forma.
  2. BAinda que não houvesse aquele transtorno, haverei de ter dificuldade com o início da crônica.
  3. CO inseto tornava-se meu ex-inimigo à medida que ia desvendando coisas de que eu já me esquecera.
  4. DPresume-se que cada escritor venha a encontrar em seu ofício desafios que não lograsse vencer.
  5. ETão logo passou a voar pela sala, o inseto teria revelado imagens que o autor deu como perdidas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O inseto tornava-se meu ex-inimigo à medida que ia desvendando coisas de que eu já me esquecera.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Correlação entre tempos e modos verbais

Gabarito: letra C. A única alternativa em que a correlação entre tempos e modos verbais é plenamente adequada é a C: o imperfeito do indicativo "tornava-se" e "ia desvendando" expressam ações simultâneas no passado, enquanto o mais-que-perfeito "esquecera" indica anterioridade, formando uma sequência lógica e gramaticalmente correta.


Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não fosse o inseto sentimental, o cronista teria podido escrever uma bela crônica, mas não esta a que desse forma."

A correlação "Não fosse... teria podido" está correta (condicional hipotética no passado). O problema está no trecho final: o verbo "desse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) é inadequado em uma oração relativa que se refere a uma crônica específica ("esta a que"). O correto seria o pretérito imperfeito do indicativo "dava" ou o pretérito perfeito "deu", já que a crônica é determinada. O uso do subjuntivo quebra a correlação temporal.

Erro: troca de modo (subjuntivo em lugar do indicativo).


Alternativa B — ❌ Incorreta

"Ainda que não houvesse aquele transtorno, haverei de ter dificuldade com o início da crônica."

A oração concessiva com "ainda que" exige o subjuntivo ("houvesse" está correto). Porém, a oração principal deveria expressar um fato hipotético no passado, mas "haverei de ter" é futuro do presente do indicativo, indicando certeza no futuro. Para haver correlação, o correto seria "haveria de ter" (futuro do pretérito) ou "teria". A banca testa a noção de que, em hipóteses contrafactuais, o resultado deve estar no condicional.

Erro: tempo verbal inadequado na oração principal.


Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O inseto tornava-se meu ex-inimigo à medida que ia desvendando coisas de que eu já me esquecera."

  • "tornava-se" (imperfeito do indicativo): ação contínua no passado.

  • "ia desvendando" (locução verbal com imperfeito: ação progressiva no passado).

  • "esquecera" (mais-que-perfeito do indicativo: ação passada anterior a outra passada).

A sequência é perfeita: enquanto descobria coisas, ele tornava-se ex-inimigo; e essas coisas já tinham sido esquecidas antes. Todos os verbos estão no passado, com valores temporais coerentes.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode estranhar o mais-que-perfeito "esquecera", mas ele é adequado para indicar anterioridade em relação às outras ações passadas.


Alternativa D — ❌ Incorreta

"Presume-se que cada escritor venha a encontrar em seu ofício desafios que não lograsse vencer."

O verbo "presume-se" (presente do indicativo) expressa uma opinião ou crença. Após "presume-se que", o normal é usar o indicativo ("vem a encontrar" ou "encontra"), pois a oração subordinada é factual. O subjuntivo "venha" só seria aceitável se houvesse dúvida ou hipótese, o que não é o caso. Além disso, "lograsse" (imperfeito do subjuntivo) em uma oração relativa sem antecedente negativo ou hipotético não se justifica, gerando uma mistura de tempos (presente na principal, passado na subordinada).

Erro: uso indevido do subjuntivo e quebra de correlação temporal.


Alternativa E — ❌ Incorreta

"Tão logo passou a voar pela sala, o inseto teria revelado imagens que o autor deu como perdidas."

"Passou a voar" (pretérito perfeito do indicativo) indica um fato real e concluído. "Teria revelado" (futuro do pretérito composto) expressa uma hipótese ou consequência não realizada. Ora, se o inseto passou a voar (fato real), a revelação também deveria ser real ("revelou" ou "passou a revelar"). O condicional "teria revelado" cria uma incoerência: o autor trata um evento real como hipotético. Além disso, o pretérito "deu" está correto, mas não salva a frase.

Erro: uso do condicional em contexto factual.


Gabarito: letra C.

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