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Questão de Português — Pontuação — FCC 2026

PortuguêsPontuação
Código
gp003466
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Especialidade: Desenvolvimento de Sistemas

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Um inseto sentimental


    A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...


    No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e faz com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.


    Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e três palmos ele se equilibra no helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.


    Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois alinhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de uma crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, o pegar a caneta e escrever a primeira frase, quase sempre a mais difícil.



                                                                           (Adaptado de HATUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 11-12)

A supressão da vírgula altera sobremaneira o sentido da frase:
  1. ACom a passagem do tempo, deixei de considerá-lo um inimigo meu.
  2. BSempre estimei as crônicas, que nos fazem próximos da poesia do cotidiano.
  3. CDesde que passei a escrever, dedico boa parte do meu tempo às crônicas.
  4. DComo que surgido do nada, um inseto acabou pousando em meu braço.
  5. EQuando conferi melhor as imagens do retrato, dei com uma foto antiga de minha mãe.
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GabaritoB — Sempre estimei as crônicas, que nos fazem próximos da poesia do cotidiano.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Supressão da vírgula e alteração de sentido

Gabarito: letra B. A frase B possui uma oração adjetiva explicativa (com vírgula antes de "que") que, ao ter a vírgula suprimida, transforma-se em restritiva, alterando radicalmente o sentido: de "todas as crônicas são estimadas e nos fazem próximos" para "apenas as crônicas que nos fazem próximos são estimadas". As demais alternativas têm vírgulas que separam adjuntos adverbiais ou orações subordinadas em posição inicial — vírgulas facultativas cuja supressão não compromete o sentido.

Oração adjetiva com "que"
  • 1Explicativa (com vírgula)
    • Acrescenta característica
    • Refere-se a TODOS os elementos
  • 2Restritiva (sem vírgula)
    • Seleciona subconjunto
    • Refere-se a APENAS alguns
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Com a passagem do tempo, deixei de considerá-lo um inimigo meu."

A vírgula separa um adjunto adverbial de tempo anteposto. Como o adjunto é curto, a vírgula é facultativa; sua retirada não altera o sentido, apenas a entonação. Erro: confundir vírgula facultativa com obrigatória.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Sempre estimei as crônicas, que nos fazem próximos da poesia do cotidiano."

A vírgula antes do "que" indica que a oração adjetiva é explicativa (não restringe, acrescenta uma característica a todas as crônicas). Sem a vírgula, a oração torna-se restritiva (seleciona um subconjunto: apenas as crônicas que nos fazem próximos). A mudança é profunda: na primeira, o autor estima todas as crônicas; na segunda, estima só um grupo específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Desde que passei a escrever, dedico boa parte do meu tempo às crônicas."

A vírgula separa uma oração subordinada adverbial temporal anteposta. É vírgula facultativa (especialmente em períodos curtos); sua ausência mantém o mesmo sentido de anterioridade. Erro: achar que a omissão altera a relação temporal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Como que surgido do nada, um inseto acabou pousando em meu braço."

A vírgula separa uma locução comparativa/comportamental. Trata-se de um adjunto adverbial curto deslocado — vírgula facultativa. Retirá-la não muda o sentido; apenas junta os elementos. Erro: superestimar o papel da vírgula nessa estrutura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Quando conferi melhor as imagens do retrato, dei com uma foto antiga de minha mãe."

Mais uma oração subordinada adverbial temporal anteposta. A vírgula é facultativa e sua supressão não altera a relação de simultaneidade sucessiva. Erro: confundir caso de vírgula obrigatória com facultativa.


💡 Dica: Em questões sobre vírgula que altera sentido, foque nas orações adjetivas (com "que", "quem", "onde", "cujo"). A presença da vírgula antes do pronome relativo distingue explicação (explicativa) de restrição (restritiva). Nos demais casos (adjuntos adverbiais, orações temporais), a vírgula é geralmente facultativa e não muda o significado — apenas o ritmo.

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