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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2026

PortuguêsSintaxe
Código
gp003471
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Especialidade: Desenvolvimento de Sistemas

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.




Palavras de amor



    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.


    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiem, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autodiluídas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos, que os não procuram sanar para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adorar coçar as sarnas que têm.


    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa adorada e com declarações hiperbólicas do meu sentimento.


    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.


    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo “Declaro a guerra”: essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, e o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.



(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)

o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura.


Sem prejuízo para o sentido do período acima, a oração sublinhada pode ser substituída por esta:

  1. Aidealizando-se pelo confronto literário.
  2. Bgraças à idealização de sua literatura.
  3. Csendo forçoso que venha a idealizar a literatura.
  4. Dpor força da literatura por ele idealizado.
  5. Epela determinação da literatura que o idealiza.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — pela determinação da literatura que o idealiza.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição sem alteração de sentido — "à força de ser idealizado pela literatura"

Gabarito: letra E. A oração sublinhada "à força de ser idealizado pela literatura" expressa a causa pela qual o amor se torna relevante: a idealização feita pela literatura. A única alternativa que mantém essa relação de causa e agente (a literatura idealiza o amor) é a letra E – "pela determinação da literatura que o idealiza". Embora "determinação" não seja sinônimo exato de "força", preserva o sentido de "por causa de" ou "em virtude de". O pronome "o" retoma corretamente "amor", e a locução "que o idealiza" mantém o agente (literatura) praticando a ação sobre o amor.

Texto original: "o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura."

A ideia central é que a literatura idealiza o amor, e essa idealização é a causa da relevância do amor. A alternativa E reproduz exatamente essa estrutura: a literatura (sujeito) idealiza o amor (objeto), e essa ação é a causa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"idealizando-se pelo confronto literário."

  • Erro: Introduz o termo "confronto literário", que não existe no texto original. Além disso, a voz reflexiva "idealizando-se" e a preposição "pelo" (por + o) alteram o agente: aqui, quem idealiza é o próprio amor ou algo indefinido, enquanto no original a literatura é o agente. Extrapolação (fora do escopo) e troca de sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"graças à idealização de sua literatura."

  • Erro: O possessivo "sua" é ambíguo e, em leitura natural, refere-se ao amor (a literatura do amor), mudando o sentido para "a idealização que o amor faz de sua própria literatura". No original, a literatura idealiza o amor, não o contrário. Troca de referência (troca_conceito).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"sendo forçoso que venha a idealizar a literatura."

  • Erro: Inverte completamente a relação: agora é o amor que idealiza a literatura ("venha a idealizar a literatura"). Além disso, "sendo forçoso que" indica uma necessidade, não uma causa factual. Contradiz o texto (contradiz_texto).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"por força da literatura por ele idealizado."

  • Erro: A expressão "por ele idealizado" (com concordância masculina) refere-se a "literatura", ou seja, a literatura é idealizada pelo amor – novamente inverte o agente. O advérbio "por força" até se aproxima de "à força", mas o restante altera o sentido. Gramaticalmente, "por ele idealizado" concorda com "literatura", o que é estranho (literatura idealizada por quê?). Contradiz o texto (contradiz_texto) e problema de concordância.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"pela determinação da literatura que o idealiza."

  • Acerto: A locução "pela determinação da literatura que o idealiza" mantém a causa (determinação ≈ força) e o agente (a literatura) que idealiza o amor ("o"). A oração adjetiva "que o idealiza" preserva exatamente a ação descrita no original: a literatura idealiza o amor. Não há inversão, acréscimo ou omissão. A substituição é semanticamente equivalente.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de substituição sem alteração de sentido, identifique o sujeito agente da ação e o objeto paciente. No original, "ser idealizado pela literatura" = a literatura (agente) idealiza o amor (paciente). Qualquer alternativa que inverter essa relação estará errada.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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