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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp003476
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Área: Assistente Social

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Procurar o quê*


   O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

   

 Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.   


   Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.


   Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas do muro, nos espaços vazios.


   Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejava.


   Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manga, e no inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.


   Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casa do impossível.


   Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.


   Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.



* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.

Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém


A frase acima conservará seu sentido e sua correção caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por

  1. ACaso me perguntem — porquanto a ninguém diz respeito
  2. BUma vez ao perguntarem — desde que a ninguém lhe compete
  3. CDado que me perguntem — em vista de não o interessar
  4. DMesmo que me perguntem — conquanto pouco lhes dirá
  5. EAinda que perguntem — a fim de não lhes dar satisfação
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GabaritoA — Caso me perguntem — porquanto a ninguém diz respeito

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de conectivos mantendo o sentido

Gabarito: letra A. A única alternativa que preserva integralmente o sentido e a correção gramatical da frase original é a A: substitui "Se me perguntam" por "Caso me perguntem" (condicional) e "porque não é da conta de ninguém" por "porquanto a ninguém diz respeito" (causal, formal, mesmo significado). As demais alteram o valor semântico dos conectivos ou a estrutura lógica.

Frase original: "Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém"

A primeira parte exige uma oração condicional (se = caso); a segunda, uma causal (porque = explicação).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Caso me perguntem" preserva a condicionalidade; "porquanto a ninguém diz respeito" é uma conjunção causal formal que equivale a "porque não é da conta de ninguém". O sentido é idêntico: a recusa em responder se justifica por não ser da conta de ninguém. Gramaticalmente, "porquanto" exige a estrutura correta e "a ninguém diz respeito" mantém a impessoalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Uma vez ao perguntarem" introduz valor temporal ("uma vez que", no sentido de "quando"), e não condicional. "Desde que a ninguém lhe compete" é ambíguo: "desde que" pode ser condicional ("se") ou causal ("já que"), e "lhe compete" muda o sujeito (impessoal para pessoal). O sentido original de explicação causal se perde.

NÃO CAIA NESSA!

Troca de valor semântico (condicional → temporal) e mudança de referência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Dado que me perguntem" expressa causa ("já que"), não condição. O texto original condiciona a ação a uma pergunta hipotética; a opção C a trata como fato dado. "Em vista de não o interessar" altera o verbo (interessar vs. ser da conta) e o objeto ("o" refere-se a algo não definido, enquanto o original é impessoal).

NÃO CAIA NESSA!

Troca de condição por causa e mudança de impessoalidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Mesmo que me perguntem" é concessiva ("ainda que"), indicando que a pergunta ocorreria, mas não alteraria a resposta. O original é condicional (se perguntarem, não respondo; se não perguntarem, talvez responda?). "Conquanto pouco lhes dirá" é concessivo e muda o sentido para "embora pouco lhes dirá", o que não equivale à explicação causal.

NÃO CAIA NESSA!

Troca de condicional por concessiva e alteração da relação lógica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Ainda que perguntem" também é concessiva. "A fim de não lhes dar satisfação" expressa finalidade (para que), não causa. A frase original justifica o não responder (causa), enquanto a opção E indica um propósito (finalidade).

NÃO CAIA NESSA!

Troca de condicional por concessiva e de causa por finalidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os conectivos por sinônimos aparentes, mas que alteram o valor lógico (condicional ↔ concessivo, causal ↔ final). É preciso atentar ao valor semântico de cada conectivo.

Conclusão: Somente a alternativa A mantém o par condicional–causal da frase original, preservando sentido e correção.

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