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Questão de Português — Interpretação de Textos — FCC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp003484
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Área: Assistente Social

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Um inseto sentimental



    A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...


    No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e faz com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.


    Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e três palmos ele se equilibra no helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão.


    Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois alinhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de uma crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, o pegar a caneta e escrever a primeira frase, quase sempre a mais difícil.


                                                                           (Adaptado de HATUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p.11-12).

Entre os recursos da elaboração desse texto, pode-se afirmar que
  1. Aas expressões rosto de uma mulher e seu menino acabam por tomar ambíguas as identidades desses personagens.
  2. Bna oração já me desconcentrou (2º parágrafo) o termo que está subentendido como sujeito de silêncio.
  3. Ca hipótese manifesta em pode ser uma trégua é logo contraditada pela constatação não é tão ameaçador assim (3º parágrafo)
  4. Da afirmação a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido (1º parágrafo) constitui uma personificação.
  5. Ea expressão Agora (...) é pegar a caneta (4º parágrafo) considera uma providência hipotética a ser tomada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a afirmação a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido (1º parágrafo) constitui uma personificação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Recursos expressivos no texto – Personificação

Gabarito: letra D. A única alternativa correta é a D, pois a passagem citada constitui uma personificação: atribui-se ação humana ("fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido") a um objeto inanimado (a caneta) ou à mão que a segura, o que é um recurso estilístico clássico.

Alternativa A — ❌ Incorreta

As expressões "rosto de uma mulher" e "seu menino" não geram ambiguidade. O texto deixa claro que se trata da mãe (a mulher) e do filho dela ("meu menino" referido como filho do narrador). O pronome "seu" é coerentemente anafórico. Erro: contradiz o texto – não há ambiguidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Na oração "já me desconcentrou", o sujeito subentendido é o inseto (o intruso), e não "silêncio". O trecho: "tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou…" – o verbo "desconcentrou" é praticado pelo inseto, e o silêncio é apenas tematizado na oração anterior. Erro: confusão de referente – sujeito errado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipótese "pode ser uma trégua" não é contraditada pela constatação "não é tão ameaçador assim". Pelo contrário, uma trégua se caracteriza pela ausência de ameaça; a segunda oração reforça a ideia de que o inseto não representa perigo, confirmando a trégua. Erro: falsa relação de oposição.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No 1º parágrafo, lê-se: "a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido". A alternativa menciona "a caneta", mas o efeito de personificação permanece: atribui-se a um objeto (a caneta) ou a uma parte do corpo (a mão) uma ação voluntária e humana. A banca considerou a personificação válida, recurso expressivo evidente no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A expressão "Agora (...) é pegar a caneta" descreve uma ação real e iminente, não hipotética. O narrador afirma que, ao escurecer, ele pega a caneta e escreve. O verbo "é" (no presente do indicativo) indica fato concreto, não possibilidade. Erro: interpretação incorreta do valor modal do verbo.

Gabarito: letra D

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