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Questão de Português — Sintaxe — FCC 2026

PortuguêsSintaxe
Código
gp003486
Banca
FCC
Órgão
MPE-AL
Ano
2026
Cargo
Analista do Ministério Público - Área: Assistente Social

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.




Palavras de amor



    Os sentimentos funcionam como picadas de mosquito, que coçamos e recoçamos até que se tornem feridas infectadas e, às vezes, septicemias fatais. Salvo um exercício difícil de autocontrole, qualquer picada pode adquirir uma relevância desmedida. A gente tende a se coçar muito além da conta porque descobre nisso um prazer autônomo.


    Por isso mesmo, em geral, não confio nos sentimentos: nem nos meus, nem nos dos outros. Não é que suponho que os humanos mintam quando amam, odeiem, ou se desesperam: nada disso. Apenas verifico que os sentimentos podem ser condições autodiluídas, transtornos ou desvios produzidos pelos próprios indivíduos, que os não procuram sanar para se coçar (como diz o ditado), no mínimo adorar coçar as sarnas que têm.


    Tomemos o exemplo do amor. Eu encontro, conheço ou vislumbro de longe uma pessoa que preenche algumas condições básicas para que goste dela. Sussurrando entre quatro paredes ou gritando em praça pública, anotando no meu diário ou escrevendo para grandes editoras, passo a encher o ar ou as páginas com as descrições da beleza inigualável da pessoa adorada e com declarações hiperbólicas do meu sentimento.


    Claro, minha prosa ou minha poesia poderão, quem sabe, conquistar o meu objeto de amor, mas esse é um efeito colateral. O efeito mais importante de minhas palavras de amor não é tanto o de seduzir o objeto de meus sonhos, mas o de eu me apaixonar cada vez mais. Pois a intensidade do meu amor será diretamente proporcional à insistência e à virulência das minhas declarações.


    Em linguística chamamos performativas aquelas expressões que, ao serem proferidas, constituem o fato do qual elas falam. Exemplo clássico: um chefe de Estado dizendo “Declaro a guerra”: essa frase é a própria declaração de guerra. Algo semelhante ocorre com o amor: a gente aprende a amar e a declarar o amor pelas palavras dos escritores, e o amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura. Sim, os tempos mudam, e talvez se afirme hoje, aos poucos, uma retórica nova, menos sentimental, capaz de dar valor literário a uma vida sem amores e paixões.



(Adaptado de CALLIGARIS, Contardo. Aproveitar a vida e suas dores. São Paulo: Planeta do Brasil, 2025, p. 155-157)

O amor se torna relevante em nossa vida à força de ser idealizado pela literatura.


Sem prejuízo para o sentido do período acima, a oração sublinhada pode ser substituída por esta:

  1. Asendo forçoso que venha a idealizar a literatura.
  2. Bpor força da literatura por ele idealizado.
  3. Cpela determinação da literatura que o idealiza.
  4. Didealizando-se pelo confronto literário.
  5. Egraças à idealização de sua literatura.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pela determinação da literatura que o idealiza.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrevendo oração sem alterar o sentido

Gabarito: letra C. A oração sublinhada "à força de ser idealizado pela literatura" indica que a literatura idealiza o amor, e essa idealização é a causa (força) que torna o amor relevante. A alternativa C mantém exatamente essa relação: "pela determinação da literatura que o idealiza" – o pronome "o" retoma "amor", e "determinação" equivale a "força". As demais invertem o sujeito da ação (A, B, E) ou introduzem elementos estranhos (D).

Alternativa A — ❌ Incorreta

"sendo forçoso que venha a idealizar a literatura"

Inverte o agente: o amor passaria a idealizar a literatura, enquanto o texto diz que o amor é idealizado pela literatura. Erro de troca de agente/paciente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"por força da literatura por ele idealizado"

Também inverte: "por ele idealizado" significa que o amor idealiza a literatura. Além disso, a construção é ambígua e gramaticalmente estranha (falta concordância com o termo anterior).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"pela determinação da literatura que o idealiza"

Perfeita equivalência: "pela determinação" = "à força de"; "a literatura que o idealiza" = "ser idealizado pela literatura". Mantém o sentido causal e a relação agente/paciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"idealizando-se pelo confronto literário"

Acrescenta a ideia de "confronto" (inexistente no texto) e transforma o amor em sujeito da ação ("se idealiza"), o que foge ao original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"graças à idealização de sua literatura"

O pronome "sua" é ambíguo: pode ser a idealização que a literatura faz de si mesma ou a idealização que o amor faz de sua literatura. Em qualquer caso, não reproduz a passiva original (amor sendo idealizado pela literatura).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de quem idealiza quem. O leitor distraído pode aceitar qualquer construção que contenha "literatura" e "idealização", mas o fundamental é manter a literatura como agente que idealiza o amor. Compare o agente em cada alternativa.

Conclusão: apenas a letra C preserva a voz passiva e a relação de causa do original.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

Gabarito: letra C.

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