Eu estava no meu quarto após o almoço, lendo o capítulo V da
Epístola de Tiago porque eu ia falar das raízes bíblicas da unção dos
doentes durante a hora da família, quando ouvi os sons. Pancadas
pesadas e rápidas na porta talhada à mão do quarto dos meus pais.
Imaginei que a porta estava emperrada e que Papa estivesse
tentando abri-la. Se imaginasse aquilo sem parar, talvez virasse
verdade. Eu me sentei, fechei os olhos e comecei a contar. Contar
fazia o tempo passar um pouco mais rápido, fazia com que não
fosse tão ruim. Às vezes, acabava antes de eu chegar ao número
vinte. Eu já estava no dezenove quando o som parou. Ouvi a porta
se abrindo. Os passos de Papa na escada pareceram mais pesados,
mais desajeitados do que o normal.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Hibisco Roxo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011,
p.39.
No trecho, a expressão “à mão” em “porta talhada à mão”
apresenta acento grave indicativo de crase. Nesse contexto, seu
uso se justifica pela(o)
Amarcação de que a palavra seguinte está no gênero feminino.
Buso obrigatório da crase antes de qualquer locução adverbial.
Cnecessidade de marcar o complemento nominal feminino dapalavra “porta”.
Dindicação de que a palavra seguinte é o sujeito da oração.
Efusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”.
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GabaritoE — fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”.
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Crase em "à mão" – justificativa
Gabarito: letra E. A crase em "à mão" é justificada pela fusão da preposição "a" (exigida pela locução adverbial de modo) com o artigo feminino "a" que antecede o substantivo feminino "mão". É a definição clássica de crase: a + a = à.
A questão cobra a justificativa do acento grave no trecho, e não a simples identificação de que há crase.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A crase não serve para "marcar o gênero feminino" da palavra seguinte. Embora "mão" seja feminino, o acento grave só aparece quando há preposição + artigo; o gênero é condição necessária, mas não é a justificativa. Erro: troca de conceito (atribui à crase função que ela não tem).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a crase é obrigatória "antes de qualquer locução adverbial". Isso é falso: só ocorre em locuções adverbiais femininas que admitem artigo (ex.: "à mão", "às pressas"). Locuções masculinas ("a pé", "a cavalo") não levam crase. Erro: generalização indevida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"À mão" não é complemento nominal de "porta". Na expressão "porta talhada à mão", o termo "talhada" é particípio; "à mão" é adjunto adverbial de modo (indica como a porta foi talhada). Não há relação de complemento nominal (que seria algo como "porta de mão" ou regência nominal). Erro: contradiz a função sintática do termo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Mão" não é sujeito de nada. Na locução adverbial, "mão" é parte integrante do adjunto, sem função de sujeito. Erro: atribui função sintática inexistente.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exata definição de crase: fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a". No caso, a preposição "a" é exigida pela locução adverbial de modo "à mão" (modo como algo é feito), e o artigo "a" acompanha o substantivo feminino "mão". A fusão gera o acento grave. Passagem que comprova: a locução "à mão" é consagrada como locução adverbial feminina.
PEGA ESSA DICA!
Decore a regra: crase em locuções adverbiais femininas é obrigatória. Mas a justificativa é sempre a fusão a + a.
Conclusão: A única alternativa que apresenta a causa correta da crase é a E.
PEGA ESSA DICA!
Cara a cara não tem crase, isto é fácil de guardar; com palavra repetida não se deve 'crasear'
Em expressões com palavra feminina repetida (cara a cara, gota a gota, frente a frente, dia a dia) NÃO se usa crase.