O sertanejo trepou no carrossel, deu corda na pianola e começou
a música de uma valsa antiga. O rosto sombrio de Volta Seca se
abria num sorriso. Espiava a pianola, espiava os meninos envoltos
em alegria. Escutavam religiosamente aquela música que saía do
bojo do carrossel na magia da noite da cidade da Bahia só para os
ouvidos aventureiros e pobres dos Capitães da Areia. Todos
estavam silenciosos. Um operário que vinha pela rua, vendo a
aglomeração de meninos na praça, veio para o lado deles. E ficou
também parado, escutando a velha música. Então a luz da lua se
estendeu sobre todos, as estrelas brilharam ainda mais no céu, o
mar ficou de todo manso (talvez que Iemanjá tivesse vindo
também ouvir a música) e a cidade era como que um grande
carrossel onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia.
Nesse momento de música eles sentiram-se donos da cidade.
AMADO, Jorge. Capitães da Areia. Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 88
Considere o trecho sublinhado e marque a opção em que a
reescritura proposta respeita a relação semântica entre as
orações
AUm operário que vinha pela rua veio para o lado deles, emboratenha visto a aglomeração de meninos na praça.
BUm operário que vinha pela rua viria para o lado deles, casovisse a aglomeração de meninos na praça.
CUm operário que vinha pela rua veio para o lado deles, porqueviu a aglomeração de meninos na praça.
DUm operário que vinha pela rua veio para o lado deles, àmedida que via a aglomeração de meninos na praça.
EUm operário que vinha pela rua veio para o lado deles, paraver a aglomeração de meninos na praça.
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GabaritoC — Um operário que vinha pela rua veio para o lado deles, porque
viu a aglomeração de meninos na praça.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescritura com respeito à relação semântica entre as orações
Gabarito: Letra C. A reescritura correta é a que mantém a relação de causa expressa no trecho original: o operário veio para o lado dos meninos porque viu a aglomeração. A alternativa C usa o conectivo "porque", que introduz causa, preservando exatamente o sentido do original.
Análise do trecho original
No texto, lemos: "Um operário que vinha pela rua, vendo a aglomeração de meninos na praça, veio para o lado deles." A oração sublinhada (gerúndio) expressa causa: a visão da aglomeração foi o motivo que levou o operário a se aproximar. A relação semântica é clara: causa → consequência.
Avaliação das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Um operário que vinha pela rua veio para o lado deles, embora tenha visto a aglomeração de meninos na praça."
O conectivo "embora" introduz concessão (ideia de oposição, quebra de expectativa). Ele indica que, apesar de ter visto, veio — o que não é o sentido original. No texto, a visão foi o motivo, não um obstáculo. A alternativa troca causa por concessão, alterando a relação semântica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Um operário que vinha pela rua viria para o lado deles, caso visse a aglomeração de meninos na praça."
Aqui há alteração de tempo verbal ("viria", futuro do pretérito) e uso de "caso" (condicional). A relação passa a ser de condição: a vinda depende da visão, mas não se afirma que ela ocorreu. No original, a visão e a vinda são fatos concretos passados. A alternativa B muda o nexo semântico para condição, o que não corresponde ao texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Um operário que vinha pela rua veio para o lado deles, porque viu a aglomeração de meninos na praça."
"Porque" é o conectivo causal por excelência. Ele introduz a causa do fato expresso na oração principal. Exatamente a mesma relação do trecho original, em que "vendo" equivale a "porque viu". A reescritura respeita integralmente a semântica original.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Um operário que vinha pela rua veio para o lado deles, à medida que via a aglomeração de meninos na praça."
O conectivo "à medida que" expressa proporcionalidade (duas ações que ocorrem simultânea e progressivamente). No texto, a visão ocorre antes da vinda e a motiva, não é simultânea ou proporcional. A alternativa D impõe uma relação de concomitância que não existe no original.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Um operário que vinha pela rua veio para o lado deles, para ver a aglomeração de meninos na praça."
A locução "para ver" expressa finalidade: o objetivo da ação. No texto, a visão é anterior e causal; o operário não veio com o propósito de ver (ele já viu enquanto vinha). A alternativa inverte a relação: a causa (ver) vira finalidade, o que não é sustentado pelo original.
Conclusão
A única alternativa que mantém a relação de causa presente no trecho sublinhado é a letra C. As demais alteram o sentido ao empregar conectivos de concessão, condição, proporção ou finalidade, sempre em desacordo com o texto-base.
1Causa (porque)
2Concessão (embora)
3Condição (caso)
4Proporção (à medida que)
5Finalidade (para)
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NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o valor semântico do gerúndio (causa) por outros conectivos, testando se o candidato reconhece a relação de causa e consequência. A armadilha está em aceitar conectivos que parecem próximos, mas mudam a relação lógica entre as orações.
PEGA ESSA DICA!
Ao se deparar com uma reescritura, identifique primeiro a relação semântica entre as orações no original (causa, consequência, condição, concessão, etc.) e depois compare com os conectivos das alternativas. Pergunte: "Essa troca mantém o mesmo motivo/efeito?"