Questão de Direito Constitucional — Classificação das Constituições — FGV 2026
- Código
- gp008735
- Banca
- FGV
- Órgão
- TJ-BA
- Ano
- 2026
- Cargo
- Juiz Leigo
- Acesarista.
- Bsemântica.
- Cdogmática.
- Dpromulgada.
- Ecompromissória.
GabaritoB — semântica.
Gabarito: letra B (semântica). A constituição descrita é classificada como semântica porque, embora submetida a consulta popular, sua função real é mascarar o poder da aristocracia e sufocar interpretações democráticas, não refletindo a verdadeira correlação de forças. Trata-se de uma constituição que não limita efetivamente o poder, servindo apenas como fachada para a continuidade do regime autoritário.
A classificação das constituições quanto à correspondência com a realidade (Karl Loewenstein) divide-se em: normativa (efetivamente aplicada e que limita o poder), nominalista (texto amplo, mas sem aplicação plena por falta de condições) e semântica (mero instrumento de dominação, que apenas reflete e legitima a realidade do poder). No caso narrado, a aristocracia ignora as colaborações populares e utiliza a constituição para assegurar sua permanência no poder – característica típica da constituição semântica.
A opção cesarista (letra A) designa constituições impostas por um líder que as submete a um plebiscito popular meramente formal. Embora haja semelhança com o caso (consulta popular ignorada), o conceito de constituição semântica é mais abrangente e foca na função de mascarar a realidade de poder, enquanto a cesarista se concentra na origem por plebiscito sem real participação. A questão enfatiza a intenção de "sufocar interpretações" e "assegurar continuidade no poder", o que encaixa perfeitamente na definição de semântica.
Critério | Constituição Semântica | Constituição Cesarista |
|---|---|---|
Conceito central | Instrumento de dominação que mascara a realidade do poder, sem limitá-lo efetivamente | Constituição imposta por um líder, submetida a plebiscito popular meramente formal |
Função principal | Legitimar e perpetuar o regime autoritário, sufocando interpretações democráticas | Dar aparência de legitimidade democrática a uma imposição unilateral |
Relação com a consulta popular | Pode ou não haver consulta; o essencial é que o texto não reflete a vontade popular e serve à dominação | A consulta popular (plebiscito) é elemento caracterizador, mas sem real participação ou alteração do conteúdo |
Exemplo no caso narrado | A aristocracia usa a Constituição para "sufocar interpretações" e "assegurar continuidade no poder", ignorando colaborações | Houve consulta popular, mas o foco da narrativa é a função de dominação, não o processo de aprovação |
Embora o texto tenha sido submetido a consulta popular, a classificação cesarista é insuficiente porque o foco principal da narrativa é o uso da constituição como instrumento de dominação e fachada, e não apenas o processo de sua aprovação. A cesarista seria mais adequada se a ênfase fosse exclusivamente no plebiscito controlado; aqui, a descrição destaca a função de perpetuação do poder autoritário.
A constituição é meramente formal, não limitando o poder real. O texto constitucional serve apenas para dar aparência de legitimidade a um regime que continua a se basear na força, ignorando as contribuições populares. Corresponde exatamente ao conceito de constituição semântica: não há correspondência entre a norma e a realidade política.
Dogmática diz respeito ao modo de elaboração (sistematização em um documento escrito), mas não se relaciona com a correspondência com a realidade. Toda constituição escrita e codificada é dogmática, inclusive as semânticas. A questão não indaga sobre a forma de elaboração, mas sobre a função e a relação com o poder.
Promulgada é a constituição elaborada por uma assembleia constituinte eleita pelo povo, com ampla participação. No caso, a aristocracia impõe o texto e ignora as colaborações, sendo uma constituição outorgada (ou, no máximo, cesarista), nunca promulgada.
Compromissória é a constituição que resulta de um compromisso entre diferentes forças políticas, com concessões recíprocas. No relato, não há compromisso; há imposição e supressão de interpretações democráticas. Portanto, não se enquadra.
PROMULGADAS/OUTORGADAS - Povo x Outros
Promulgadas = originam do POVO (democráticas, votadas); Outorgadas = impostas por OUTROS (governante, sem participação popular)
— Classificação das Constituições quanto à origem
Gabarito: letra B (semântica).
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