Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Processual Penal — Princípios fundamentais do direito processual penal — FGV 2026

Direito Processual PenalPrincípios fundamentais do direito processual penal
Código
gp019284
Banca
FGV
Órgão
MPE-MT
Ano
2026
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Lindolfo foi denunciado e pronunciado pela prática do crime defeminicídio tentado praticado contra Antônia, sua ex-esposa, quefoi arrolada pelo Ministério Público para ser ouvida na instruçãoem plenário. No dia do julgamento perante o Tribunal do Júri, ocorreram assituações descritas a seguir.I. No momento da formação do Conselho de Sentença, após aleitura do nome de um jurado sorteado, o juiz presidenteindagou ao membro do Ministério Público se desejava recusálo imotivadamente; e, após o aceite, consultou a defesatécnica sobre sua vontade de recusá-lo. II. Durante a instrução em plenário, mais especificamentedurante a inquirição de Antônia, o advogado de Lindolfoindagou se a vítima possuía histórico de relacionamentosextraconjugais, mencionando seu "comportamento liberal"em festas anteriores, com o objetivo de descredibilizar seutestemunho. III. Durante os debates, a defesa se limitou a sustentar a negativade autoria e a desclassificação da conduta para lesão corporal,não tendo constado em ata qualquer outra tese defensiva.Após os debates, o Conselho de Sentença respondeuafirmativamente aos quesitos de materialidade e autoria dofeminicídio tentado; contudo, ao responderem ao quesitogenérico de absolvição, os jurados absolveram Lindolfo.Com base no que dispõe o Código de Processo Penal (CPP) e noentendimento exarado pelos Tribunais Superiores, assinale aafirmativa correta.
  1. ANa situação I, o Magistrado seguiu corretamente oprocedimento previsto no art. 468 do CPP, pois, à medida queas cédulas são retiradas da urna, o Ministério Público e, depoisdele, a defesa poderão exercer as recusas imotivadas.
  2. BNa situação II, não cabe intervenção do Ministério Público oudo Magistrado durante a inquirição de Antônia, pois aestratégia de descredibilização da vítima pela defesa encontraamparo no contraditório e na ampla defesa, sendo a vedaçãodo art. 400-A do CPP inaplicável ao plenário do júri emprocessos de violência contra a mulher.
  3. CNa situação III, a ausência de tese defensiva registrada em ataque justifique a absolvição por clemência, aliada à contradiçãoentre as respostas dos jurados, autoriza a anulação dojulgamento e a realização de novo júri.
  4. DEmbora o Magistrado tenha agido corretamente na situação I,é vedada a invocação, por partes ou procuradores, deelementos referentes à vivência sexual pregressa da vítima emaudiência de instrução e julgamento de crimes contra adignidade sexual e de violência contra a mulher, sob pena denulidade do ato, sendo dever do Magistrado impedir essaprática, sob pena de responsabilização civil, administrativa epenal (situação II).
  5. ENa situação I, houve inversão do procedimento previsto no art.468 do CPP, uma vez que a indagação sobre as recusasimotivadas deve ser dirigida primeiro à defesa e, somentedepois, ao Ministério Público. Na situação III, a absolvição deLindolfo pelo Conselho de Sentença é irrecorrível peloMinistério Público, pois o princípio constitucional da soberaniados veredictos impede qualquer controle jurisdicional sobre adecisão proferida no quesito genérico absolutório.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Na situação III, a ausência de tese defensiva registrada em ata que justifique a absolvição por clemência, aliada à contradição entre as respostas dos jurados, autoriza a anulação do julgamento e a realização de novo júri.

Link permanente: /questoes/gp019284