Questão de Direito Processual Penal — Sistemas de Investigação — FGV 2026
- Código
- gp019289
- Banca
- FGV
- Órgão
- MPE-MT
- Ano
- 2026
- Cargo
- Promotor de Justiça Substituto
- AI, apenas.
- BII, apenas.
- CIII, apenas.
- DI e II, apenas.
- EI, II e III.
GabaritoA — I, apenas.
Gabarito: letra A (apenas a afirmativa I está correta). No julgamento da ADPF 635, o STF reconheceu a natureza estrutural do litígio, mas afastou o estado de coisas inconstitucional porque o Estado do Rio de Janeiro já havia demonstrado compromisso significativo com as determinações da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Favela Nova Brasília vs. Brasil. As afirmativas II e III não correspondem ao teor da decisão.
A ADPF 635 foi ajuizada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) para questionar a letalidade decorrente de operações policiais no Estado do Rio de Janeiro. O STF, em julgamento histórico, reconheceu a violação sistemática de direitos fundamentais, especialmente o direito à vida e à segurança, mas optou por não declarar o estado de coisas inconstitucional, diferentemente do que fez no sistema penitenciário (RE 592.581). Em vez disso, determinou uma série de medidas estruturais, como a elaboração de planos de redução da letalidade e a fiscalização pela União.
O STF reconheceu que o litígio tem natureza estrutural, envolvendo falhas sistêmicas na segurança pública. No entanto, afastou o reconhecimento do estado de coisas inconstitucional com base no fato de que o Estado do Rio de Janeiro já estava, em alguma medida, cumprindo as determinações da Corte Interamericana no Caso Favela Nova Brasília vs. Brasil, que condenou o Brasil por violações de direitos humanos em operações policiais. Esse compromisso demonstrado foi considerado relevante para não se decretar o ECI.
A decisão do STF não estabeleceu vedação absoluta à realização de operações policiais em perímetros que abranjam escolas, creches, hospitais ou postos de saúde. Embora o Tribunal tenha enfatizado a proteção de crianças e adolescentes e determinado que operações devem evitar ao máximo colocar em risco esses locais, não há uma proibição genérica com a ressalva apenas de perseguição em flagrante. A redação da afirmativa é mais restritiva do que o efetivamente decidido.
O STF não direcionou à Polícia Federal a investigação de todos os casos de crime doloso contra a vida envolvendo agentes de segurança pública estadual. Na ADPF 635, o Tribunal determinou que as investigações de mortes decorrentes de intervenção policial devem ser conduzidas de forma independente e imparcial, podendo ser realizadas pelo Ministério Público estadual ou pela polícia judiciária, sem deslocamento automático de competência para a PF. A atribuição à PF ocorre apenas em hipóteses excepcionais, como envolvimento de interesse federal, mas não de forma genérica.
A banca explora o fato de o STF ter reconhecido a gravidade da situação, levando o candidato a pensar que houve declaração de estado de coisas inconstitucional (como em outras decisões). Além disso, as afirmativas II e III parecem razoáveis e poderiam ser confundidas com medidas reais, mas não correspondem exatamente ao teor do julgado. Cuidado com generalizações.
Conclusão: Apenas a afirmativa I está em conformidade com o decidido na ADPF 635. Portanto, o gabarito é a alternativa A.
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