Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — FUNDATEC 2023
Português›Funções morfossintáticas da palavra SE
Código
gp043592
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Morro Reuter - RS
Ano
2023
Cargo
Professor de Língua Portuguesa (Ensino Fundamental)
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Povo no Peru pintava os crânios de seus ancestrais
(Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/ha-mil-anos-povo-no-peru-pintava-os-cranios-de-seusancestrais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica a correta função da palavra “se” no trecho a seguir:“Acredita-se que, na cultura Chincha, tais transgressões contra os falecidos”.
APartícula apassivadora.
BConjunção integrante.
CConjunção subordinativa adverbial.
DPronome reflexivo.
EÍndice de indeterminação do sujeito.
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GabaritoE — Índice de indeterminação do sujeito.
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Função da palavra "se" em "Acredita-se" — Gabarito: letra E
Gabarito: letra E. No trecho "Acredita-se que, na cultura Chincha, tais transgressões contra os falecidos", o "se" é índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois o verbo "acreditar" é transitivo indireto (quem acredita, acredita em algo) e não há sujeito explícito — a construção indica que "alguém" (sujeito indeterminado) acredita. A distinção decisiva está na transitividade: com verbo transitivo direto, o "se" seria partícula apassivadora; com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, é IIS.
A questão cobra a função morfossintática da partícula "se", um clássico de concursos. O comando pede a classificação correta no contexto dado — não é interpretação de texto, mas análise gramatical aplicada ao trecho. Para resolver, é preciso identificar a transitividade do verbo e testar se há sujeito paciente (voz passiva) ou indeterminação.
"Se" (funções)
1Junto ao verbo (pronome)
VTD/VTDI → Partícula apassivadora
"Vendem-se casas"
VTI/VI/VL → Índice de indeterminação
"Precisa-se de funcionários"
Ação reflexa → Pronome reflexivo
"Ele se feriu"
2Iniciando oração (conjunção)
Substantiva → Conjunção integrante
"Não sei se ele virá"
Adverbial → Conjunção subordinativa
"Se chover, não sairei"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Partícula apassivadora exige verbo transitivo direto ou transitivo direto e indireto (VTD/VTDI), pois o "se" converte o objeto direto em sujeito paciente. Exemplo: "Vendem-se casas" (casas são vendidas). No trecho, "acreditar" é VTI (acredita-se em algo), e não há objeto direto para virar sujeito. Logo, não há voz passiva sintética. A banca oferece essa opção porque é a função mais comum do "se" e o candidato pode aplicá-la sem checar a transitividade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Conjunção integrante introduz uma oração subordinada substantiva (ex.: "Não sei se ele virá"). No trecho, o "se" está junto ao verbo "Acredita", e não iniciando uma oração. A oração subordinada é introduzida pelo "que" ("que, na cultura Chincha..."), que é a conjunção integrante. O "se" aqui é pronome apassivador ou IIS — nunca conjunção. Confundir o "se" pronome com o "se" conjunção é erro comum; o teste é ver se ele pode ser trocado por "isso" (conjunção) ou se acompanha o verbo (pronome).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Conjunção subordinativa adverbial inicia orações adverbiais (causais, condicionais, temporais etc.), como em "Se chover, não sairei". No trecho, o "se" não estabelece nenhuma circunstância (condição, causa, tempo) — ele está ligado ao verbo "Acredita", funcionando como parte da estrutura de indeterminação do sujeito. Não há oração adverbial; há uma oração principal com sujeito indeterminado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pronome reflexivo indica que o sujeito pratica e sofre a ação (ex.: "Ele se feriu"). No trecho, "Acredita-se" não expressa ação reflexiva — ninguém "acredita a si mesmo". O "se" não retoma um sujeito agente que também é paciente; ele apenas indetermina o sujeito. Além disso, o pronome reflexivo exerce função de objeto (direto ou indireto), o que não ocorre aqui.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O "se" é índice de indeterminação do sujeito (IIS) porque o verbo "acreditar" é transitivo indireto (quem acredita, acredita em algo) e está na 3ª pessoa do singular, sem sujeito explícito. A construção "Acredita-se que..." equivale a "As pessoas acreditam que..." ou "Acredita-se (por alguém) que..." — o sujeito é indeterminado. A regra é clara: com VTI, VI ou VL, o "se" é IIS e o verbo fica sempre no singular. Compare: "Precisa-se de funcionários" (VTI + IIS) versus "Vendem-se casas" (VTD + partícula apassivadora).
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na confusão entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. A chave é a transitividade: se o verbo pede objeto direto, é passiva; se pede preposição (VTI), é indeterminação. "Acreditar" exige "em" — logo, IIS.
PEGA ESSA DICA!
Ao classificar o "se", pergunte: o verbo é VTD/VTDI? Se sim, teste a passiva ("algo é acreditado" — não funciona). Se for VTI/VI/VL, é IIS. E desconfie de "conjunção" quando o "se" estiver colado ao verbo.