Questão de Português — Predicado — FUNDATEC 2019
- Código
- qa044604
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Pref São Borja
- Ano
- 2019
- Cargo
- Adv ( )
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.
“Sou eu que endoideço mais ou é esta cidade?”
Por Jackson César Buonocore
Coringa lembra mais um filme de terror, em que o pavor e a pulsão tomam conta do público do início ao fim da película. O diretor Todd Phillips nos surpreende como resgate da tradição do realismo social, um verdadeiro “reality show” de opressão e humilhação. A Gotham City é uma sinopse dos Estados Unidos, que recompensa os ricos, venera as celebridades, corta os serviços públicos e empurra os desvalidos para o crime. Arthur Flec k, nome do Coringa no filme , revela que a insanidade não está apenas nele, mas na divisão entre vencedores e perdedores.
Nos últimos 30 anos, o Coringa se transfigurou em um dos papéis mais istriônicos que um ator pode interpretar, permitindo-lhe fazer loucuras dramáticas para incorporar o personagem. Para encarnar o Coringa, Joaquin Phoenix perdeu 23 quilos e ensaiou durante quatro meses suas diferentes risadas cinistras. O filme é turbinado pelo show de interpretação de Phoenix, com uma atuação intensamente corporal, que converte Arthur em um personagem sombrio, que se maquia de palhaço, pinta o cabelo de verde e traz para fora de si o demente Coringa.
A agonia de Arthur, que não se expressa só em seu riso corrosivo, contém diversas tonalidades. De cada músculo do seu corpo esquálido é erigida uma coreografia elegante e sincronicamente patética. Coringa traz à baila a nossa insanidade social quando diz: “Sou eu que endoideço mais ou é esta cidade?”. O complexo de inferioridade é mecanismo de defesa criado por Arthur, que expõe o fato de viver em uma cidade injusta. Ele cuida da mãe enferma, sofre discriminação, passa por dificuldades econômicas e não tem relação com ninguém além da família. Por isso, Coringa se queixa à sua terapeuta após cometer o primeiro crime: “Durante toda a minha vida, eu não sabia se realmente existia, mas existo. E as pessoas estão começando a perceber”.
Assim, o Coringa revela que os indivíduos que foram submetidos às barbaridades desde a infância demonstram de maneira escandalosa suas experiências negativas, entre elas: depressão, ansiedade, transtornos alimentares, agressividade, compulsão por sexo, etc. A cidade é o contexto que torna o personagem violento, pois as cenas denunciam que os oprimidos se transformam em opressores e reproduzem o modo de vida de uma sociedade insana.
Portanto, o filme provoca um debate sobre a solidão, a violência física e psicológica, notadamente sobre a saúde mental, que é modelada por Gotham City, uma cidade fictícia marcada pela brutalidade, pela imundície e pela desordem, já que a loucura do Coringa é impregnada pela loucura do mundo. É por isso que o filme gerou polêmica nos Estados Unidos por glorificar a violência, em um país pródigo na ocorrência de vários atentados a tiros. Aliás, o longa -metragem nos mostra que é cada vez mais comum ver pessoas depressivas e ansiosas em grandes e médias cidades por causa de uma notória urbanização desigual.
Então, o palhaço interpretado por Phoenix deixa claro para os cinéfilos que o vilão sofre de transtornos psiquiátricos: ele toma remédios diferentes, cita ter sido internado num hospício, devaneia sobre uma relação que não teve e dá risadas destoantes de suas emoções. Por fim, o resultado compõe o retrato de um homem insano, com um grande complexo de Édipo, que se sente excluído pela sua cidade, ou seja, um drama que faz um link com a vida real de homens e mulheres que vagueiam pelas urbes adoecidas, cometendo doidices e crimes.
Texto adaptado. Disponível em: https://www.contioutra.com/coringa-so-eu-ou-esta-cidade-esta-ficando-cada-vez-mais-louca/
Da oração “A Gotham City é uma sinopse dos Estados Unidos”, o conteúdo sublinhado constitui o:
- AObjeto direto.
- BObjeto indireto.
- CComplemento nominal.
- DPredicativo do sujeito.
- EPredicativo do objeto.