Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — FUNDATEC 2019
- Código
- qa053088
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Pref Seberi
- Ano
- 2019
- Cargo
- Ag (Seberi)
YouTube, o paraíso da publicidade infantil
Que o YouTube é uma plataforma digital gigantesca, todo mundo sabe. E também que já existem muitas pessoas que tiram seu provento do dinheiro gerado pelas visualizações e propagandas em seus canais na rede. Ainda assim, não pude negar minha surpresa ao descobrir que o maior faturamento entre os youtubers ficou com um garoto de 7 anos de idade, o americano Ryan.
Dono do canal RyanToysReviews, ele e seus pais embolsaram US$ 22 milhões ao longo do último ano. O valor, que é exorbitante em qualquer contexto, vem de seus incontáveis vídeos, nos quais o garoto e seus progenitores aparecem brincando com diversos brinquedos recémlançados e comentando suas qualidades e defeitos. Seu canal, que desde 2015 acumula 17 milhões de inscritos e 26 bilhões (!) de visualizações, posta vídeos quase diariamente. Só na última semana foram sete.
Ignorando fatores como o tempo gasto pelo pequeno para gravar esses vídeos num ritmo de conteúdo diário, é surpreendente pensar que ele arregimentou a quantia milionária ao, basicamente, fazer propagandas para que crianças queiram comprar os mais variados brinquedos. E uma rápida pesquisa no YouTube mostra que seus pais não são os únicos a investir nesse filão.
Não acredita? É só procurar por um termo como “toys” (brinquedos, em inglês) e ver que existem canais como “ToyPudding TV” (12 bilhões de visualizações); “Super Kids Toys” (291 milhões); “Kids Diana Show” (4 bilhões) e CKN Toys (8 bilhões).
Os formatos são dos mais variados: alguns utilizam crianças para brincar com os produtos enviados — às vezes com vídeos patrocinados —, outros apenas mostram os brinquedos para adultos. Há até a categoria de “unboxing”, dedicada apenas a mostrar a abertura da caixa do brinquedo.
Em comum a todos está a fetichização de uma mercadoria para uma parcela da população altamente suscetível à publicidade. Ainda que o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor Idec seja contrário à propaganda infantil, e haja uma legislação que coíba a prática no Brasil, o grande truque desses canais é que eles fogem à classificação tradicional de publicidade para crianças.
Não são comerciais pagos pelas empresas de brinquedos nem têm mensagens explícitas convocando a compra do objeto x ou y. De certa maneira, funcionam quase como os desenhos animados dos anos 90 que buscavam vender video-games, jogos de cartas e outros tantos produtos. Que jovem daquela época não assistiu a Pokemon, Digimon ou algum programa similar?
O precedente histórico não muda o fato de que esses canais glorificam e promovem insistentemente brinquedos para as crianças na plataforma. E isso sem qualquer vernizartístico ou de entretenimento animado como os cartuns ou gibis.
As crianças, que ficam hipnotizadas pelos vídeos — quem já viu uma assistindo a esses canais sabe do que estou falando —, saem quase sempre interessadas ou clamando pelos brinquedos apresentados. O panorama não deve mudar: a legislação de regulação infantil varia muito de país para país, e o YouTube, com seu alcance global, passa ao largo de controle nesse quesito, ao contrário de canais de televisão ou revistas.
É de se imaginar que, no ano que vem, os pais de Ryan e de alguns outros astros mirins da rede tenham ainda mais ganhos para seu pé-de-meia generoso. Não faltará dinheiro para seus brinquedos. Cabe saber se teremos nós os meios necessários para presentear nossas crianças.
Texto especialmente adaptado para esta prova.
Daniel Salgado, Revista Época, 07/12/2018. Disponível em: https://epoca.globo.com
Considerando o emprego das palavras em contexto, assinale a alternativa que NÃO poderia substituir a palavra “provento” sob pena de alterar severamente o sentido original do texto:
- ALucro.
- BRendimento.
- CSalário.
- DÊxito.
- EFruto.