Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — FUNDATEC 2021
- Código
- qa341765
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Pref Vacaria
- Ano
- 2021
- Cargo
- Prof ( )
“Naziazeno mal percebe o que diz o motorneiro. um estribilho dentro do seu crânio:“Lhe dou mais um dia! tenho certeza’... Quase ritmado: ‘Lhe dou mais um dia! tenho certeza’ É que ele está-se fatigando nem resta dúvida. A sua cabeça mesmo vem-se enchendo confusamente de coisas estranhas como num meio sonho, de figuras geométricas, de linhas em triângulo, em que sempre um ponto doloroso de divergência... Tudo vai ter a esse ponto...Verdadeira obsessão. O sinal de campainha do interior do bonde leva-o repartição, campainha ao diretor repreensivo, e deste – ao leiteiro! Passa-se um momento de intervalo.Ouve-se depois uma palavra trivial; e nova ligação angulosa: o ‘sapato’ traz o sapato desemparceirado da mulher (o outro pé o sapateiro não quer soltar) e o todo reconstitui outra vez – o leiteiro! Decorre um certo tempo, longo talvez, em que a sua cabeça se vê riscada tumultuariamente das linhas mais inquietantes: o jardim que os seus olhos afloram e mal enxergam na disparada do bonde faz um traço como um plano antigo e ingênuo dum jardim para o filho, para o filho, ‘o pobre do nosso filho que não tem onde brincar’, que não pode ficar, Naziazeno, não pode ficar sem...’ ‘O leiteiro!... o leiteiro! Há, por vezes, um alívio. É só a existência vaga e dolorosa duma coisa que ele sabe que existe, como uma vasa, depositada no fundo da consciência, mas que não distingue bem, nem quer distinguir... um sofrimento confuso e indistinto pois... Logo, porém, cortam-se outra vez linhas nítidas,associações triangulares bem definidas.
(MACHADO, Dyonélio. Os ratos. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira: 1964 – fragmento)
- AÀ – à – à – à – à
- BHá – há – à – à – à
- CA – a – a – a – a
- DHá – a – à – a – à
- EA – há – à – à – a