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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — FUNDATEC 2022

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
qa371389
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM Capão da Canoa
Ano
2022
Cargo
Adv (CM Cp da Canoa)

Não é só futebol: a origem da rivalidade entre Brasil e Argentina

 

Por Alexandre Carvalho

 

Galvão Bueno compartilhou em suas redes sociais, nesta terça (22), um vídeo comemorando, às gargalhadas, a derrota da seleção da Argentina em sua estreia na Copa do Mundo do Qatar. E escreveu: “Ganhar é bom! Ganhar da Argentina é muito melhor!”

 

Bom, quem “ganhou” dos argentinos não foi a seleção brasileira, mas a da Arábia Saudita. Uma zebra, como se diz no futebol. Os vencedores da partida, aliás, representam um país governado por uma ditadura sanguinária, que recentemente ordenou o assassinato de um jornalista do Washington Post, proíbe igrejas e sinagogas, persegue homossexuais e restringe os direitos das mulheres. Mas, se foi contra a Argentina… “viva à Arábia Saudita!”.

 

A atitude do narrador da TV Globo não causa espanto nem significa que apoie ditadores. É parte de uma tradição de rivalidade entre Brasil e Argentina no futebol, como se fosse um Palmeiras x Corinthians sul-americano.

 

Mas essa animosidade não nasceu nos estádios. O historiador Boris Fausto, autor de Brasil e Argentina: Um Ensaio de História Comparada (1850-2002), explica que a rivalidade tem origem numa disputa geopolítica: “Começou no século 19, quando os dois países foram se configurando como os dois mais importantes do Cone Sul, com pretensões à hegemonia, à superioridade. E isso se cristalizou”.

 

Essa rixa foi tamanha que, no começo do século 20, os dois países chegaram a cortar relações diplomáticas. A hostilidade que emergiu com força dois séculos atrás tem motivos anteriores à nossa Independência – e é uma herança da disputa entre Portugal e Espanha pela América do Sul. Uma medição de forças que teve seu grande momento na Guerra da Cisplatina (1825–1828, aí já com o Brasil independente).

 

A tal da região da Cisplatina é o lugar onde hoje fica o Uruguai. Era meio que uma terra sem dono, então a Coroa Portuguesa, em 1680, autorizou a construção de um forte na margem oriental do Rio da Prata, criando a Colônia de Sacramento. Mas os espanhóis nunca concordaram com essa posse. Ao longo do século 18, diversos tratados foram feitos para tentar um acordo sobre a região, mas sem chegar a uma definição.

 

Quando D. João 6º transferiu a Corte portuguesa para cá, no começo do século 19, fugindo das tropas de Napoleão, estava indignado com o fato de a Espanha ter permitido que os franceses atravessassem as terras espanholas para invadir Portugal. Sua reação, então, foi ordenar a invasão de Sacramento e tomar posse de vez do território, que passou a ser chamado de Província da Cisplatina. Só faltou combinar com os moradores de lá, que não queriam muito papo com portugueses ou brasileiros.

 

Em 1825, o general Juan Antônio Lavalleja, da Cisplatina, liderou uma rebelião contra o Brasil e a favor da anexação de seu território à Província Unida do Rio da Prata (atual Argentina). Não passou batido ao governo brasileiro que os rebeldes locais contavam com apoio material e financeiro dos pré-argentinos. Resultado: guerra.

 

Nossas tropas tomaram uma surra na chamada Batalha de Ituzaingó, com a morte de 1.200 brasileiros. E a Coroa não tinha mais dinheiro para sustentar um conflito militar. O jeito foi aceitar a derrota para doer menos. Mas os argentinos também não tomaram posse do território. Quem ganhou foram os fundadores de um novo país.

 

Imediatamente depois dessa batalha, o Brasil topou ceder definitivamente a Cisplatina, que passou a ser chamada de República Oriental do Uruguai. Perdemos a guerra e ainda demos origem a um futuro adversário mais do que incômodo no futebol (os uruguaios conquistaram a primeira Copa do Mundo da história, em 1930, e a primeira realizada no nosso país, em 1950, deixando-nos com o vice-campeonato e o gosto amargo do Maracanazzo).

 

Mas a raiva permaneceu contra os argentinos mesmo assim. E vice-versa.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/nao-e-so-futebol-conheca-a-origem-da-rivalidade-entre-brasil-e-argentina/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

   

Assinale a alternativa que indica a correta função sintática exercida pela oração subordinada sublinhada no trecho a seguir: “Não passou batido ao governo brasileiro que os rebeldes locais contavam com apoio material”.

  1. APredicativo do Sujeito.
  2. BObjeto Direto.
  3. CObjeto Indireto.
  4. DComplemento Nominal.
  5. ESujeito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Sujeito.

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