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Questão de Português — Figuras de Linguagem — Quadrix 2022

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa374499
Banca
Quadrix
Órgão
CRA SC
Ano
2022
Cargo
Ag Adm ( )

Uma das situações mais desafiadoras na carreira de um cientista é tentar explicar o sistema de publicação científica para as pessoas em geral. Como justificar que pesquisadores entreguem seu trabalho de graça a editoras estrangeiras, que lucram cobrando pelo acesso a ele? Ou que, além de não cobrarem, eles às vezes paguem por isso?

 

Antes da Internet, editoras comerciais eram necessárias para divulgar trabalhos científicos: financiados por universidades ou governos, cientistas faziam pesquisa e atuavam como revisores de seus pares, delegando a tarefa de imprimir e distribuir artigos em papel a uma empresa que cobrava pelo produto para manter o negócio viável.

 

A rápida migração on-line das revistas científicas na virada do século parecia anunciar mudanças: em 1995, a Forbes previu que a Elsevier, maior editora científica do mundoc, seria a primeira vítima da Internet. Passados 25 anos, o braço técnico-científico do grupo RELX, conglomerado multinacional no qual a editora se transformou, registra um faturamento anual de mais de 2,6 bilhões de libras, com margens de lucro entre 30% e 40%. Tais custos são mantidos por bibliotecas universitárias e agências públicasb ao redor do mundo, que pagam somas cada vez mais vultosasd por artigos que suas próprias instituições produzem.

 

O absurdo de um sistema que bloqueia o acessoe a pesquisa feita com dinheiro público tem gerado apoio crescente ao modelo de acesso aberto, em que cientistas pagam uma taxa única para cobrir os custos de publicação do artigo e mantê-lo disponível. Recentemente, a União Europeia anunciou o Plan S, que determina que toda pesquisa financiada pelo bloco deve ser publicada nesse formato.

 

O resultado? Há alguns meses, a Nature, talvez a revista científica de maior prestígio no mundo, anunciou que seu preço para publicar um artigo em acesso aberto seria de 11.390 dólares. O valor equivale no Brasil a cerca de dois anos e meio de uma bolsa de doutorado. Quem em sã consciência gastaria dezenas de vezes mais para ter seu artigo na Nature?

 

A resposta? Quase todo mundo. Não porque cientistas sejam pouco zelosos com seus orçamentos, mas precisamente pelo contrário: artigos em revistas de prestígio são o motora que garante reputação, empregos e recursos de pesquisa no mundo acadêmico.

 

A consequência é uma economia de prestígio que permite às grandes revistas cobrarem o que bem entendem, além de obterem mão de obra gratuita de cientistas ansiosos por se associarem às suas marcas como revisores ou editores. Nesse mercado, não há espaço para renovação: mesmo concorrentes que ofereçam serviços melhores a um custo mais baixo levariam décadas para obterem a reputação de uma Nature ou uma Science.

 

Olavo Amaral. Publicação científica: um mercado de luxo? In: Folha de S. Paulo, 2021 (com adaptações).

Texto para a questão.

 

É empregada uma metáfora no trecho

  1. A“artigos em revistas de prestígio são o motor
  2. B“Tais custos são mantidos por bibliotecas universitárias e agências públicas”.
  3. C“maior editora científica do mundo”.
  4. D“somas cada vez mais vultosas”.
  5. E“O absurdo de um sistema que bloqueia o acesso”
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “artigos em revistas de prestígio são o motor

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