Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CPCP UTFPR 2022
- Código
- qa375478
- Banca
- CPCP UTFPR
- Órgão
- UTFPR
- Ano
- 2022
- Cargo
- CPCP - - Adm ( )
O ‘making off’ do ‘pout-pourri’
Sérgio Rodrigues
Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/
colunas/sergio-rodrigues/2022/02/o-making-off-do-pout-
pourri.shtml>
Acesso em 25 de fevereiro de 2022.
Quem hoje sofre ao ver a língua do dia a dia poluída por bijuterias anglófilas como “enderecei o problema”, “é sobre isso” e “call” talvez não saiba que, não faz tanto tempo, era da França que importávamos nossos brilharecos verbais.
(…)
Uma conclusão a que chegamos ao examinar mais de perto a francofilia recente de nossa imprensa é que ela representava uma tentativa meio desajeitada de democratizar o acesso a um conhecimento que, poucas décadas antes, fazia questão de excluir na cara dura a massa dos leitores.
Com todo o seu pedantismo e toda a sua jequice, salpicar francesices no texto como quem tempera generosamente um cassoulet já era, na minha infância, um avanço inclusivo.
A geração anterior de intelectuais brasileiros – inclusive os mais progressistas – gostava mesmo era de citar estrofes inteiras de Baudelaire sem tradução.
Traduzir para quê? Falar francês, privilégio de poucos, era o pedágio mínimo para entrar no papo. Classismo sempre foi coisa nossa.
Como se sabe, aquela onda francófila foi perdendo o élan até se quebrar, antes mesmo do fin de siècle, contra o imenso rochedo anglófilo que hoje é dominante na paisagem.
Agora o dernier cri – o último grito, aquilo que há de mais quente – é endereçar um problema no fim do dia. Hélas, vai passar também.
Para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.
Assinale a alternativa correta quanto ao posicionamento do autor frente às importações de línguas estrangeiras adotadas em português.
- AO autor lamenta que as importações da língua francesa tenham sido substituídas por palavras e expressões da língua inglesa na atualidade, pois aquelas eram mais inclusivas do que estas.
- BPara o autor, citar textos de autores consagrados, como Baudelaire, sem traduzi-los, é sinal de virtude intelectual e de ideias progressistas.
- CAo se referir a “bijuterias anglófilas” e “brilharecos verbais”, o autor sustenta que importações linguísticas deixam a língua mais ornada e elegante.
- DO emprego de palavras e expressões francesas ao longo do texto é uma forma sarcástica de criticar as importações linguísticas empregadas pela imprensa.
- EO autor acredita que, assim como as importações de língua francesa caíram em desuso, isso também irá ocorrer com as de língua inglesa, o que nos fará adotar novamente expressões francófonas em profusão.