Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2022
- Código
- qa375931
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRF PR
- Ano
- 2022
- Cargo
- Tec Info ( )
O cérebro humano pode funcionar como um clássico sistema binário, graças às características estruturais de suas proteínas responsáveis pelas sinapses cerebrais. É o que afirma o médico ucraniano Oleksandr Kostikov, pesquisador de sistemas moleculares do neocórtex humano.
Segundo o especialista, essa informação abre um leque de oportunidades para novos usos da inteligência artificial (IA), que é construída com complexos eletrônicos verticalmente controlados e opera usando algoritmos de complexidade variada. Um fator em comum nos sistemas de computação eletrônica é a centralização do controle.
Kostikov propõe a integração da IA com o cérebro humano para criar uma espécie de simbiose tecnológica, argumentando que esse pode ser o método mais rápido e efetivo de modernizar os sistemas inteligentes.
Ele prevê que o novo tipo de IA será um híbrido bioeletrônico, no qual um cérebro humano vivo e uma máquina trabalharão juntos em um sistema duplo complementar — ou seja, os neurônios poderão estar diretamente conectados a um computador. Ambos os componentes se reforçarão, criando algo completamente novo e inusitado.
Embora a descoberta seja promissora, ainda há poucas tentativas certeiras de criar uma interface para a nova tecnologia, sendo a Neuralink, de Elon Musk, uma das mais famosas. Segundo o médico, o fracasso desses projetos se deve ao fato de serem adotados os métodos tradicionais da cirurgia e do uso de cabos, que não são capazes de se adequar às individualidades de cada cérebro.
Para ele, a solução é um modelo em que as partes de transmissão e recepção da interface do neurocomputador estejam completamente separadas, quase como dois mecanismos de comunicação diferentes.
A recepção, responsável por registrar o sinal biológico, seria feita por uma rede de beacons (dispositivos emissores de Bluetooth) integrados às moléculas do cérebro e controlados remotamente por um scanner externo. Esses aparelhos emitem sinais na presença de uma atividade neurológica e podem ser aplicados por meio de uma injeção intravenosa, sem cirurgia. Isso permite que a experiência não seja invasiva ao organismo humano.
Já a transmissão seria realizada remotamente em uma outra rede de beacons, como registros de pontos de orientação (“endereços dos neurônios”) e fontes de feedback. Para funcionar com os dispositivos de Bluetooth, o sinal transmitido não deve ser de natureza eletrônica, o que permitirá gerar um sinal artificial idêntico ao impulso nervoso.
O cérebro e a máquina trocariam informações usando um conjunto de impulsos imediatos. Como resultado, mexer em um computador deixaria de ser uma simples interação com a tecnologia para se tornar um trabalho com a intuição. A adaptação mútua de componentes (cérebro e máquina) levará tempo para o usuário, mas permitirá ir além da barreira do idioma e até da alfabetização: diferentemente do que ocorre com os computadores modernos, mesmo uma pessoa que não saiba ler e escrever poderá usar o sistema de IA pessoal.
Como a inteligência artificial do futuro poderá se conectar ao cérebro.
17 jan. 2022. Internet: <epocanegocios.globo.com> (com adaptações).
Texto
De acordo com o texto,
- Acientistas estão desenvolvendo um híbrido bioeletrônico, que consiste em uma máquina construída com neurônios artificiais, de modo a simular um cérebro humano.
- Ba solução proposta de Kostikov para integrar a inteligência artificial com o cérebro humano ainda é problemática porque seria feita mediante procedimentos cirúrgicos agressivos.
- Co fato de o cérebro humano poder funcionar como um clássico sistema binário abre novas possibilidades de uso da inteligência artificial.
- Dna comunicação entre o cérebro e computador, como proposto por Kostikov, tanto a transmissão quanto a recepção da interface do neurocomputador envolveriam o uso de Bluetooth para enviar sinais eletrônicos.
- Ea tecnologia que permite que o cérebro humano se comunique com uma máquina é muito cara, razão pela qual apenas poucas empresas, como a de Elon Musk, têm investido nesse projeto.