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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2022

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa377021
Banca
Quadrix
Órgão
CRF PR
Ano
2022
Cargo
Farm Fisc ( )

A homeopatia!… Eu pensava como você; ou, pior ainda, não me dava ao trabalho de pensar coisa nenhuma a respeito. Não acreditava nem descria — não pensava no assunto e pronto. Mas um dia sobreveio o “estalo” e fiquei tonto. O meu Edgarzinho apareceu com uma doença no nariz. Isso na fazenda. Ele tinha 2 anos. Corro a Taubaté. Consulto os médicos locais. “O melhor é ver um especialista em São Paulo.” Vamos para São Paulo. “Quem é o baita para narizes?” J. J. da Nova. Vou ao Nova. Examina, cheira, fuça e vem com um grego: “Rinite atrófica. Só pode sarar lá pelos 18, 20 anos — mas vá fazendo umas insuflações com isso” e deu-me uma droga e um insuflador. Voltamos para Taubaté, muito desapontados. Dezoito anos! Mas minha casa lá era defronte à duma prima. Vou vê-la. Tenho de esperar na sala de visitas um quarto de hora. Em cima da mesa redonda está um livro de capa verde. Abro-o. “Bruckner, O médico homeopata.” Instintivamente procuro a seção Nariz. Leio conjuntos de sintomas. Um deles coincide com os sintomas da rinite do Edgard. Prescrição: “Mercurius”. Entra a prima. Conto o caso do menino e aquele encontro ali. “Vale alguma coisa isto de homeopatia?”, pergunto, cético. E ela: “Experimente. Não custa”. Quando saí passei pela farmácia. “Tem Mercurius?” Tinha. Comprei 5 tostões. “Almeida Cardoso — Rio.” Levo para casa. Falo à Purezinha. Sem fé nenhuma, dou automaticamente os carocinhos ao Edgard, mais do que mandavam as instruções. Cinco em vez de três. Depois, mais cinco. De noite, mais cinco. No dia seguinte, o milagre: todos os sintomas da rinite haviam desaparecido!… Mas sobreviera uma novidade: purgação nos ouvidos. Cheio de confiança, corro à casa da prima, atrás do livro de capa verde. Procuro “Ouvidos” e leio esta maravilha: “Às vezes sobrevem purgação no ouvido por abuso de Mercurius, e nesse caso o remédio é Sulfur”. Vou voando à farmácia. Compro Sulfur. Mais 500 réis. Dou Sulfur ao Edgard e pronto — sarou do ouvido! Sarou da Rinite, sarou de tudo! Preço da cura: 1.000 réis. Pela alopatia, em troca da não cura: várias consultas médicas, viagem a São Paulo, drogas insuflantes e aparelho insuflador — e a desesperança.

 

Que fazer depois disso, Rangel, senão mandar vir um livro de capa verde e uma botica com todas as homeopatias do Almeida Cardoso? Cem mil-réis custou-me, e desde então curo tudo. Curo tudo em casa e no pessoal da fazenda. Fiquei com fama de mágico. Vem gente dos sítios vizinhos. “Ouvi dizer que o senhor é um bom doutor que cura” — e curo mesmo.

 

Chega a vir até do município vizinho atrás dos “carocinhos mágicos”…

 

Monteiro Lobato. A barca de Gleyre.

São Paulo: Editora Globo, 2010 [1917].

Texto

   

De acordo com as ideias do texto, o narrador

  1. Atornou-se ainda mais cético quanto à eficácia da homeopatia após Edgard apresentar purgação no ouvido.
  2. Bpassou de fervoroso depreciador da homeopatia a vigoroso defensor dessa terapêutica.
  3. Cseguiu à risca as instruções para a administração de Mercurius, obtendo êxito no tratamento da rinite de Edgard.
  4. Dconsidera a alopatia um meio mais eficaz e mais barato de se obter a cura contra doenças.
  5. Eadquiriu o hábito de curar pessoas por meio de tratamento homeopático.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — adquiriu o hábito de curar pessoas por meio de tratamento homeopático.

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