Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CEV-URCA 2022
- Código
- qa377414
- Banca
- CEV-URCA
- Órgão
- Pref Juazeiro do N
- Ano
- 2022
- Cargo
- Dir Adm (SEDUC JN)
"O Pnae compra a comida da camponesa e dá de comer para família dela ao mesmo tempo"
Agricultura familiar e trabalho doméstico são ofícios que podem se misturar o todo tempo. Beneficiar a terra e limpar o quintal podem parecer a mesma coisa, mas não são. O bolo de fubá no forno, perfumando a casa toda, pode ir para o café da tarde da família, mas também para a escola do bairro. E para a mulher que bate a massa não representa a mesma coisa, ainda que um dos estudantes a comer esse bolo na escola seja o próprio filho da trabalhadora do campo. Um é o cuidado com a família, trabalho reprodutivo, e ainda hoje feito massivamente de graça pelas mulheres do campo e da cidade. O outro, trabalho produtivo, que significa dinheiro no bolso.
Michela Calaça, agrônoma e integrante do Movimento de Mulheres do Campo (MMC), explica que, não faz tanto tempo, boa parte da venda da agricultura familiar feita para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) saía no nome do dito chefe de família, quase sempre um homem, responsável por receber todo o dinheiro. A partir da organização e reivindicação das camponesas, as regras do programa mudaram, e toda a família passou a aparecer nos registros e pagamentos. O famoso salário suado pelo trabalho realizado. Um pedaço do bolo pode até ficar na mesa de casa, mas o que não fica vira renda para essa mulher.
Calaça conhece por dentro e de perto as formas como a "desigualdade se reproduz também dentro dos microcosmos, entre os trabalhadores do campo e na própria pobreza". E explica que, assim como na cidade, ter voz em sindicatos, movimentos sociais e cooperativas é uma tarefa monumental para as mulheres na roça. Além de agrônoma, é gestora, feminista e em setembro deste ano defendeu a tese de doutorado "Feminismo camponês popular: resistência e revolução", pesquisa que realizou pela Universidade Federal de Campina Grande. A universidade levou Michela Calaça para o movimento estudantil, de onde partiu para o movimento camponês e, dali, para o Movimento de Mulheres do Campo, o MMC. "Foi então que encontrei a reunião daquilo que acredito ser essencial para um país mais igual, que é a questão agrária e o feminismo, ambos a partir de uma perspectiva agroecológica", conta.
Trabalhou na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com a formação de camponesas, de forma que elas conseguissem vender para o Programa Nacional de Alimentos (PAA). Em 2015 e 2016, coordenou o programa de organização produtiva para mulheres rurais da diretoria de Políticas para as Mulheres, braço do Ministério do Desenvolvimento Agrário, extinto ainda em 2016 pelo governo de Michel Temer.
Em entrevista ao O Joio e O Trigo, Calaça conta sobre a importância de programas como o Pnae na vida das camponesas, e das camponesas para a vitalidade de programas como o Pnae. Afinal, em seus terrenos está o arroz para o almoço, mas, também, as folhas medicinais para as doenças. São mulheres que curam picadas e cultivam sementes. Porém se das mãos das "mulheres da roça"vai o alimento também dos filhos da cidade, a cidade e os governos estão deixando as camponesas na mão. Desde o início da pandemia, em março de 2020, quando as escolas foram fechadas e a distribuição de alimentação escolar ficou prejudicada, as produtoras do campo perderam renda, capacidade de produção e ficaram muito mais expostas à violência.
Mesmo assim, elas estão lá, "capinando, construindo plantações diversas, convertendo plantações convencionais em agroecológicas, se juntando a outras mulheres para vender biscoitos e colocando nos refeitórios das escolas comida sem veneno e com alto valor nutricional. Porque diferente do comércio puro e simples, a preocupação com a terra é a preocupação com a família e viceversa", afirma a agrônoma.
(SCORCE, Carol. Michela Calaça: "O Pnae compra a comida da camponesa e dá de comer para família dela ao mesmo tempo" Publicado em 28 de outubro de 2021. Disponível em https://ojoioeotrigo.com.br/2021/10/o-pnae-compra-comida-da-camponesa-e-da-de-comer-para-familia-dela-ao-mesmo-tempo/ . Texto adaptado)
(SEDUC-JN/2022) Considerando o texto a seguir, assinale a assertiva que contém a afirmativa correta:
Michela Calaça, agrônoma e integrante do Movimento de Mulheres do Campo (MMC), explica que, não faz tanto tempo, boa parte da venda da agricultura familiar feita para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) saía no nome do dito chefe de família, quase sempre um homem, responsável por receber todo o dinheiro. A partir da organização e reivindicação das camponesas, as regras do programa mudaram, e toda a família passou a aparecer nos registros e pagamentos. O famoso salário suado pelo trabalho realizado. Um pedaço do bolo pode até ficar na mesa de casa, mas o que não fica vira renda para essa mulher.
(SCORCE, Carol. Michela Calaça: "O Pnae compra a comida da camponesa e dá de comer para família dela ao mesmo tempo" Publicado em 28 de outubro de 2021. Disponível em https://ojoioeotrigo.com.br/2021/10/o-pnae-compracomida- da-camponesa-e-da-de-comer-para-familia-dela-ao-mesmo-tempo/ . Texto adaptado)
- AOs homens vivenciavam a contradição entre agricultura familiar e trabalho doméstico, antes de as regras do PNAE mudarem e não tinham acesso à renda própria.
- BAs mulheres vivenciavam a contradição entre agricultura familiar e trabalho doméstico, por isso lutaram para as regras do PNAE mudarem, mesmo que sempre tenham tido acesso à renda própria.
- COs homens vivenciam a contradição entre agricultura familiar e trabalho doméstico, depois que as regras do PNAE mudaram, tendo perdido o acesso à renda própria.
- DOs homens e as mulheres vivenciavam a contradição entre agricultura familiar e trabalho doméstico, antes de as regras do PNAE mudarem, mas nunca tiveram acesso à renda própria.
- EAs mulheres continuam a vivenciar a contradição entre agricultura familiar e trabalho doméstico, mesmo depois de as regras do PNAE mudarem, mas agora podem ter acesso à renda própria.