Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — Avança SP 2026
Português›Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa388480
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Votorantim
Ano
2026
Cargo
Aux (Votorantim)
O quanto da sua vida é baseado na internet?
WhatsApp, Instagram, Pinterest. Twitter, para alguns. Facebook virou coisa “de gente velha”. Snapchat ainda existe? Tumblr pra ler, Spotify para ouvir, YouTube para assistir; tantos blogs nessas interwebs que já nem dá pra contar – nunca deu, na verdade.
Eu sei que parece hipócrita uma crônica num blog, dentro da internet, fazer uma análise sobre como vivemos aqui na web. Mas, ei, é pra isso que estamos aqui! Se não pudermos usar do ciberespaço para criticar o uso do próprio por nós mesmos, qual o ponto?
Enquanto conversava com um amigo de infância – nos conhecemos desde a sexta série – comentamos sobre como estão alguns de nossos colegas do ensino médio, até que foi mencionado que há muito não via um deles pessoalmente. “A gente acha que ver as pessoas na internet é o suficiente, né?”, disse ele, após rir. Depois que ele foi embora, coloquei-me a pensar nessa frase. Desde a faculdade que estudo sobre internet e suas nuances, então, frases e discussões do tipo sempre ficam martelando na minha cabeça.
E aí, pensei naquele clichê que já falamos mil vezes e, ainda assim, insistimos em não levar a sério. O quanto da sua vida é baseado no que se vê na internet? O quanto você mostra ou deixa de mostrar nas fotos do Instagram, nos tweets, nos stories? (...)
E, de novo, parece clichê, parece óbvio, mas por que a gente não se escuta? Por que é tão difícil deixar o celular para ler um bom livro? Apreciar uma ida a uma praça, o tempo com alguém querido ou até mesmo um tempo de ócio consigo mesmo? (...)
VALADARES, Thiarlley. O quanto da sua vida é baseado na internet? Apenas fugindo. Disponível em <https://www.apenasfugindo.com/2020/01/cronica-o-quanto-da-sua-vida-e-baseado.html>.
Leia o texto a seguir para responder à questão
“E, de novo, parece clichê, parece óbvio, mas por que a gente não se escuta?” A expressão destacada no trecho acima pode ser reescrita corretamente como:
Aqual o por quê de a gente não se escutar?
Ba gente não se escuta porque?
Ca gente não se escuta porquê?
Da gente não se escuta por quê?
Ea gente não se escuta por que?
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GabaritoD — a gente não se escuta por quê?
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Uso dos Porquês: Reescrita de "por que" em Interrogativa Indireta
Gabarito: letra D. A expressão "por que" no trecho original é uma interrogativa indireta (pergunta sem ponto de interrogação), equivalendo a "por qual motivo". Na reescrita, a banca transforma a frase em interrogativa direta (com ponto de interrogação), e como o "que" fica em final de período, a forma correta é "por quê" (separado e com acento circunflexo). A alternativa D é a única que preserva o sentido de pergunta e aplica a regra de acentuação para o "que" em posição final.
O Comando: Reescrita com Correção Gramatical
O enunciado pede uma reescrita da expressão destacada, mantendo o sentido original. Isso exige duas habilidades: (1) reconhecer o valor semântico de "por que" no contexto (pergunta indireta) e (2) aplicar a regra ortográfica dos "porquês" à nova estrutura. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada — a resposta depende da função sintático-semântica da expressão e da posição que ela ocupa na frase reescrita.
O Texto: A Pergunta Retórica do Autor
No trecho, o autor faz uma reflexão: "E, de novo, parece clichê, parece óbvio, mas por que a gente não se escuta?". A expressão "por que" introduz uma pergunta indireta — não há ponto de interrogação, mas a intenção interrogativa é clara. O autor questiona o motivo de as pessoas não se ouvirem. Ao reescrever, a banca transforma essa pergunta indireta em uma pergunta direta (com ponto de interrogação), o que altera a posição do "que" e, consequentemente, a forma correta.
A Regra dos Porquês: O Que Decide a Questão
A gramática normativa estabelece quatro formas, cada uma com função específica:
Forma
Função
Exemplo
Por que
Interrogativo (direto ou indireto), equivalendo a "por qual motivo"; ou preposição + pronome relativo
"Por que você saiu?" / "Não sei por que ele foi."
Porque
Conjunção causal ou explicativa
"Saí porque estava cansado."
Por quê
Interrogativo em final de frase, com acento
"Você saiu, por quê?"
Porquê
Substantivo, sinônimo de "motivo"
"Quero saber o porquê."
No trecho original, "por que" é interrogativo indireto (sem ponto de interrogação). Na reescrita, a banca transforma em interrogativa direta, e o "que" fica em final de período — por isso, recebe acento circunflexo: "por quê". A alternativa D é a única que aplica essa regra corretamente.
Porquês: Por que (Interrogativo (direto/indireto), "por qual motivo"); Porque (Conjunção causal/explicativa); Por quê (Interrogativo em final de frase, Acento circunflexo); Porquê (Substantivo (motivo))
Análise das Alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: A forma "por quê" está correta, mas a estrutura "qual o por quê" transforma a pergunta em uma indagação sobre o motivo (substantivo), não em uma pergunta direta sobre a razão. Além disso, "por quê" aqui funciona como substantivo, o que altera o sentido original. O texto pergunta "por que a gente não se escuta?" (por qual motivo), não "qual é o motivo?". A reescrita muda o foco da pergunta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: "porque" é conjunção causal/explicativa, usada em respostas ou explicações, não em perguntas. A frase "a gente não se escuta porque?" não faz sentido como pergunta — soaria como uma resposta incompleta. O sentido original é interrogativo, não explicativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: "porquê" é substantivo, sinônimo de "motivo", e normalmente vem antecedido de artigo ou determinante. Na frase "a gente não se escuta porquê?", o termo não funciona como substantivo, e a ausência de artigo torna a construção agramatical. Além disso, o sentido de pergunta não é preservado.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta: A forma "por quê" (separado e com acento) é usada em final de frase interrogativa, exatamente como na reescrita. O sentido de pergunta é mantido, e a regra de acentuação é aplicada corretamente. A frase "a gente não se escuta por quê?" é uma interrogativa direta, equivalente a "por qual motivo a gente não se escuta?".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: "por que" (separado e sem acento) é usado em perguntas diretas ou indiretas, mas não em final de frase. Quando o "que" fica em posição final, deve receber acento circunflexo. A alternativa E ignora essa regra, resultando em "a gente não se escuta por que?", que é agramatical.
Conclusão
A questão testa o domínio das quatro formas de "porquê" e a capacidade de aplicar a regra de acentuação em reescritas. A alternativa D é a única que preserva o sentido interrogativo e aplica corretamente a forma "por quê" em final de frase. Gabarito: letra D.
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever uma pergunta indireta em direta, observe a posição do "que": se estiver em final de período, use "por quê" com acento. Se estiver no meio, use "por que" sem acento.