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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2026

PortuguêsCrase
Código
qa388566
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Jaguari (RS)
Ano
2026
Cargo
Prof ( )

O lixo não começa na lixeira

 

Por Jaques Paes

 

“Faça sua parte”. A frase, repetida à exaustão em campanhas ambientais, virou mantra cívico do nosso tempo. O apelo ......... consciência do consumidor está por toda parte: no rótulo reciclável, na embalagem “amiga do planeta”, no selo verde que defende a ideia de sustentabilidade do produto. É sedutor dizer que cada escolha de consumo conta. Mas essa lógica, que parece empoderadora, é também conveniente. Desloca o foco da responsabilidade para o fim da cadeia e transforma um problema sistêmico em questão de comportamento individual.

 

Estímulos, excesso de oferta, infraestrutura precária e práticas padronizadas de mercado são fatores estruturais. Ainda assim, a cobrança recai sobre o consumidor – como se ele tivesse liberdade plena de escolha ou controle sobre o ciclo do produto. Boa parte do lixo que geramos já nasce com data marcada para o descarte. Foi pensado assim, produzido assim, vendido assim. Nas palavras de Jean Baudrillard, não compramos o objeto em si, mas sua representação – um valor simbólico. No “produto sustentável”, compramos ........ ideia de fazer a coisa certa. Essa lógica simbólica caminha junto a um dilema ético. Num mundo onde a cidadania se expressa pelo consumo, a responsabilidade torna-se acessível para quem pode pagar – e inalcançável para quem não pode. Quando vira atributo de mercado, a ética deixa de ser crítica e vira vitrine; a moral, absorvida pela lógica da oferta e da demanda.

 

A Política Nacional de Economia Circular tenta reverter esse quadro. Prevê incentivos ........ reutilização, selos de sustentabilidade, compras públicas e fóruns com participação social. Mas isso não enfrenta a pergunta incômoda: quem, de fato, é o responsável pelo lixo que produzimos? Indivíduos. Essa é a resposta fácil – afinal, somos nós que consumimos, descartamos, desperdiçamos. Depois vêm as empresas, que projetam produtos de vida útil curta e embalagens excessivas; os governos, que falham em prover regulação e infraestrutura; e o setor de resíduos, que opera no limite. Mas tratar o indivíduo como causa isola mal o problema e empobrece a análise. Seu comportamento não surge no vácuo: é moldado por estímulos, escassez de alternativas, padrões industriais e ausência de infraestrutura. Responsável? Sim. Mas não sozinho. Culpado? Não exatamente.

 

Responsabilizar só o consumidor pressiona quem compra, mas poupa quem projeta. Separar o lixo em casa é nobre. Levar tudo no mesmo caminhão ao mesmo lixão, nem tanto. O lixo não começa na lixeira. Reduzir, reutilizar e reciclar seguem válidos – mas exigem um passo anterior: recusar. Recusar a lógica que nos transforma em clientes de um problema que não criamos.

 

Levantamentos recentes mostram que a maior parte dos resíduos vem da indústria – insumos, processos, embalagens. O design, com obsolescência programada, materiais não recicláveis e excesso de volume, amplia o problema. E a ausência de políticas públicas sólidas apenas o reforça. Talvez a pergunta que nos reste não seja “o que você tem feito pelo planeta?”, mas: — Por que colocaram justamente você para consertar isso?

 

(Disponível em: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2025/10/o-lixo-nao-comeca-na-lixeira.ghtml–

texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas no texto.

  1. Aa – a – a
  2. Bà – a – a
  3. Ca – à – à
  4. Dà – à – à
  5. Eà – a – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — à – a – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preenchendo as lacunas do texto

Gabarito: letra E. A sequência correta é à – a – à, pois a primeira e a terceira lacunas exigem crase (fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a"), enquanto a segunda lacuna não admite crase (verbo transitivo direto). Como se lê no texto: "O apelo à consciência do consumidor" e "Prevê incentivos à reutilização".

O comando da questão

O enunciado pede que você preencha as lacunas com a forma correta (com ou sem crase). Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta decorar regras, é preciso analisar cada lacuna no contexto em que aparece, verificando se há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com pronome demonstrativo).

O texto e as lacunas

O texto discute a responsabilidade sobre o lixo, criticando a transferência do problema para o consumidor. As lacunas estão em trechos específicos que precisam ser analisados individualmente:

  1. "O apelo ......... consciência do consumidor" — quem faz apelo, faz apelo a algo. O termo "consciência" é feminino e está determinado pelo artigo "a". Logo, temos preposição + artigo = crase (à).

  1. "compramos ......... ideia de fazer a coisa certa" — o verbo "comprar" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. O termo "ideia" é feminino, mas sem preposição não há crase (a).

  1. "Prevê incentivos ......... reutilização" — quem prevê incentivos, prevê incentivos a algo. O termo "reutilização" é feminino e está determinado pelo artigo "a". Logo, temos preposição + artigo = crase (à).

A técnica que decide

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para saber se há crase, você deve:

  1. Verificar se o termo regente exige a preposição "a".

  2. Verificar se o termo regido é feminino e admite o artigo "a".

  3. Se ambos ocorrerem, há crase.

No caso da segunda lacuna, o verbo "comprar" é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. Portanto, não há crase, mesmo que o termo "ideia" seja feminino.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o verbo "comprar" (transitivo direto, sem preposição) e verbos que exigem preposição. Muitos candidatos marcam crase na segunda lacuna por pensar que "ideia" é feminino, esquecendo que a crase exige a preposição.

PEGA ESSA DICA!

Sempre teste a crase substituindo o termo feminino por um masculino. Se a construção ficar "ao", há crase; se ficar "ao" sem sentido, não há. Ex.: "O apelo ao consumidor" (masculino) → "O apelo à consumidora" (feminino, com crase).

Análise das alternativas

1Exige preposição "a"
Termo regente pede "a"
Termo regido feminino com artigo
2Teste do masculino
"ao" → há crase
sem "ao" → não há
3Casos do texto
"apelo à consciência" (preposição + artigo)
"compramos a ideia" (verbo transitivo direto)
"incentivos à reutilização" (preposição + artigo)
Crase (fusão a + a)
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Crase (fusão a + a): Exige preposição "a" (Termo regente pede "a", Termo regido feminino com artigo); Teste do masculino ("ao" → há crase, sem "ao" → não há); Casos do texto ("apelo à consciência" (preposição + artigo), "compramos a ideia" (verbo transitivo direto), "incentivos à reutilização" (preposição + artigo))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência a – a – a erra na primeira e na terceira lacunas, pois ambas exigem crase. A primeira lacuna tem preposição "a" (apelo a algo) + artigo "a" (consciência) = crase. A terceira lacuna tem preposição "a" (incentivos a algo) + artigo "a" (reutilização) = crase.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência à – a – a acerta na primeira e na segunda lacunas, mas erra na terceira, que exige crase (incentivos à reutilização).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência a – à – à erra na primeira lacuna (deveria ser "à") e na segunda (deveria ser "a", pois "comprar" é transitivo direto).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência à – à – à erra na segunda lacuna, pois "comprar" é transitivo direto e não exige preposição, logo não há crase.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência à – a – à está correta: primeira lacuna com crase (apelo à consciência), segunda sem crase (compramos a ideia), terceira com crase (incentivos à reutilização).

Conclusão: A questão testa a aplicação da crase em contextos específicos. A chave é identificar a regência verbal: "apelo a" e "incentivos a" exigem preposição, enquanto "comprar" não exige. Lembre-se: crase é a fusão de preposição + artigo, e ambos devem estar presentes.

Gabarito: letra E

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