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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa388569
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Jaguari (RS)
Ano
2026
Cargo
Prof ( )

Em defesa do dicionário

 

Por William Campos da Cruz

 

Quando foi a última vez que você abriu um dicionário e leu um verbete inteiro? O que você costuma fazer quando se depara com palavras desconhecidas num texto que está lendo? Você já desistiu de alguma leitura apenas por causa das dificuldades lexicais? Que importância você dá à riqueza vocabular dos livros que lê?

 

Consulto dicionários desde muito cedo. Lembro-me da primeira vez em que percebi de maneira consciente seu poder emancipador. Na sexta série (atual sétimo ano) do Ensino Fundamental, terminei uma prova cedo demais e a professora me deu um texto para ler enquanto aguardava o sinal do intervalo. Como topei com uma palavra que ignorava, chamei a professora para perguntar-lheI) o significado. Evidentemente, ela estava ocupada supervisionando os alunos que faziam prova e, por isso, foi até a sua bolsa, sacou um dicionário e deixou-o em minha carteira.

 

Aqueles minutos marcaram minha vida para sempre. Talvez sem nem se dar conta, a professora apresentou-me uma poderosa ferramenta de emancipação intelectual. Com o dicionário em punho, eu não precisava temer textos compostos por palavras desconhecidas. Eu tinha ali, à minha disposição, uma ferramenta capaz de tornar o desconhecido conhecido, o ininteligível inteligível, e o impossível difícil – difícil, mas possível.

 

Os anos se passaram e me tornei revisor de textos e, mais tarde, tradutor. Os dicionários fazem parte de minha rotina diária. Consulto-osII) todos os dias, dezenas de vezes. Para conferir a ortografia, para consultar uma regência, para descobrir se uma palavra já conhecida não está sendo empregada numa acepção incomum, para ver exemplos de uso literário dessas palavras. Além de tudo isso, os dicionários também nos ajudam a descobrir a etimologia das palavras, a separação silábica e a classe a que determinada palavra pertence.

 

Os benefícios são tantos que mal consigo acreditar que as pessoas abram mão de uma ferramenta tão poderosa e se entreguem tão facilmente a uma leitura adivinhada. Não nego que, com frequência, seja perfeitamente possível inferir o sentido de uma palavra com base no contexto; mas esteIII) é um recurso perigoso.

 

Não usei a palavra “adivinhada” à toa. É isso que muitas pessoas fazem. É por issoIII) também, aliás, que às vezes parece que duas pessoas leram textos diferentes. Cada um atribuiu às palavras o sentido que lhes veio à cabeça.

 

Consultar o dicionário não é uma chatice que interrompe o curso da leitura; é, na verdade, um indício de que você está lendo com a inteligência desperta a ponto de distinguir as coisas que você entende das que não entende, as coisas que você conhece das coisas que não conhece.

 

A mesma professora dizia também que o dicionário não é o pai dos burros; é a mãe dos inteligentes. É necessário ter alguma inteligência para procurar saciar a sede de saber. Quem tem sede, vá ao dicionário e sacie-se.

 

(CRUZ, William Campos da. Tudo converge para o texto: gramática, escrita e leitura. 1ª ed. - Rio de Janeiro:

Eleia Editora, 2024 – texto adaptado especialmente para esta prova).

Em relação aos mecanismos de coesão referencial, analise as assertivas abaixo:

 

I. O pronome oblíquo “lhe” retoma o termo “professora”.

 

II. O pronome oblíquo “os” retoma o termo “dicionários”.

 

III. Os pronomes demonstrativos “este” e “isso” exercem uma função coesiva anafórica.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: pronomes e seus referentes — Gabarito: letra E.

Gabarito: letra E. As três assertivas estão corretas: o pronome oblíquo “lhe” retoma “professora”; o pronome “os” retoma “dicionários”; e os demonstrativos “este” e “isso” exercem função coesiva anafórica, pois retomam informações já mencionadas no texto. A questão é de coesão referencial — mecanismo que evita repetições ao retomar termos anteriores — e cada pronome aponta para um referente específico, como se prova nos trechos citados abaixo.

O comando e o método

O enunciado pede que você analise assertivas sobre mecanismos de coesão referencial. Isso significa que a tarefa é identificar o referente de cada pronome e classificar a função coesiva (anafórica, catafórica ou exofórica). Não há inferência nem interpretação subjetiva: a resposta está literalmente no texto, na relação entre o pronome e o termo que ele retoma. O método é simples: para cada pronome, pergunte “a que termo ele se refere?” e “esse termo veio antes ou depois?”.

O texto e a localização da resposta

O texto narra a experiência do autor com dicionários. No segundo parágrafo, ele conta que, ao encontrar uma palavra desconhecida, chamou a professora para perguntar-lhe o significado. A professora, ocupada, pegou um dicionário e o deixou em sua carteira. No terceiro parágrafo, ele afirma que os dicionários fazem parte de sua rotina e que os consulta todos os dias. No quarto parágrafo, ele discute a leitura “adivinhada” e o recurso de inferir sentido pelo contexto, chamando-o de “perigoso”. É nesses trechos que moram os referentes dos pronomes.

A técnica que decide: anáfora × catáfora × dêixis

A coesão referencial ocorre quando um elemento linguístico (pronome, advérbio, sinônimo) retoma ou antecipa outro termo. Quando o elemento retoma algo que já foi dito, temos anáfora (função anafórica). Quando antecipa algo que ainda será dito, temos catáfora (função catafórica). Quando se refere a elementos fora do texto (tempo, espaço, situação), temos dêixis (função exofórica). A banca cobra exatamente essa distinção: os pronomes “este” e “isso” retomam informações anteriores, logo são anafóricos.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de coesão referencial, grife o pronome e pergunte “a que termo ele se refere?”. Se o termo estiver antes, é anáfora; se estiver depois, é catáfora. Essa pergunta resolve 90% das questões.

1Anáfora
Retoma termo anterior
Ex.: "lhe" → professora
Ex.: "os" → dicionários
Ex.: "este"/"isso" → ideia já dita
2Catáfora
Antecipa termo posterior
3Dêixis
Refere-se a elemento fora do texto
Coesão referencial
LEVELsoulevel.com.br
Coesão referencial: Anáfora (Retoma termo anterior, Ex.: "lhe" → professora, Ex.: "os" → dicionários, Ex.: "este"/"isso" → ideia já dita); Catáfora (Antecipa termo posterior); Dêixis (Refere-se a elemento fora do texto)

Item I — ✅ Correto

“chamei a professora para perguntar-lhe o significado”

O pronome oblíquo “lhe” é um pronome pessoal oblíquo que funciona como objeto indireto (perguntar a alguém). No trecho, o verbo “perguntar” pede complemento com a preposição “a”: pergunta-se a alguém. O único termo feminino singular que pode ser o destinatário da pergunta é “professora”. Portanto, o item I está correto: “lhe” retoma “professora”.

Item II — ✅ Correto

“Consulto-os todos os dias, dezenas de vezes.”

O pronome oblíquo “os” é um pronome pessoal oblíquo que funciona como objeto direto (consultar algo). No parágrafo anterior, o autor afirma: “Os dicionários fazem parte de minha rotina diária.” O pronome “os” retoma exatamente “dicionários”, evitando a repetição da palavra. Portanto, o item II está correto: “os” retoma “dicionários”.

Item III — ✅ Correto

“Não nego que, com frequência, seja perfeitamente possível inferir o sentido de uma palavra com base no contexto; mas este é um recurso perigoso.”

O pronome demonstrativo “este” retoma a ideia de “inferir o sentido de uma palavra com base no contexto”, mencionada anteriormente. Trata-se de uma anáfora, pois o referente já foi dito.

“É por isso também, aliás, que às vezes parece que duas pessoas leram textos diferentes.”

O pronome demonstrativo “isso” retoma a ideia de “leitura adivinhada”, mencionada no parágrafo anterior (“Não usei a palavra ‘adivinhada’ à toa. É isso que muitas pessoas fazem.”). Novamente, temos anáfora, pois o referente já foi mencionado. Portanto, o item III está correto: ambos os demonstrativos exercem função coesiva anafórica.

Conclusão

As três assertivas estão corretas: “lhe” retoma “professora”, “os” retoma “dicionários”, e “este” e “isso” são anafóricos. A alternativa que reúne os três itens é a letra E.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre anáfora (retoma o que veio antes) e catáfora (antecipa o que virá depois). Os demonstrativos “este” e “isso” podem ser catafóricos em outros contextos, mas no texto eles retomam informações anteriores — por isso são anafóricos. Não se deixe levar pela regra geral; sempre confira o referente no texto.

Gabarito: letra E — I, II e III estão corretas.

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