Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2026
Português›Figuras de Linguagem
Código
qa388600
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Jaguari (RS)
Ano
2026
Cargo
Prof ( )
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Para responder à questão, considere o poema a seguir: Considerando o excerto abaixo, retirado do poema, assinale a alternativa que identifica a figura de linguagem empregada. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato.
AHipérbole.
BSinestesia.
CAnacoluto.
DAnáfora.
EMetonímia.
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GabaritoD — Anáfora.
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Anáfora no poema "O Bicho" — Gabarito: letra D.
A figura de linguagem empregada no trecho é a anáfora, pois há a repetição da estrutura "Não era um" no início de três versos consecutivos. Essa repetição intencional de palavras no começo de cada verso é a definição clássica de anáfora, uma figura de sintaxe que reforça a negação e cria um ritmo de suspense, culminando na revelação impactante do último verso: "O bicho, meu Deus, era um homem."
"O bicho não era um cão,\nNão era um gato,\nNão era um rato."
A repetição de "Não era um" no início de cada verso é a marca inequívoca da anáfora. O efeito é cumulativo: cada negação elimina uma possibilidade, preparando o leitor para a surpresa final. A banca testa o conhecimento das figuras de linguagem, exigindo que o candidato identifique o recurso estilístico predominante no excerto.
O Comando
A questão pede para identificar a figura de linguagem empregada no trecho. Isso é uma tarefa de conceito e reconhecimento: é preciso saber a definição de cada figura listada nas alternativas e verificar qual delas se materializa no texto. Não se trata de interpretar o sentido do poema, mas de reconhecer um recurso expressivo específico.
O Texto
O poema "O Bicho", de Manuel Bandeira, descreve a degradação de um ser humano que, na miséria, age como um animal. O trecho destacado é o clímax da revelação: o eu lírico nega que a criatura seja um cão, um gato ou um rato, para então chocar o leitor com a verdade. A anáfora aqui não é um mero ornamento; ela constrói o suspense e amplifica o impacto da última estrofe.
A Técnica
Anáfora é a repetição de uma mesma palavra ou expressão no início de versos, orações ou frases consecutivas. É uma figura de sintaxe (ou de construção) que cria ritmo, coesão e ênfase. No trecho, a expressão "Não era um" se repete no início de três versos, configurando exatamente esse padrão.
As demais figuras:
Hipérbole: exagero intencional (ex.: "morrer de rir"). Não há exagero aqui; há negação.
Sinestesia: mistura de sensações de sentidos diferentes (ex.: "perfume doce e quente"). Não há mistura de sensações.
Anacoluto: quebra da estrutura sintática, deixando um termo solto (ex.: "Eu, não sei o que fazer"). A estrutura está correta e completa.
Metonímia: substituição de um termo por outro com relação de proximidade (ex.: "li Machado de Assis" = obra pelo autor). Não há substituição.
1Há repetição?
2Há exagero?
3Há substituição?
4Há quebra sintática?
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Hipérbole é o exagero intencional para enfatizar uma ideia. No trecho, não há exagero: o eu lírico apenas nega que o bicho seja um cão, um gato ou um rato. A negação é literal, não hiperbólica. A banca oferece essa opção para testar se o candidato confunde a repetição enfática com exagero.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sinestesia é a fusão de sensações de diferentes sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato). No trecho, não há qualquer associação de sensações; há apenas a negação de identidades animais. A alternativa é um distrator clássico para quem não domina a definição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Anacoluto é a quebra da estrutura sintática, deixando um termo sem função na oração (ex.: "Eu, não sei o que fazer"). No trecho, a estrutura é completa e correta: "O bicho não era um cão" (sujeito + verbo + predicativo). Não há termo solto nem quebra sintática.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Anáfora é a repetição de uma palavra ou expressão no início de versos ou orações consecutivas. No trecho, "Não era um" se repete no início de três versos, configurando exatamente esse padrão. A repetição cria ritmo e ênfase, reforçando a negação e preparando o clímax do poema.
"O bicho não era um cão,\nNão era um gato,\nNão era um rato."
A repetição de "Não era um" é a marca inequívoca da anáfora. Cada negação elimina uma possibilidade, criando suspense para a revelação final.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Metonímia é a substituição de um termo por outro com relação de proximidade ou contiguidade (ex.: "li Machado de Assis" = obra pelo autor; "bebi um copo" = conteúdo pelo recipiente). No trecho, não há substituição; há repetição de uma estrutura. A alternativa testa se o candidato confunde repetição com substituição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece figuras de palavras (hipérbole, sinestesia, metonímia) e uma figura de sintaxe (anacoluto) para desviar a atenção da anáfora, que é uma figura de construção. A chave é reconhecer o padrão de repetição no início dos versos.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar figuras de linguagem, pergunte: há repetição? (anáfora, aliteração, assonância); há exagero? (hipérbole); há substituição? (metonímia, metáfora); há quebra sintática? (anacoluto). A resposta está no padrão estrutural do trecho.