Tipologia textual: sequência discursiva predominante
Gabarito: letra E. O texto da Anvisa é expositivo/informativo: sua finalidade central é informar o leitor sobre a proibição de medicamentos sem registro, e não defender uma tese ou persuadir. A alternativa E acerta ao dizer que o texto "apresenta uma informação e exemplificação que corroboram para compreensão textual", o que se confirma na passagem: "Anvisa recentemente publicou resoluções proibindo a fabricação, a distribuição, a importação, a comercialização, a propaganda e o uso de alguns medicamentos agonistas de GLP‑1". As demais alternativas erram ao classificar o texto como argumentativo, injuntivo ou explicativo, confundindo a finalidade do texto com a forma de alguns trechos.
O comando da questão
O enunciado pede para identificar a sequência discursiva predominante com base na finalidade central do texto e em sua disposição interna. Isso significa que a resposta deve considerar a intenção comunicativa do autor (informar, convencer, instruir, narrar, descrever) e não apenas a presença de elementos isolados. A banca quer que o candidato distinga o tipo textual predominante — aquele que dá o tom geral do texto — dos demais tipos que podem aparecer de forma secundária.
O texto: finalidade informativa
O texto da Anvisa tem como objetivo informar o público sobre a proibição de medicamentos sem registro sanitário. Isso fica claro logo no primeiro parágrafo:
"Anvisa recentemente publicou resoluções proibindo a fabricação, a distribuição, a importação, a comercialização, a propaganda e o uso de alguns medicamentos agonistas de GLP‑1, conhecidos popularmente como 'canetas emagrecedoras'."
O texto não defende uma opinião nem tenta convencer o leitor de algo. Ele apenas expõe um fato (a proibição), explica os motivos (propaganda irregular, falta de registro) e informa sobre as consequências (dificuldade de rastreabilidade, riscos aos pacientes). A linguagem é impessoal e objetiva, típica do texto expositivo-informativo, como se vê em:
"São medicamentos sem registro sanitário na Agência, ou seja, que não tiveram a qualidade, eficácia e segurança de uso avaliadas no Brasil."
A presença de exemplificação (como a menção a "bula em língua estrangeira" e "casos eventuais de falsificação") serve para esclarecer o leitor, não para persuadi-lo. Isso reforça a classificação como expositivo-informativo.
A técnica: finalidade vs. forma
A pegadinha central desta questão é confundir a finalidade do texto com a forma de alguns trechos. O texto menciona proibições e riscos, mas não é injuntivo (não dá ordens ao leitor) nem argumentativo (não defende uma tese com argumentos). Ele apenas relata e explica uma medida já tomada pela Anvisa. A distinção é essencial:
Tipo | Finalidade | Exemplo no texto |
|---|
Expositivo-informativo | Informar, explicar | "Anvisa publicou resoluções proibindo..." |
Argumentativo | Convencer, persuadir | Não há tese defendida |
Injuntivo | Instruir, ordenar | Não há verbos no imperativo |
Explicativo | Explicar um processo | Há explicações, mas não é a finalidade central |
A alternativa E é a única que captura a finalidade central do texto: informar. As demais ou atribuem uma finalidade que não existe (argumentar, instruir) ou confundem a presença de elementos secundários (explicações, dados) com a predominância de outro tipo.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o texto é "expositiva/informativa, por apresentar um ponto de vista defendido pelo autor". Isso é uma contradição: o texto expositivo-informativo não apresenta ponto de vista defendido, pois sua finalidade é informar, não opinar. O texto da Anvisa é impessoal e objetivo, sem defesa de tese. A menção a "argumentos de autoridade" também não se sustenta, pois o texto não usa citações de especialistas para persuadir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapola o texto. A alternativa classifica o texto como "explicativa/argumentativa, por apresentar motivos pelos quais o uso medicamentoso da substância é danoso". O texto explica os motivos da proibição, mas não argumenta que o uso é danoso — ele apenas informa que os medicamentos não têm registro e que isso traz riscos. A palavra "danoso" é uma extrapolação: o texto não afirma que o uso é danoso, apenas que não foi avaliado. Além disso, a finalidade central não é argumentar, mas informar.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o texto é "injuntiva/argumentativa, por sugerir proibições quanto ao uso do medicamento". O texto não sugere proibições — ele informa que a Anvisa já publicou resoluções proibindo. Não há verbos no imperativo nem orientações ao leitor sobre o que fazer. A finalidade é informar sobre uma medida já tomada, não instruir ou persuadir. A classificação como injuntiva é um erro grave, pois o texto não tem caráter instrucional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa classifica o texto como "argumentativa/expositiva, por explicitar um ponto de vista e argumentos por dados concretos". O texto não explicita um ponto de vista — ele é impessoal e objetivo. A menção a "dados concretos" é verdadeira (há informações sobre registro, rastreabilidade), mas isso não torna o texto argumentativo. A finalidade central é informar, não defender uma tese. A alternativa confunde a presença de dados com argumentação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta classifica o texto como "expositiva/informativa, por apresentar uma informação e exemplificação que corroboram para compreensão textual". Isso é exatamente o que o texto faz: informa sobre a proibição de medicamentos sem registro e exemplifica com casos de bula em língua estrangeira e falsificação. A passagem que sustenta:
"Nenhum medicamento pode ser comercializado no Brasil com orientações ou bula em língua estrangeira, o que implica riscos aos pacientes, como dificuldade de compreensão para o paciente e erros de administração."
O texto informa e exemplifica para que o leitor compreenda a medida da Anvisa. Não há defesa de tese, nem instruções ao leitor, nem opinião do autor. A finalidade é puramente informativa, o que torna a alternativa E a única correta.
Conclusão
A questão exige identificar a finalidade central do texto, não a presença de elementos isolados. O texto da Anvisa é expositivo-informativo porque informa sobre uma medida regulatória, sem defender tese ou dar instruções. As alternativas erradas confundem a finalidade com a forma, atribuindo ao texto características que ele não tem. A regra de ouro: pergunte-se qual é a intenção do autor — informar, convencer, instruir, narrar ou descrever? A resposta que capturar essa intenção será a correta.
Gabarito: letra E