Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa388685
Banca
Quadrix
Órgão
SES SP
Ano
2026
Cargo
Tec Enf ( )
Leandro Karnal – Não importa o que o profissional de enfermagem (se é técnico, auxiliar ou enfermeiro) faça, ele vai sofrer. Vai sofrer porque pode adoecer, porque pode perder alguém querido, porque a profissão é extremamente desafiadora e o ambiente hospitalar é muito estressante. Vai sofrer porque lida com a dor dos outros o dia inteiro ‑ é inevitável.
Mas tanto os budistas quanto os filósofos estoicos afirmavam o seguinte: “Eu não controlo o mundo, eu controlo como o mundo me influencia”. Ou seja, trata‑se de um processo interno que a Monja Coen destaca em uma frase do budismo zen: “A dor é inevitável, o sofrimento não”. Se eu bater o pé na quina da cama, eu vou sentir dor. No entanto, se eu aumentar essa dor com xingamentos, revolta e sentimentos negativos, eu transformo a dor em sofrimento.
Texto para a questão Considerando o contraste estabelecido no texto entre a inevitabilidade da dor na profissão de enfermagem e a perspectiva filosófica da gestão do sofrimento, assinale a opção correta, em relação ao que é inferido acerca da mensagem central do texto.
AA separação entre dor e sofrimento serve como uma ferramenta de resiliência psicológica que, embora não anule a natureza estressante da profissão, permite a gestão interna da reação a essa realidade.
BA postura adotada pelo profissional de enfermagem diante dos desafios inevitáveis é o único fator que determinará a sua permanência ou desistência da profissão.
CO texto advoga que a dor física e emocional na enfermagem pode ser totalmente eliminada, contanto que o profissional adote os princípios do Estoicismo e do Budismo Zen.
DA visão apresentada pelos budistas e pelos estoicos aplica‑se exclusivamente a traumas físicos, não oferecendo soluções válidas para o esgotamento emocional e a sobrecarga mental dos enfermeiros.
EKarnal e a monja Coen defendem que o sofrimento é um estado exclusivamente subjetivo e que, portanto, não está ligado às causas externas, como o ambiente de trabalho hospitalar.
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GabaritoA — A separação entre dor e sofrimento serve como uma ferramenta de resiliência psicológica que, embora não anule a natureza estressante da profissão, permite a gestão interna da reação a essa realidade.
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Inferência e pressuposição: a separação entre dor e sofrimento
Gabarito: letra A. A alternativa correta é a única que sintetiza com fidelidade a mensagem central do texto: a separação entre dor e sofrimento é apresentada como uma ferramenta de gestão interna da reação à realidade estressante da profissão, sem negar a inevitabilidade da dor. Isso está ancorado na passagem em que o autor cita a frase do budismo zen: “A dor é inevitável, o sofrimento não”, e no exemplo do pé batido na quina da cama, em que a dor é inevitável, mas o sofrimento depende da reação interna (xingamentos, revolta, sentimentos negativos).
O comando pede uma inferência sobre a mensagem central do texto. Isso significa que a resposta não está literalmente escrita, mas é uma dedução ancorada em pistas deixadas pelo autor. A banca não quer uma paráfrase de um trecho isolado, mas a síntese da tese que atravessa todo o texto: a profissão de enfermagem é inevitavelmente estressante (dor), mas o sofrimento pode ser gerido internamente (perspectiva filosófica).
O texto de Leandro Karnal tem uma estrutura clara: o primeiro parágrafo estabelece a inevitabilidade da dor na profissão de enfermagem (adoecer, perder alguém, ambiente estressante, lidar com a dor dos outros). O segundo parágrafo introduz a perspectiva filosófica de budistas e estoicos: “Eu não controlo o mundo, eu controlo como o mundo me influencia”. A frase da Monja Coen — “A dor é inevitável, o sofrimento não” — é o núcleo da tese: a dor é um dado externo, o sofrimento é uma construção interna. O exemplo do pé batido na quina da cama ilustra exatamente isso: a dor é inevitável, mas o sofrimento (xingamentos, revolta) é uma escolha.
A técnica para resolver esta questão é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa A é a única que permanece dentro dos limites do texto: ela afirma que a separação entre dor e sofrimento é uma ferramenta de resiliência que “permite a gestão interna da reação a essa realidade”, sem prometer eliminar a dor ou o estresse. As demais alternativas ou extrapolam (B, C), ou restringem indevidamente (D), ou contradizem o texto (E).
Separação dor × sofrimento: Dor (Inevitável, Causa externa (ambiente hospitalar)); Sofrimento (Reação interna, Pode ser gerido); Ferramenta de resiliência (Não anula o estresse, Permite gestão da reação)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é uma síntese fiel da tese do texto. Ela afirma que a separação entre dor e sofrimento é uma ferramenta de resiliência psicológica que, embora não anule a natureza estressante da profissão, permite a gestão interna da reação a essa realidade. Isso está diretamente ancorado em duas passagens:
“A dor é inevitável, o sofrimento não”
“Se eu bater o pé na quina da cama, eu vou sentir dor. No entanto, se eu aumentar essa dor com xingamentos, revolta e sentimentos negativos, eu transformo a dor em sofrimento.”
A alternativa não promete eliminar a dor (o texto diz que ela é inevitável), mas afirma que é possível gerir a reação interna — exatamente o que o texto defende ao citar a frase “Eu não controlo o mundo, eu controlo como o mundo me influencia”. A expressão “embora não anule a natureza estressante” é crucial: ela preserva a inevitabilidade da dor que o texto estabelece no primeiro parágrafo, sem cair na promessa irreal de eliminação total.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a postura do profissional é “o único fator” que determinará sua permanência ou desistência da profissão. O texto não diz isso em nenhum momento. Ele afirma que a dor é inevitável e que o sofrimento pode ser gerido, mas não afirma que essa gestão é o único fator de permanência ou desistência. A palavra “único” é um quantificador absoluto que restringe indevidamente o alcance do texto. O texto não discute os fatores de permanência ou desistência na profissão; ele discute a relação entre dor e sofrimento. A alternativa extrapola ao acrescentar uma informação que não está no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o texto advoga que a dor física e emocional na enfermagem “pode ser totalmente eliminada”. Isso contradiz diretamente o texto, que afirma o oposto:
“Vai sofrer porque pode adoecer, porque pode perder alguém querido, porque a profissão é extremamente desafiadora e o ambiente hospitalar é muito estressante.”
O texto estabelece a dor como inevitável (“é inevitável”), e a frase da Monja Coen reforça: “A dor é inevitável”. A alternativa inverte o sentido ao afirmar que a dor pode ser totalmente eliminada. O texto não promete eliminação da dor, mas gestão do sofrimento. A alternativa contradiz a tese central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: restringe indevidamente. A alternativa afirma que a visão de budistas e estoicos “aplica-se exclusivamente a traumas físicos”. O texto não faz essa restrição. O exemplo do pé batido na quina da cama é físico, mas a frase “Eu não controlo o mundo, eu controlo como o mundo me influencia” é ampla e se aplica a qualquer situação, incluindo o ambiente hospitalar estressante. O texto não limita a perspectiva filosófica a traumas físicos; pelo contrário, ele a apresenta como uma ferramenta para lidar com a realidade da profissão de enfermagem, que envolve sofrimento emocional e mental (lidar com a dor dos outros, ambiente estressante). A palavra “exclusivamente” é um quantificador absoluto que restringe indevidamente o alcance do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que Karnal e a monja Coen defendem que o sofrimento é “exclusivamente subjetivo” e que “não está ligado às causas externas, como o ambiente de trabalho hospitalar”. Isso contradiz o texto de duas formas. Primeiro, o texto não diz que o sofrimento é exclusivamente subjetivo; ele diz que a reação à dor (o sofrimento) é interna, mas a dor em si é causada por fatores externos (ambiente hospitalar, dor dos outros). Segundo, o texto estabelece explicitamente que o ambiente hospitalar é uma causa de sofrimento:
“Vai sofrer porque pode adoecer, porque pode perder alguém querido, porque a profissão é extremamente desafiadora e o ambiente hospitalar é muito estressante.”
A alternativa inverte a relação: o texto diz que o ambiente externo causa dor, e o sofrimento é a reação interna a essa dor. A alternativa diz que o sofrimento não está ligado às causas externas, o que contradiz o texto. A palavra “exclusivamente” também é um quantificador absoluto que restringe indevidamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora usar quantificadores absolutos (“único”, “totalmente”, “exclusivamente”) para criar distratores. Quando você vir essas palavras, pergunte: o texto autoriza essa generalização? Na maioria das vezes, a resposta é não.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de inferência, grife a tese central do texto (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: “isso está dentro do que o texto diz, ou exige acrescentar algo de fora?”. A alternativa correta é a que sintetiza a tese sem extrapolar.
Gabarito: letra A — a única alternativa que permanece fiel à tese do texto, sem prometer eliminar a dor, sem restringir o alcance da filosofia e sem contradizer a relação entre causas externas e reação interna.