Questão de Português — Figuras de Linguagem — FUNDATEC 2026
Português›Figuras de Linguagem
Código
qa388711
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Agudo
Ano
2026
Cargo
ACS ( )
Um dorme com a cabeça enfiada
entre as grades do prédio
o outro acorda: colchão intacto,
barraca de pé, dádivas à vista
[...]
um prefere marquises,
o outro, viadutos
um deles passou hoje
a empurrar nuvens
o ônibus não para no ponto
o telepata interespécie
se disfarça de lixo
para atrair um resto de comida
quando a fome aperta
só definha aquele que não desiste
Para responder à questão, considere o trecho abaixo, adaptado do poema Passarela, de Régis Bonvicino. No trecho do poema “um deles passou hoje / a empurrar nuvens”, qual é a figura de linguagem utilizada?
AMetonímia.
BProsopopeia.
CHipérbole.
DMetáfora.
EAntítese.
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GabaritoD — Metáfora.
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Figuras de linguagem: metáfora em “empurrar nuvens”
Gabarito: letra D. O verso “um deles passou hoje / a empurrar nuvens” é uma metáfora, pois atribui a um ser humano (o morador de rua, “um deles”) a ação de empurrar nuvens — algo impossível no sentido literal, mas que metaforicamente sugere que ele caminha sem rumo, como se empurrasse o tempo ou o céu. A figura está na transferência de sentido: “empurrar nuvens” não é ação real, mas imagem poética que expressa a errância e a luta diária do personagem. Como se lê no trecho, o sujeito é “um deles” — um ser humano —, e não um ser inanimado, o que afasta a prosopopeia.
O comando pede que você identifique a figura de linguagem presente no verso. Isso é uma questão de conceito (figuras de palavras), mas exige leitura atenta do contexto: a figura só se revela quando você percebe que “empurrar nuvens” é impossível no plano real e, portanto, está em sentido figurado. A banca não quer que você decore definições, mas que aplique a definição ao trecho.
O poema Passarela, de Régis Bonvicino, retrata a vida de pessoas em situação de rua: um dorme entre grades, outro acorda com o colchão intacto, um prefere marquises, outro viadutos. O verso em questão descreve um desses personagens: “um deles passou hoje / a empurrar nuvens”. A imagem é surreal — ninguém empurra nuvens —, e é exatamente esse estranhamento que caracteriza a metáfora: o poeta compara, sem conectivo, a caminhada do homem a um gesto de empurrar o céu, sugerindo deslocamento, cansaço, falta de destino.
A metáfora é a figura de palavra em que se emprega uma palavra ou expressão fora do seu sentido básico, por uma comparação implícita, sem conectivo comparativo (como, tal qual, etc.). No verso, “empurrar nuvens” não é uma ação real; é uma imagem que substitui a ideia de “caminhar sem direção” ou “vagar”. Não há conectivo, logo não é comparação (símile). Não há substituição por relação de proximidade (como autor pela obra), logo não é metonímia. Não há exagero intencional (como “morrer de rir”), logo não é hipérbole. Não há oposição de ideias (como “amor e ódio”), logo não é antítese. E não há atribuição de características humanas a ser inanimado, pois o sujeito é humano — logo não é prosopopeia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre metáfora e prosopopeia. “Empurrar nuvens” pode parecer uma ação humana atribuída a algo, mas o sujeito é um ser humano (o morador de rua). Prosopopeia seria se as nuvens empurrassem algo, ou se um objeto agisse como pessoa. Aqui, o homem é quem age — e a ação é impossível, o que configura metáfora.
Figuras de linguagem: Metáfora (gabarito) (Comparação implícita, sem conectivo, Sentido figurado por transferência, "Empurrar nuvens" = vagar sem rumo); Prosopopeia (pegadinha) (Atribui ação humana a ser inanimado, Aqui o sujeito é humano → não se aplica); Metonímia (Substituição por proximidade (parte/todo, autor/obra)); Hipérbole (Exagero intencional de ação real); Antítese (Oposição de ideias)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Metonímia é a substituição de um termo por outro com relação de proximidade (parte pelo todo, autor pela obra, marca pelo produto). No verso, não há substituição de um termo por outro relacionado; há uma imagem figurada de uma ação impossível. Não há “parte pelo todo” nem “autor pela obra”. A alternativa tangencia o tema: metonímia é figura de palavra, mas não se aplica ao trecho.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Prosopopeia (ou personificação) atribui características humanas a seres inanimados, animais ou mortos. No verso, o sujeito é “um deles” — um ser humano —, e a ação de “empurrar nuvens” é atribuída a ele, não a um ser inanimado. Para haver prosopopeia, seria necessário que as nuvens ou outro elemento não humano praticassem ação humana. A alternativa confunde o sujeito da ação: o homem age, não as nuvens.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Hipérbole é o exagero intencional (ex.: “morrer de rir”, “chorar rios de lágrimas”). “Empurrar nuvens” não é um exagero de uma ação real; é uma imagem impossível, uma metáfora. Não há intensificação de uma ideia por exagero; há transferência de sentido. A alternativa extrapola o conceito: confunde impossibilidade com exagero.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Metáfora é a comparação implícita, sem conectivo, em que uma palavra é usada fora do seu sentido literal. No verso, “empurrar nuvens” é uma imagem poética que metaforiza a caminhada sem rumo do personagem. O poeta não diz “ele caminha como quem empurra nuvens” (comparação), mas diretamente “passou a empurrar nuvens” — transferindo o sentido. A passagem que prova:
“um deles passou hoje / a empurrar nuvens”
Aqui, “empurrar nuvens” é impossível no plano real, o que sinaliza o sentido figurado. A metáfora está na substituição da ideia de “vagar” pela imagem de “empurrar nuvens”. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Antítese é a oposição de palavras ou ideias (ex.: “amor e ódio”, “vida e morte”). No verso, não há termos opostos; há uma imagem única de ação impossível. A alternativa foge ao tema: antítese é figura de pensamento, mas não aparece no trecho. O poema até tem contrastes (“um dorme... o outro acorda”), mas no verso específico não há antítese.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a figura, pergunte: o que está acontecendo no plano real? Se a ação é impossível, é metáfora (ou hipérbole, se houver exagero). Se um ser não humano age como pessoa, é prosopopeia. Se há substituição por proximidade, é metonímia. Se há oposição, é antítese.