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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — Avança SP 2026

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa388793
Banca
Avança SP
Órgão
SES SP
Ano
2026
Cargo
Med I ( )

Brasileiro, profissão: poeta

 

De D. Pedro II ao mais obscuro dos cidadãos, é difícil encontrar um brasileiro que nunca tenha cometido, em segredo ou às claras, o seu poeminha lírico, ainda que perdido nas dobras da remota mocidade. Em versos duros ou de pé quebrado, sem inspiração e sem assunto, o soneto é sempre uma tentação para o brilhareco, a que não pode faltar a chave de ouro. Tudo cabe num soneto: graça e desgraça, comédia e tragédia, amor e desamor, oração a Deus e saudação à pátria.

 

É possível que a profissão de poeta ainda não exista. É até possível que nunca venha a existir como ofício remunerado, como meio de vida. Nem por isso se pode garantir que nunca será regulamentada, depois de legalmente criada, ou definida. Tudo entre nós é motivo de lei, de decreto e de regulamento. Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante? De resto, mais de uma vez já se fez a tentativa de enquadrar, estimular e proteger a poesia, o que em última análise significa estender a proteção do poder público aos poetas.

 

Academias existem em todos os planos – federal, estadual e municipal. Outras entidades do gênero estão por toda parte, já que em parte nenhuma faltam os poetas. Há quem sustente que o Brasil é a pátria da poesia. Raro seria o cidadão brasileiro que nunca perpetrou os seus versos. Milhares ousaram chegar até o soneto. Ou pelo menos tentaram os 14 versos a duras penas, até fechá-los com chave de ouro ou com qualquer outra chave. Poucos terão sido tão mal sucedidos como o Bentinho de Dom Casmurro. Como acontece com frequência, o primeiro verso lhe veio de graça: “Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura”!

 

Seminarista, numa noite de insônia, o próprio Bentinho não sabia como e por que lhe saiu esse verso da cabeça. Decassílabo, logo se impôs como o início de um soneto. Como em tantos sonetos conhecidos, não havia aí uma ideia, mas, sim, apenas uma exclamação. Podia não significar nada, mas o autor lhe achou certa graça. Depois de repeti-lo, concluiu que era mesmo bonito. A flor que abriria a primeira estrofe de forma exclamativa tanto podia ser Capitu, como a virtude, a poesia, a religião, ou qualquer outro conceito a que a metáfora calhasse. (...)

 

RESENDE, Otto Lara. Brasileiro, profissão: poeta. Portal da

crônica brasileira. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/6146/brasileiro-profissao-poeta>.

Leia o texto a seguir para responder à questão.   “Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante?” Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita correta do trecho acima.
  1. AOs poetas estariam isentos da fúria legiferante porquê?
  2. BPorque os poetas estariam isentos da fúria legiferante?
  3. CQual o motivo porquê os poetas estariam isentos da fúria legiferante?
  4. DQual o motivo porque os poetas estariam isentos da fúria legiferante?
  5. EOs poetas estariam isentos da fúria legiferante por quê?
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GabaritoE — Os poetas estariam isentos da fúria legiferante por quê?

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso dos Porquês: Reescrita de Interrogativa

Gabarito: letra E. A reescrita correta é "Os poetas estariam isentos da fúria legiferante por quê?", pois, ao deslocar a expressão interrogativa para o final da frase, o "que" fica antes de uma pausa/pontuação e deve receber acento circunflexo, formando "por quê". A forma original "Por que os poetas estariam isentos..." é uma interrogativa direta iniciada pela expressão "por que" (separada e sem acento), e a reescrita preserva o sentido de pergunta, apenas reposicionando o termo interrogativo.

O Comando

A questão pede uma reescrita correta do trecho "Por que os poetas estariam isentos da fúria legiferante?". Isso significa que devemos manter o sentido original (uma pergunta sobre o motivo) e respeitar a norma culta quanto ao uso dos porquês. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra gramatical de emprego de "por que", "porque", "porquê" e "por quê" em uma nova estrutura frasal.

O Texto e a Regra

No texto, a frase é uma pergunta direta (com ponto de interrogação) iniciada por "Por que". A regra é clara:

  • POR QUE (separado, sem acento): usado em perguntas diretas (início de frase) ou indiretas (no meio, sem ponto de interrogação), equivalendo a "por qual motivo".

  • POR QUÊ (separado, com acento): usado em final de frase ou antes de pausa, equivalendo a "por qual motivo".

  • PORQUE (junto, sem acento): conjunção explicativa/causal, usada em respostas ou explicações.

  • PORQUÊ (junto, com acento): substantivo, sinônimo de "motivo", "razão", normalmente antecedido de artigo ou outro determinante.

A reescrita pedida desloca a pergunta para o final, o que exige a forma "por quê" com acento, pois agora o "que" está em posição final, antes do ponto de interrogação.

Análise das Alternativas

1Por que (separado, sem acento)
Perguntas diretas (início)
Perguntas indiretas (meio)
= por qual motivo
2Por quê (separado, com acento)
Final de frase
Antes de pausa
= por qual motivo
3Porque (junto, sem acento)
Conjunção explicativa/causal
Respostas e explicações
4Porquê (junto, com acento)
Substantivo
= motivo, razão
Antecedido de artigo/determinante
Porquês
LEVELsoulevel.com.br
Porquês: Por que (separado, sem acento) (Perguntas diretas (início), Perguntas indiretas (meio), = por qual motivo); Por quê (separado, com acento) (Final de frase, Antes de pausa, = por qual motivo); Porque (junto, sem acento) (Conjunção explicativa/causal, Respostas e explicações); Porquê (junto, com acento) (Substantivo, = motivo, razão, Antecedido de artigo/determinante)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Os poetas estariam isentos da fúria legiferante porquê?" — Erro: "porquê" é substantivo (motivo/razão) e não pode ser usado em final de frase interrogativa. Além disso, a frase perde o sentido de pergunta direta, pois "porquê" não introduz interrogação. A forma correta seria "por quê" (separado e com acento).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Porque os poetas estariam isentos da fúria legiferante?" — Erro: "porque" é conjunção explicativa/causal, usada em respostas ou explicações, não em perguntas. A frase fica sem sentido interrogativo, pois "porque" não pergunta o motivo, apenas explica. A forma correta seria "por que" (separado e sem acento) para iniciar a pergunta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Qual o motivo porquê os poetas estariam isentos da fúria legiferante?" — Erro: "porquê" é substantivo e não pode ser usado como conectivo interrogativo. A construção correta seria "Qual o motivo por que os poetas..." (com "por que" separado, equivalendo a "pelo qual"). Além disso, a frase fica redundante, pois "motivo" já indica a pergunta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Qual o motivo porque os poetas estariam isentos da fúria legiferante?" — Erro: "porque" é conjunção explicativa/causal, não pode ser usado como pronome relativo ou interrogativo. A forma correta seria "por que" (separado), equivalendo a "pelo qual". A frase fica incorreta gramaticalmente e semanticamente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Os poetas estariam isentos da fúria legiferante por quê?" — Correta, pois "por quê" (separado e com acento) é usado em final de frase interrogativa, equivalendo a "por qual motivo". A reescrita mantém o sentido original de pergunta, apenas reposicionando a expressão interrogativa para o final, o que exige o acento circunflexo no "quê".

Conclusão

A questão testa o domínio da regra dos porquês em reescrita de frases. A chave é identificar a posição da expressão interrogativa: no início, usa-se "por que" (sem acento); no final, usa-se "por quê" (com acento). As demais formas (porque, porquê) têm funções diferentes e não se aplicam a perguntas diretas. Gabarito: letra E.

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