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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa388858
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Gravataí
Ano
2026
Cargo
GM ( )

Repor o sono no fim de semana pode ajudar a saúde mental dos jovens

 

Por Diego Facundini

 

Compensar as noites maldormidas durante os finais de semana pode trazer benefícios para a saúde mental de adolescentes e jovens adultos. De acordo com um estudo publicado no Journal of Affective Disorders, repor o sono perdido nos dias de folga pode diminuir em 41% os sintomas relacionados à depressão para quem tem entre 16 e 24 anos.

 

Uma boa rotina de sono pode mais que dobrar esse benefício, reduzindo os sintomas em 105%. Há de se reconhecer, contudo, que esse é um privilégio para poucos – principalmente no caso dos adolescentes, cujos relógios biológicos tendem a discordar com os horários das escolas. Para jovens entre 16 e 17 anos, o tempo de sono recomendado é de 8 a 10 horas por noite. Já para a faixa dos 18 aos 24 anos, esse período é de 7 a 9 horas. Isso tem a ver com as mudanças do ciclo circadiano, o relógio interno do corpo que diz quando e por quanto tempo o sono deve ocorrer. Durante a fase de crescimento, esse ponteiro tem duas horas de atraso em relação às crianças e adultos, e o período ideal de sono vai das 23h da noite até às 8h da manhã – bem mais tarde que o início da maioria dos cronogramas escolares.

 

O artigo se baseia em dados da National Health and Nutrition Examination Survey, uma pesquisa realizada entre 2021 e 2023. Nela, os participantes registraram os horários em que iam à cama e acordavam ao longo da semana. Cerca de 59% dos jovens compensavam o prejuízo de sono nos finais de semana. Na enquete, os participantes declararam também como se sentiam: caso estivessem tristes ou deprimidos, o estudo contava aquilo como possível sintoma de depressão. A depressão é uma das principais pedras no sapato dos jovens, visto que, todo ano, cerca de 17% das pessoas entre 16 e 24 anos passam por episódios depressivos maiores, que podem se estender por duas ou mais semanas.

 

A relação entre a saúde do sono e a saúde da cabeça é algo já bem documentado pela ciência em diferentes fases da vida. Nesse caso, o período da adolescência se torna um tópico ainda mais sensível: essa é a fase em que uma série de fatores sociais, como uma autonomia maior em relação aos horários de dormir, o florescer das relações sociais, o uso de celulares e o aumento das pressões acadêmicas, podem atrapalhar a rotina na cama. Saber amenizar os prejuízos disso é também um jeito de cuidar do psicológico da juventude.

 

“É normal que adolescentes sejam notívagos, então que eles compensem o sono nos finais de semana caso não consigam dormir o suficiente durante a semana, porque há chances de isso protegê-los de alguma forma”, afirmou em comunicado a psicóloga Melynda Casement. O estudo também identificou uma relação entre saúde mental e peso. Fatores como sobrepeso e obesidade estavam relacionados a aumentos em 92% e 112%, respectivamente, no risco de sintomas depressivos.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/repor-o-sono-no-fim-de-semana-pode-ajudar-a-saude-

mental-dos-jovens/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

O uso da expressão “pedras no sapato” no texto caracteriza uma variação linguística que busca:
  1. APriorizar o uso de jargões científicos.
  2. BEliminar termos técnicos da área médica.
  3. CDemonstrar falta de domínio da norma culta.
  4. DRestringir o texto ao público adolescente.
  5. EFacilitar a compreensão do público geral.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Facilitar a compreensão do público geral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O uso de “pedras no sapato”: variação linguística e intenção comunicativa

Gabarito: letra E. A expressão “pedras no sapato” é uma variação linguística de registro coloquial que o autor emprega com a intenção de facilitar a compreensão do público geral, substituindo um termo técnico ou formal por uma imagem popular e acessível. Como se lê no 4º parágrafo do texto, o autor afirma que “A depressão é uma das principais pedras no sapato dos jovens”, e essa escolha vocabular dialoga com o tom didático e acessível do artigo, que busca aproximar o leitor leigo do tema científico.

O comando da questão

O enunciado pergunta o que o uso da expressão “pedras no sapato” busca, ou seja, qual é a intenção comunicativa por trás dessa escolha linguística. Não se trata de uma questão de gramática normativa, mas de interpretação de texto aplicada à variação linguística: entender por que o autor optou por uma expressão coloquial em um texto que, em outros trechos, usa termos técnicos como “ciclo circadiano” e “sintomas depressivos”.

O texto e a função da expressão

O texto é uma reportagem de divulgação científica, que explica um estudo sobre sono e saúde mental. O autor alterna entre linguagem técnica (para dar credibilidade) e linguagem coloquial (para tornar o conteúdo acessível). A expressão “pedras no sapato” aparece no 4º parágrafo:

“A depressão é uma das principais pedras no sapato dos jovens, visto que, todo ano, cerca de 17% das pessoas entre 16 e 24 anos passam por episódios depressivos maiores...”

A expressão é uma metáfora popular que significa “algo que incomoda, que atrapalha”. Ao usá-la, o autor traduz o conceito de “depressão como problema relevante” para uma linguagem que qualquer leitor entende, sem precisar de conhecimento técnico. Isso reforça a intenção de facilitar a compreensão do público geral, que é o que a alternativa E afirma.

A técnica que decide

A questão exige que você identifique a função social da variação linguística. Toda escolha de registro (formal, coloquial, técnico) tem uma intenção: aproximar ou distanciar o leitor, informar, persuadir, etc. Aqui, o autor usa o coloquial para aproximar o leitor do tema, tornando a leitura mais fluida e a mensagem mais clara. A alternativa correta é a que capta essa intenção de acessibilidade.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Priorizar o uso de jargões científicos. A expressão “pedras no sapato” é o oposto de um jargão científico: é uma expressão popular, do cotidiano. O texto até usa termos técnicos em outros trechos (como “ciclo circadiano”), mas a expressão em questão não é um jargão. A alternativa contradiz o texto e o próprio sentido da expressão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Eliminar termos técnicos da área médica. O texto não elimina termos técnicos; ele os usa em vários momentos (ex.: “ciclo circadiano”, “sintomas depressivos”). A expressão “pedras no sapato” apenas substitui um termo em um ponto específico, mas não há uma eliminação geral. A alternativa extrapola o alcance da expressão, que é pontual.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Demonstrar falta de domínio da norma culta. O autor demonstra total domínio da norma culta ao longo do texto, usando linguagem formal e técnica quando necessário. O uso de uma expressão coloquial é uma escolha estilística, não um erro. A alternativa acrescenta uma opinião (a de que seria falta de domínio) que o texto não sustenta — pelo contrário, o texto é bem escrito e adequado ao gênero.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Restringir o texto ao público adolescente. A expressão “pedras no sapato” é conhecida por qualquer falante do português, não apenas por adolescentes. O texto, inclusive, aborda dados de jovens, mas a linguagem é acessível a todos. A alternativa restringe indevidamente o alcance da expressão, que é de uso geral.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Facilitar a compreensão do público geral. A expressão “pedras no sapato” é uma metáfora popular que torna o texto mais acessível, aproximando o leitor leigo do tema científico. O autor a utiliza para traduzir a ideia de que a depressão é um problema relevante para os jovens, sem recorrer a termos técnicos que dificultariam a leitura. Isso fica claro no contexto: o texto é uma reportagem de divulgação científica, que busca informar o público em geral.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre variação linguística, pergunte-se: qual é a intenção do autor ao usar essa expressão? Se for coloquial, geralmente é para aproximar o leitor e facilitar a compreensão. Se for técnica, é para dar credibilidade ou precisão.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de identificar a função comunicativa de uma escolha linguística. A expressão “pedras no sapato” é uma variação coloquial que facilita a compreensão do público geral, pois substitui um conceito potencialmente complexo por uma imagem simples e conhecida. As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam, ou restringem indevidamente o alcance da expressão.

Gabarito: letra E.

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