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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa389059
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Agudo
Ano
2026
Cargo
Mer-Serv ( )

A mulher

Por José Henrique Bortoluci

 

“Às vezes me sinto um Cavalo de Troia dentro da corporação. Já ouvi várias vezes que ‘mulher não deveria estar na polícia’, que ‘não dá conta’, que ‘esse não é lugar para mulher’. A gente tem que ser excelente para conseguir um mínimo de reconhecimento. Enquanto isso, um homem pode errar, pode ser mediano, e ninguém questiona. Eu reconheço que a gente já avançou bastante, vejo isso na minha experiência cotidiana como policial. Hoje há mais respeito do público externo e entre colegas, mas ainda existe algo que pesa, que é, sem dúvidas, estrutural”.

 

Juliana Lemes nasceu em 1985 em Itambacuri, uma cidade pequena a cerca de 30 km de Teófilo Otoni, no nordeste de Minas Gerais. Ela é policial militar. Ao conversar comigo, Juliana pediu para deixar claro que tudo que ela me contaria era fruto de sua vivência e sua reflexão, e não expressava a posição da corporação da qual ela faz parte.

 

Ela me conta logo de cara que seu único filho, de 23 anos, acabou de ingressar na mesma carreira – para surpresa, orgulho e medo da mãe. Surpresa, pois o rapaz não cresceu com o sonho de ser policial, e nisso sua história não se distingue muito da de sua mãe, que só decidiu pela carreira depois de fazer a faculdade de serviço social, área em que defendeu inclusive um doutorado.

 

“Agora meu filho acaba de entrar pra polícia.... Entrou com 21 anos. Ele tá agora passando a farda dele. Digo sempre pra ele que tem que caprichar na farda. E é ele que faz tudo. Lava, passa, mas deixa a casa uma bagunça! E eu preciso estar sempre sacudindo ele, pra meu filho abrir os olhos. Embora ele não tenha crescido dizendo que não queria ser policial, estudou em escola militar, e a influência dos colegas pesou na decisão. Quando os amigos começaram a prestar concursos, ele resolveu fazer a prova também. Mas penso assim: não sou herdeira. Ele precisa seguir a vida dele, e talvez se encontre mais rápido do que eu lá dentro, porque tomei muita pancada até que isso acontecesse”.

 

(Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/geracao-democracia-parte-iv_o-homem-e-a-mulher/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho retirado do texto “Agora meu filho acaba de entrar pra polícia. Digo sempre pra ele que tem que caprichar na farda”, qual termo retoma a expressão sublinhada?

  1. AEntrar
  2. BPolícia.
  3. CCaprichar.
  4. DFarda.
  5. EEle.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Ele.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o pronome "ele" e seu referente — Gabarito: letra E.

O termo que retoma a expressão sublinhada "meu filho" é o pronome pessoal "ele", presente na oração "Digo sempre pra ele que tem que caprichar na farda". A questão é de coesão referencial anafórica: o pronome "ele" substitui e retoma "meu filho", evitando a repetição do substantivo. As demais alternativas apontam para palavras que não exercem função de retomada no trecho.

O comando da questão

O enunciado pede para identificar qual termo retoma a expressão sublinhada. Isso é uma tarefa de coesão referencial, especificamente de anáfora — quando um elemento do texto (geralmente um pronome) faz referência a algo que já foi mencionado anteriormente. A banca não pede interpretação nem inferência; pede que você localize, no próprio trecho, o mecanismo de retomada. A resposta está literalmente no texto, bastando identificar a relação entre o pronome e seu antecedente.

O trecho e a relação de retomada

"Agora meu filho acaba de entrar pra polícia. Digo sempre pra ele que tem que caprichar na farda."

No trecho, a expressão sublinhada é "meu filho". Na segunda oração, o pronome "ele" aparece como termo que substitui "meu filho": "Digo sempre pra ele". O pronome pessoal do caso reto "ele" é um clássico mecanismo de coesão referencial anafórica, pois retoma um termo já expresso no texto, evitando a repetição desnecessária. Essa é a função básica dos pronomes: substituir nomes já mencionados, garantindo a continuidade e a fluidez do texto.

A técnica que decide

Para resolver questões de coesão referencial, pergunte: quem ou o quê o pronome substitui? No trecho, "ele" só pode se referir a "meu filho", pois é o único ser masculino singular mencionado antes. As demais palavras — "entrar", "polícia", "caprichar", "farda" — são verbos ou substantivos que não podem ser retomados por um pronome pessoal do caso reto. O pronome "ele" é a única palavra que exerce função de retomada no trecho.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Entrar" é um verbo, não um pronome. Não pode retomar "meu filho". A alternativa confunde a ação expressa pelo verbo com o mecanismo de coesão. O verbo "entrar" indica a ação do filho, mas não o substitui.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Polícia" é um substantivo que indica a instituição na qual o filho ingressou. Não é um pronome e não retoma "meu filho". A alternativa tenta confundir o contexto (polícia) com o referente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Caprichar" é um verbo, indica a ação que a mãe recomenda ao filho. Não é um pronome e não retoma "meu filho". A alternativa confunde a ação com o mecanismo de coesão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Farda" é um substantivo que indica o objeto da ação de caprichar. Não é um pronome e não retoma "meu filho". A alternativa tenta confundir o objeto com o referente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Ele" é um pronome pessoal do caso reto que retoma "meu filho". No trecho "Digo sempre pra ele", o pronome "ele" substitui "meu filho", evitando a repetição. Essa é a função anafórica do pronome: retomar um termo já mencionado. A alternativa está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o pronome "ele" e os substantivos do trecho, fazendo o candidato buscar um referente nominal em vez de reconhecer o pronome como elemento de retomada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, identifique primeiro o pronome e depois pergunte: "quem ou o quê ele substitui?". O pronome sempre retoma um termo anterior (anáfora) ou antecipa um termo posterior (catáfora).

Gabarito: letra E.

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