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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa389412
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Vinhedo
Ano
2026
Cargo
Aux ( )

Mendigo

 

Eu estava diante duma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu.

 

Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:

 

— Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.

 

Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:

 

— O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.

 

Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:

 

— O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.

 

Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:

 

— O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.

 

Tirei do bolso uma nota de cinquenta e lhe ofereci pela sua franqueza. (...)

 

CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 70-71. (Volume 2 - Crônicas).

Leia o Texto a seguir para responder à questão abaixo.   Qual é a teoria do mendigo para explicar por que o Brasil não teria tido nenhum governo que prestasse?
  1. APara o mendigo, os governantes tentaram ser bons, mas como não deu certo por muito tempo, então viraram ruins.
  2. BO mendigo tinha saúde e mesmo assim pedia esmola em vez de trabalhar, como ele ganhava muito dinheiro assim, então todos os homens do governo também mentiam para não trabalhar.
  3. CA teoria dele é a de que apenas seu pai era bastante bom e não era ordinário como os outros.
  4. DPara ele, o problema é que o homem não presta e, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também seriam ruínas.
  5. EO mendigo argumenta que todos os presidentes mentem para ganhar a vida porque são feitos de barro ordinário.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Para ele, o problema é que o homem não presta e, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também seriam ruínas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A Teoria do Mendigo sobre os Governos

Gabarito: letra D. A teoria do mendigo é a de que o problema é o fundo da coisa: o homem não presta e, por isso, todos os futuros presidentes também serão ruínas. Essa é a tese central que ele defende ao longo do diálogo, como se lê no trecho em que ele afirma:

"O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas."

A alternativa D é a única que reproduz fielmente essa cadeia lógica: a causa (o homem não presta) e a consequência (os futuros presidentes serão ruínas). As demais ou acrescentam informações que o texto não traz, ou invertem a relação de causa e consequência, ou restringem indevidamente o alcance da tese.

O Comando da Questão

O enunciado pergunta: "Qual é a teoria do mendigo para explicar por que o Brasil não teria tido nenhum governo que prestasse?" Trata-se de uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, não exige inferência. Basta localizar a passagem em que o mendigo enuncia sua tese e identificar a paráfrase correta. O verbo "explicar" aponta para a causa que ele atribui ao fracasso dos governos.

A Tese no Texto

O mendigo começa criticando os jornalistas e depois os governos, mas sua teoria — a explicação geral — aparece quando ele diz que o problema não está em figuras específicas, mas na natureza humana:

"O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas."

Aqui está a causa (o homem não presta) e a consequência (os futuros presidentes serão ruínas). O mendigo generaliza: como a natureza humana é falha, nenhum governo pode prestar. Essa é a tese que a alternativa D captura com precisão.

A Técnica: Paráfrase Fiel

Para resolver, compare cada alternativa com o trecho-chave. A correta deve reescrever a ideia sem acrescentar, omitir ou inverter nada. As erradas cometem erros típicos:

  • Extrapolação: acrescentam motivos que o texto não menciona (ex.: ganhar dinheiro, mentir para não trabalhar).

  • Restrição: limitam a tese a um caso particular (ex.: apenas o pai era bom).

  • Inversão: trocam a causa pela consequência ou atribuem a causa a outro elemento (ex.: o barro ordinário como causa direta, quando na verdade é a consequência da natureza humana).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os governantes "tentaram ser bons, mas como não deu certo por muito tempo, então viraram ruins". Isso extrapola o texto. O mendigo fala do pai dele, não dos governantes:

"Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim."

O texto usa o pai como exemplo da natureza humana falha, não como descrição do comportamento dos governantes. A alternativa transfere indevidamente a história do pai para os governantes, o que não está autorizado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que o mendigo "ganhava muito dinheiro" pedindo esmola e que os homens do governo "mentiam para não trabalhar". Isso extrapola completamente. O texto apenas registra:

"Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde."

O mendigo usa isso como prova de que ele também é ordinário, não como explicação para os governos. A ideia de "ganhar muito dinheiro" e "mentir para não trabalhar" não aparece em lugar nenhum.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "apenas seu pai era bastante bom e não era ordinário como os outros". Isso contradiz o texto. O mendigo diz que o pai virou ruim:

"Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim."

Ou seja, o pai também era ordinário, pois sucumbiu à natureza humana. A alternativa inverte o sentido ao dizer que ele "não era ordinário".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa D reproduz exatamente a tese:

"O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas."

Ela apresenta a causa (o homem não presta) e a consequência (os futuros presidentes serão ruínas), sem acrescentar nada. É a paráfrase fiel.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa diz que "todos os presidentes mentem para ganhar a vida porque são feitos de barro ordinário". Isso inverte a relação de causa e consequência. No texto, o mendigo afirma que os jornalistas mentem para ganhar a vida, mas isso é uma observação à parte, não a explicação para os governos. Além disso, o "barro ordinário" é uma metáfora da natureza humana, não a causa direta da mentira. A alternativa mistura elementos e inverte a lógica.

Conclusão

A questão testa a habilidade de localizar a tese e reconhecer a paráfrase fiel. A alternativa D é a única que mantém a relação causa-consequência exatamente como o texto apresenta. As demais ou extrapolam, ou restringem, ou invertem. Dica: ao identificar a tese, procure a frase que generaliza e explica o fenômeno — aqui, "o homem não presta" é a chave.

Gabarito: letra D

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