A Teoria do Mendigo sobre os Governos
Gabarito: letra D. A teoria do mendigo é a de que o problema é o fundo da coisa: o homem não presta e, por isso, todos os futuros presidentes também serão ruínas. Essa é a tese central que ele defende ao longo do diálogo, como se lê no trecho em que ele afirma:
"O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas."
A alternativa D é a única que reproduz fielmente essa cadeia lógica: a causa (o homem não presta) e a consequência (os futuros presidentes serão ruínas). As demais ou acrescentam informações que o texto não traz, ou invertem a relação de causa e consequência, ou restringem indevidamente o alcance da tese.
O Comando da Questão
O enunciado pergunta: "Qual é a teoria do mendigo para explicar por que o Brasil não teria tido nenhum governo que prestasse?" Trata-se de uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, não exige inferência. Basta localizar a passagem em que o mendigo enuncia sua tese e identificar a paráfrase correta. O verbo "explicar" aponta para a causa que ele atribui ao fracasso dos governos.
A Tese no Texto
O mendigo começa criticando os jornalistas e depois os governos, mas sua teoria — a explicação geral — aparece quando ele diz que o problema não está em figuras específicas, mas na natureza humana:
"O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas."
Aqui está a causa (o homem não presta) e a consequência (os futuros presidentes serão ruínas). O mendigo generaliza: como a natureza humana é falha, nenhum governo pode prestar. Essa é a tese que a alternativa D captura com precisão.
A Técnica: Paráfrase Fiel
Para resolver, compare cada alternativa com o trecho-chave. A correta deve reescrever a ideia sem acrescentar, omitir ou inverter nada. As erradas cometem erros típicos:
Extrapolação: acrescentam motivos que o texto não menciona (ex.: ganhar dinheiro, mentir para não trabalhar).
Restrição: limitam a tese a um caso particular (ex.: apenas o pai era bom).
Inversão: trocam a causa pela consequência ou atribuem a causa a outro elemento (ex.: o barro ordinário como causa direta, quando na verdade é a consequência da natureza humana).
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que os governantes "tentaram ser bons, mas como não deu certo por muito tempo, então viraram ruins". Isso extrapola o texto. O mendigo fala do pai dele, não dos governantes:
"Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim."
O texto usa o pai como exemplo da natureza humana falha, não como descrição do comportamento dos governantes. A alternativa transfere indevidamente a história do pai para os governantes, o que não está autorizado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o mendigo "ganhava muito dinheiro" pedindo esmola e que os homens do governo "mentiam para não trabalhar". Isso extrapola completamente. O texto apenas registra:
"Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde."
O mendigo usa isso como prova de que ele também é ordinário, não como explicação para os governos. A ideia de "ganhar muito dinheiro" e "mentir para não trabalhar" não aparece em lugar nenhum.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "apenas seu pai era bastante bom e não era ordinário como os outros". Isso contradiz o texto. O mendigo diz que o pai virou ruim:
"Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim."
Ou seja, o pai também era ordinário, pois sucumbiu à natureza humana. A alternativa inverte o sentido ao dizer que ele "não era ordinário".
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D reproduz exatamente a tese:
"O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas."
Ela apresenta a causa (o homem não presta) e a consequência (os futuros presidentes serão ruínas), sem acrescentar nada. É a paráfrase fiel.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa diz que "todos os presidentes mentem para ganhar a vida porque são feitos de barro ordinário". Isso inverte a relação de causa e consequência. No texto, o mendigo afirma que os jornalistas mentem para ganhar a vida, mas isso é uma observação à parte, não a explicação para os governos. Além disso, o "barro ordinário" é uma metáfora da natureza humana, não a causa direta da mentira. A alternativa mistura elementos e inverte a lógica.
Conclusão
A questão testa a habilidade de localizar a tese e reconhecer a paráfrase fiel. A alternativa D é a única que mantém a relação causa-consequência exatamente como o texto apresenta. As demais ou extrapolam, ou restringem, ou invertem. Dica: ao identificar a tese, procure a frase que generaliza e explica o fenômeno — aqui, "o homem não presta" é a chave.
Gabarito: letra D