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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — Avança SP 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa389415
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Vinhedo
Ano
2026
Cargo
Aux ( )

Mendigo

 

Eu estava diante duma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu.

 

Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:

 

— Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.

 

Calou-se e continuou a ler notícias eleitorais:

 

— O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.

 

Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:

 

— O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes também serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.

 

Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:

 

— O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.

 

Tirei do bolso uma nota de cinquenta e lhe ofereci pela sua franqueza. (...)

 

CAMPOS, Paulo Mendes. Mendigo. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 70-71. (Volume 2 - Crônicas).

Leia o Texto a seguir para responder à questão abaixo.   “Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros”   O parágrafo do texto transcrito acima está reescrito com concordância correta na alternativa:
  1. ASuspeitando de que eles não estivessem convencido da sua teoria, passaram a demonstrar para eles que também eles era sujeitos ordinários como os outros.
  2. BSuspeitando de que nós não estivessem convencidos da sua teoria, passou a demonstrar para nós que também eles eram um sujeitos ordinários como os outros.
  3. CSuspeitando de que nós não estivéssemos convencidos da teoria deles, passaram a demonstrar para nós que também eles eram uns sujeitos ordinários como os outros.
  4. DSuspeitando de que nós não estivéssemos convencido da sua teoria, passamos a demonstrar para nós que também eles eram um sujeito ordinários como os outros.
  5. ESuspeitando de que vós não estivésseis convencidos da sua teoria, passaste a demonstrar para vós que também tu era uns sujeitos ordinário como os outros.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Suspeitando de que nós não estivéssemos convencidos da teoria deles, passaram a demonstrar para nós que também eles eram uns sujeitos ordinários como os outros.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância Verbal e Nominal na Reescritura

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que reescreve o trecho com concordância verbal e nominal plenamente corretas, mantendo a coerência referencial do original. O erro nuclear das demais está em quebrar a concordância do verbo com o sujeito (ex.: "eles não estivessem convencido") ou em trocar os referentes dos pronomes, atribuindo ações a pessoas erradas. A passagem original — "Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros" — exige que, ao mudarmos a 1ª pessoa ("eu") para "nós", o verbo "estivesse" vá para "estivéssemos", e que "passou" (3ª pessoa, referindo-se ao mendigo) permaneça na 3ª pessoa do singular, pois o sujeito "ele" não mudou.

O Comando: Reescritura com Concordância

A questão pede uma reescritura do trecho com "concordância correta". Isso significa que o candidato deve manter o sentido original (quem suspeita, quem demonstra, de quem se fala) e apenas ajustar as flexões de verbos, pronomes e adjetivos para que fiquem em harmonia. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar as regras de concordância verbal (verbo × sujeito) e nominal (adjetivo/pronome × substantivo) ao novo arranjo de pessoas do discurso.

O Texto e a Estrutura Original

No trecho original, temos:

  • Sujeito de "suspeitando": "eu" (o narrador) — 1ª pessoa do singular.

  • Sujeito de "passou": "ele" (o mendigo) — 3ª pessoa do singular.

  • Sujeito de "era": "ele" (o mendigo) — 3ª pessoa do singular.

  • "sua teoria": refere-se à teoria do mendigo (possuidor: ele).

  • "para mim": refere-se ao narrador.

Ao reescrever, a alternativa C transforma "eu" em "nós" (1ª pessoa do plural) e mantém "ele" (o mendigo) como sujeito de "passaram" e "eram". A concordância exige:

  • "nós não estivéssemos" (verbo na 1ª pessoa do plural).

  • "passaram a demonstrar" (verbo na 3ª pessoa do plural, concordando com "eles").

  • "eles eram uns sujeitos ordinários" (verbo no plural, artigo "uns" e adjetivo "ordinários" no plural, concordando com "sujeitos").

A Técnica: Verbo → Sujeito, Adjetivo → Substantivo

A regra central é simples: o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa; o adjetivo, o artigo e o pronome concordam com o substantivo a que se referem em gênero e número. A banca explora exatamente os casos em que o candidato se perde ao mudar a pessoa do discurso. Veja o padrão:

Pessoa do discurso

Verbo "estar" (subjuntivo)

Verbo "passar" (pretérito)

Eu

estivesse

passei

Tu

estivesses

passaste

Ele/Ela

estivesse

passou

Nós

estivéssemos

passamos

Vós

estivésseis

passastes

Eles/Elas

estivessem

passaram

A alternativa C aplica corretamente essa tabela: "nós não estivéssemos" e "eles eram". As demais ou usam a forma verbal errada para a pessoa, ou deixam o adjetivo no singular quando o substantivo está no plural.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a concordância e troca os referentes.

  • "eles não estivessem convencido" — o adjetivo "convencido" deveria concordar com "eles" (plural): "convencidos".

  • "passaram a demonstrar para eles" — no original, o mendigo demonstra "para mim" (narrador). Trocar "mim" por "eles" altera o sentido.

  • "eles era sujeitos" — verbo "era" no singular para sujeito "eles" (plural): erro de concordância verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a concordância e troca os referentes.

  • "nós não estivessem" — verbo na 3ª pessoa do plural para sujeito "nós" (1ª pessoa do plural): erro grave.

  • "passou a demonstrar para nós" — mantém "passou" no singular, mas o sujeito implícito é "eles" (plural), então deveria ser "passaram".

  • "eles eram um sujeitos" — artigo "um" no singular para substantivo "sujeitos" no plural: erro de concordância nominal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: todas as concordâncias estão adequadas.

  • "nós não estivéssemos convencidos" — verbo na 1ª pessoa do plural; adjetivo "convencidos" no plural, concordando com "nós".

  • "passaram a demonstrar para nós" — verbo na 3ª pessoa do plural, concordando com o sujeito "eles" (o mendigo e, implicitamente, outros).

  • "eles eram uns sujeitos ordinários" — verbo "eram" no plural; artigo "uns" e adjetivo "ordinários" no plural, concordando com "sujeitos".

  • "da teoria deles" — pronome possessivo no plural, referindo-se a "eles" (coerente com a nova redação).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a concordância e troca os referentes.

  • "nós não estivéssemos convencido" — adjetivo no singular para sujeito "nós" (plural): erro de concordância nominal.

  • "passamos a demonstrar para nós" — verbo na 1ª pessoa do plural, mas o sujeito que demonstra é "eles" (o mendigo), não "nós". Troca o agente da ação.

  • "eles eram um sujeito ordinários" — artigo "um" e substantivo "sujeito" no singular, mas adjetivo "ordinários" no plural: incoerência total.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a concordância e usa pessoa do discurso inadequada.

  • "vós não estivésseis" — correto para "vós", mas o restante da frase não mantém a mesma pessoa.

  • "passaste a demonstrar para vós" — verbo na 2ª pessoa do singular (tu), mas o sujeito é "vós" (plural): erro de concordância.

  • "tu era uns sujeitos ordinário" — verbo "era" na 3ª pessoa para sujeito "tu" (2ª pessoa); artigo "uns" e adjetivo "ordinário" no singular para "sujeitos" no plural: múltiplos erros.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura troca de referente (quem faz a ação) com erro de concordância (verbo/adjetivo no número errado). A alternativa C é a única que mantém a lógica do original (o mendigo demonstra; ele é ordinário) e ajusta as flexões corretamente.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, sublinhe o sujeito de cada verbo e o substantivo a que cada adjetivo se refere. Pergunte: "quem age?" e "o que é ordinário?". Isso evita trocar os referentes.

Conclusão: a reescritura correta exige coerência referencial (quem faz o quê) e concordância gramatical (verbo com sujeito, adjetivo com substantivo). A alternativa C é a única que atende a ambos os critérios.

Gabarito: letra C

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